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Conheça a trajetória de Ruth Mosimann Hoffmann, histórica ex-jogadora de vôlei de Brusque

Ela construiu uma carreira vitoriosa no esporte entre os anos 1950 e 1970

A brusquense Ruth Mosimann Hoffmann, de 85 anos, entrou para a história do vôlei mundial. Em janeiro deste ano, ela se tornou a jogadora mais idosa do mundo a participar de um jogo oficial. Com muitas lembranças e prêmios na carreira, Ruth contou ao jornal O Município um pouco da sua história e da sua rotina atual.

Por trás do peso de ser uma ex-jogadora vencedora, Ruth carrega consigo histórias. De vida e atos simples, a brusquense deixa claro que o segredo para viver bem é uma boa alimentação, praticar esportes, viajar e visitar a família.

De olhar calmo e sorriso no rosto, é assim que ela recebe as suas visitas, após passar quase dois anos reclusa por causa da Covid-19.

Otávio Timm/O Município

Rotina

Ruth gosta de acordar cedo, por volta das 6h. Ao levantar, bebe alguns copos de água e prepara uma fruta com algum cereal. Uma das frutas que mais gosta é a banana, pois possui alguns pés dela em casa. Durante a entrevista, ao falar sobre frutas, ela se levanta orgulhosa e busca um cacho com mais de 25 quilos que colheu no quintal de casa.

“Em qualquer momento de fome eu como uma fruta, me faz muito bem. Meu intestino funciona perfeitamente. No almoço eu gosto de sair para comer fora mas também gosto de cozinhar em casa. À tarde faço um lanche simples e se ainda tiver fome, preparo alguma coisa com frutas”, diz a ex-jogadora.

Otávio Timm/O Município

Passeios e família

Ruth possui três filhos, sete netos e sete bisnetos. De família grande, ela conta que passear, dirigir e visitar a família é um dos seus afazeres favoritos. A brusquense possui imóveis na localidade de Ibiraquera, em Imbituba, Balneário Camboriú, Mariscal e Brusque.

Otávio Timm/O Município

“Em Ibiraquera é mais estilo sítio, mais natureza, gosto de ir para lá e ficar sossegada. Tenho um neto que mora lá e cuida da propriedade. Mas geralmente estou nas praias ou em Brusque. Gosto de passear e principalmente dirigir, isso ocupa minha mente. Sempre gostei de viajar e sair por aí. Isso me mantém viva, pensante”, afirma Ruth.

Otávio Timm/O Município

O gosto pela natureza é evidente não só pelas escolhas das localidades onde gosta de ir e morar, mas também da casa principal que fica localizada no Centro de Brusque. A casa, além de espaçosa, possui objetos históricos, quintal grande e um jardim com muitas plantas e árvores frutíferas.

Piano e início no vôlei

Ruth lembra com carinho o tempo em que começou a jogar vôlei. Segundo ela, tudo começou de forma informal e até engraçada. A brusquense, que vendia e entregava leite na adolescência, havia sido colocada em uma escola de piano pela mãe, porém, fugia das aulas para jogar vôlei.

“Minha mãe tirava leite no Morro do Pipa, trazia para nós e a gente entregava. Depois de um tempo ela me colocou em uma aula de piano, mas eu fugia. Eu subia pra ir pra aula, mas desviava o caminho e ia para o campo de vôlei que na época ficava atrás da Igreja Matriz, perto da casa do Arnoldo Schaefer”, lembra.

Casa de Arnoldo Schaefer/Casa de Brusque

Ruth começou a jogar vôlei com as colegas do antigo Colégio Santo Antônio (hoje São Luiz) e, posteriormente, com as novas colegas no Colégio Cônsul Carlos Renaux. Porém, lembra que nunca ganhou dinheiro com esporte, pelo contrário, custeava suas próprias despesas para participar dos campeonatos.

“Eu pedia licença do serviço e pagava minhas viagens. Eu praticava o esporte por amor mesmo. Depois quando tive meus filhos eu continuava jogando, inclusive, levava eles para verem as partidas. O vôlei nunca saiu de mim”, explica a ex-jogadora.

O piano por sua vez não ficou esquecido, pelo contrário, ela possui um na sala de estar da casa. Ruth ficou tempo sem tocar, porém, diz que planeja retornar e já vem praticando algumas músicas simplificadas.

Otávio Timm/O Município

Assista ao vídeo:

Marido, viagens e casa

A ex-jogadora é viúva de Manfredo Hoffmann, um dos membros da equipe de Arthur Schlösser, criador dos Jogos Abertos de Santa Catarina, ao lado de Rubens Facchini. Ele possui em seu nome um complexo esportivo (inaugurado em 1992) localizado na Sociedade Esportiva Bandeirante.

Acervo Sociedade Esportiva Bandeirante/Divulgação

“Ele ajudava na organização de vários esportes, principalmente ciclismo. É uma pena ele ter sido esquecido pela sociedade. Ele sempre me apoiava nas viagens e no vôlei, deverei isso a ele para sempre”, diz Ruth.

Entre as atividades que gostava de fazer com o marido estão as viagens para o exterior. A ex-jogadora lembra de viagens para a Europa, principalmente para a França.

“Tenho uma ligação forte com a França. Me formei em letras e me dediquei ao francês. Em uma sala aqui da minha casa havia uma sala onde existia a Aliança Francesa, inclusive, dei aula por vários anos da língua”, lembra.

Em uma viagem para Paris, Ruth diz que foi até a Galeria Lafayette e comprou uma tapeçaria de parede que mantém até hoje na sua sala de jantar. Além dela, há também um armário de armas de época que também veio diretamente de Paris pelas mãos de um amigo de negócios de Manfredo.

Otávio Timm/O Município

“Viajávamos muito com o Ciro Gevaerd e sua esposa. Como ele era da área do turismo, ele gostava de conhecer hotéis e restaurantes e, como éramos convidados, acabávamos indo também. Hoje, é visível que a minha casa também é a minha memória”, conta.

Partida histórica

Ruth foi apresentada na tarde do dia 31 de janeiro deste ano como novo reforço da Abel Moda Brusque para a temporada de 2022. Ela entrou em quadra no dia 4 de fevereiro, no jogo contra o Bluvôlei de Blumenau.

O jogo aconteceu em casa, pela Superliga B. Ela foi chamada para efetuar o primeiro saque da partida. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa na Arena Brusque. Com a participação, Ruth Hoffmann se tornou a jogadora mais idosa do mundo a participar de um jogo oficial.

“É incentivar o povo a ir aos ginásios, a torcer. Gosto muito do [Maurício] Thomas como técnico, acho que temos muitas coisas boas a ver ainda em Brusque”, comenta Ruth.

O técnico Maurício Thomas afirma que a homenagem à Ruth foi muito bem recebida pelas atletas da Moda Brusque. Ele crê que a iniciativa dá visibilidade à equipe, ao mesmo tempo em que mostra a importância de valorização da história da modalidade na cidade.

“Se hoje Brusque respira voleibol, é porque pessoas como dona Ruth Hoffmann plantaram uma sementinha lá atrás e construíram seu legado. Penso que essa homenagem é algo que simboliza muito o verdadeiro espírito do esporte e o seu poder de transformação social. Algo que buscamos para o Moda Brusque: formar um time campeão, com respeito às nossas raízes”, disse.

AMA Fotografia/Moda Brusque

A sintonia entre Ruth e o técnico Maurício é notória. Quando se encontram na Arena ou nos bastidores dos jogos do Moda Brusque, há sempre muita conversa para por em dia.

“Já entendi que quando estou de calça jeans e a dona Ruth vem assistir aos jogos temos mais sorte. Precisamos dela sempre por perto”, disse o técnico.

Ruth afirma que adora ir até a Arena, embora não vá com tanta frequência. Ela diz que ainda se perde nos corredores do local, mas que adora comparecer aos jogos e que confia no trabalho do técnico.

“Eu ainda acompanho não só o vôlei, mas também o futebol. Gosto de partidas boas e interessantes. Não há o que fazer, o esporte sempre fará parte de mim e eu sempre farei parte dele”, conclui.

Otávio Timm/O Município

Carreira 

A ex-jogadora começou a jogar vôlei em 1948, no Colégio Cônsul Carlos Renaux, e começou a jogar no time da Sociedade Esportiva Bandeirante em 1951. Conquistou 15 títulos estaduais até 1971.  Em 1960, disputou a primeira edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina por Florianópolis, conquistando o título. Ao todo, tem 12 participações nos Jasc, com sete títulos pela capital e por Brusque, sua cidade Natal.

Otávio Timm/O Município

Antes da criação dos Jasc, de 1957 a 59, Ruth Hoffmann chegou a participar dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo. Em 1962, chegou a ser convocada à Seleção Brasileira, mas não pôde jogar, pois estava grávida do primeiro filho. Participou ainda de duas edições do Campeonato Brasileiro.

“Não me arrependo de nada. Quando fui chamada para a seleção, estava grávida do meu primeiro filho e na época eu preferi jogar por uma cidade menor. Teria que abdicar de muitas coisas caso eu quisesse ir até São Paulo, onde ficava a seleção”, afirma.

Ruth Mosimann Hoffmann é mãe de três filhos: Heloísa (também ex-atleta de vôlei) Fernanda e Sérgio.

Sempre ativa no voleibol, a partir do ano de 1992, já com 55 anos, a brusquense ingressou no time de veteranas, participando de campeonatos de voleibol adaptado para a terceira idade. Atualmente, ainda se dedica à prática da modalidade.

Foto: AMA Fotografia/Moda Brusque

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