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Colônia Príncipe Dom Pedro – Final

A Colônia Príncipe Dom Pedro foi instalada à margem direita do rio Itajaí-Mirim, divisando com a Colônia Itajahy. Inicialmente, as terras foram utilizadas para instalação de elementos ingleses e irlandeses reemigrados dos Estados Unidos, que permaneceram pouco tempo. Sua duração foi efêmera e, logo em seguida, em 1869, suas terras foram utilizadas para instalação de […]

A Colônia Príncipe Dom Pedro foi instalada à margem direita do rio Itajaí-Mirim, divisando com a Colônia Itajahy. Inicialmente, as terras foram utilizadas para instalação de elementos ingleses e irlandeses reemigrados dos Estados Unidos, que permaneceram pouco tempo. Sua duração foi efêmera e, logo em seguida, em 1869, suas terras foram utilizadas para instalação de colonos poloneses e, mais tarde, italianos.

A abertura dos caminhos
Vencidas as dificuldades iniciais, um bom trecho de caminhos foi aberto para o trânsito de veículos de tração, e outros apenas para pessoas e animais de carga. Um caminho de carroças ligava as Colônias Itajahy-Brusque e Príncipe Dom Pedro. Tendo em vista a grande utilidade proveniente da ligação direta com a capital, que viria a facilitar o intercâmbio comercial, o Presidente da Província de Santa Catarina, Dr. Adolfo de Barros Cavalcanti de Albuquerque Lacerda, autorizou, em 1867, a abertura de uma picada até o núcleo de Tijucas. O trabalho de abertura era realizado pelos imigrantes e pago com recursos públicos.

O fracasso da colonização com imigrantes ingleses e irlandeses
A Colônia Príncipe Dom Pedro custava a se desenvolver. Os imigrantes ingleses e irlandeses, que haviam sido assentados no território, eram avessos ao trabalho na terra e logo se tornaram pensionistas do governo. Dependiam do trabalho na abertura de estradas, que era pago por diária. Nem sempre havia dinheiro do governo para contratação dos serviços e logo passaram a ociosidade. Surgiram inúmeros desacertos e distúrbios entre os imigrantes. Má gestão pública também foi verificada. Com o fracasso da colonização, aos poucos a área foi sendo abandonada. Cumpre ressaltar que, apesar de ser área montanhosa e pouco propícia a plantio da lavoura com arado, o território era de grande riqueza florestal e haviam muitos cursos d’água. Suas dificuldades em termos de áreas propícias à agricultura eram semelhantes à outras regiões do estado de Santa Catarina. O que faltou foi administração e vontade de trabalhar. Conforme dizia Ayres Gevaerd, as administrações da Colônia, apesar de bem-intencionadas, foram incapazes.

A anexação da Colônia
Segundo Jacintho Antônio de Mattos (no livro Colonização do Estado de Santa Catarina: dados históricos e estatísticos, 1917) “aos poucos, esses colonos (ingleses e irlandeses reemigrados dos Estados Unidos) foram deserdando dos seus lotes, até que no aviso de 6 de dezembro de 1869, do Ministério da Agricultura, a Diretoria da Colônia foi anexada à Diretoria da Colônia Itajahy”. A partir de então, a correspondência oficial passou a ser dirigida à Diretoria da Colônia Itajahy-Brusque e Príncipe Dom Pedro. As dimensões coloniais também aumentaram, passando a somar aproximadamente 70 mil hectares. Para quem tiver interesse, um antigo mapa da Colônia Príncipe Dom Pedro, produzido pelo agrimensor Germano Thieme, encontra-se disponível no site Brusque Memória (www.brusquememoria.com.br).

Novos imigrantes: poloneses e italianos
A Colônia vivia completa anarquia e já estava em vias de ser extinta quando chegou, em agosto de 1869, o primeiro grupo de famílias de imigrantes poloneses, rendendo a Brusque o título de “Berço da Imigração Polonesa no Brasil”. Foram instalados na linha “Sixteen Lots”, na Colônia Príncipe Dom Pedro e substituíram, em parte, os irlandeses. Em 1875, teve início a colonização com imigrantes italianos. Anos mais tarde, o território da extinta Colônia Príncipe Dom Pedro deu origem aos municípios de Nova Trento (1892), Vidal Ramos (1957), Presidente Nereu (1961) e Botuverá (1962).