Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Cônsul Carlos Renaux – Síntese de uma grande história – Final

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Cônsul Carlos Renaux – Síntese de uma grande história – Final

Rosemari Glatz

Em 1922, Carlos Renaux transferiu residência com a esposa para Baden-Baden pois, o governo brasileiro o nomeara Cônsul Honorário para o Consulado em Baden-Baden. Durante os anos em que esteve morando na Europa, Carlos Renaux manteve-se ativo nas atividades empresariais no Brasil, delas se retirando definitivamente só em 1937. A partir do início da década de 1930, o Cônsul mandou projetar, pelo engenheiro alemão Eugen Rombach, sua residência em Brusque. Iria retornar definitivamente para o Brasil. A construção completa da “Villa Goucki”, como foi chamada pelo Cônsul em homenagem à terceira esposa, envolvendo o projeto, a construção, o mobiliário, os jardins e o lago, bem como o mausoléu, foi concluído por volta de 1935.

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Fundação Cultural e Beneficente Cônsul Carlos Renaux
O Cônsul também deixou feitos na área social e cultural e, para financiar projetos que trouxessem benefícios para a região, em 1936 a família Renaux criou a Fundação Cultural e Beneficente Cônsul Carlos Renaux, conhecida entre nós como “Cultural”. Dessa fundação veio o dinheiro para que Rudolfo Stutzer montasse a oficina onde acabou sendo produzida a primeira geladeira brasileira – a geladeira Consul. Também foi por meio da “Cultural” que foram beneficiadas diversas outras instituições, como igrejas, escolas e hospitais.

Em discurso proferido pelo Cônsul por ocasião da inauguração do Hospital de Azambuja, a 11/03/1936, ele assim se expressou: “De modo algum quero eu ser agradecido pelo que fiz ou dei em benefício desta obra. De igual maneira, não quero ser louvado por atitudes de benemerência de igual caráter. Se a conquista de bens materiais realmente traz algumas facilidades na vida e o sucesso empreendedor desperta o reconhecimento social, por outro lado exige do cidadão muito mais responsabilidade e compromisso frente a sua comunidade. Eu conheço muito bem tais obrigações pois, de início modesto, minha vida foi de trabalho duro e repleta de sacrifícios e de privações. É dentro desse mesmo espírito pois, e movido pelo mesmo sentimento de gratidão, que minha oferta se destina à terra a qual, há mais de meio século, deu-me generosa acolhida e que um dia me abrigará em sono eterno” (In: arquivo pessoal Villa Renaux).

O findar da vida
Goucki desviveu no dia 27/06/1939, em São Paulo, onde estava internada para tratamento de saúde. Seu corpo está sepultado no Mausoléu da Villa Renaux. Desde que a terceira esposa faleceu, o Cônsul viveu sozinho em sua residência, onde desviveu, de morte natural, no dia 28/01/1945, aos 83 anos de idade. Para o seu sepultamento, uma longa carreata composta por membros da comunidade, empregados, familiares, e grandes nomes da economia e da política do estado de Santa Catarina vieram para o último adeus. Estima-se que cerca de 10.000 pessoas compareceram ao seu funeral.

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Uso e Manutenção da Villa Renaux
Após a morte do Cônsul, seus descendentes costumavam se reunir na Villa Renaux duas vezes ao ano, para render homenagem aos antepassados: no dia 11/03, aniversário natalício de Carlos, e em 8/12, aniversário natalício da sua esposa, Selma Wagner, mãe de todos os 11 filhos de Carlos Renaux.

Durante muitos anos, Selma Carolina, a filha mais nova de Carlos e Selma, residiu na Villa Renaux, contribuindo para a preservação do patrimônio. E, no início dos anos 1990, a bisneta do Cônsul, a historiadora Maria Luíza Renaux – conhecida como Bia, fixou residência na Villa Renaux, em ânimo definitivo.

Bia desviveu no dia 5/01/2017, e durante os cerca de 25 anos em que morou no imóvel, se dedicou a preservar a propriedade tal como concebida pelo arquiteto Eugen Rombach, deixando como legado o projeto do Museu Cônsul Carlos Renaux.

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