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Conversas Praianas: Passarela do Pontal Norte

Para quem mora ou, como é o meu caso, passa os finais de semana na Dubai brasileira, tem tempo e gosta de uma boa caminhada, a passarela ou deque do Pontal Norte é um belo passeio ecológico. Na semana passada, manhã de sol convidando, escolhi fazer minha caminhada à sombra agradável e refrescante das árvores […]

Para quem mora ou, como é o meu caso, passa os finais de semana na Dubai brasileira, tem tempo e gosta de uma boa caminhada, a passarela ou deque do Pontal Norte é um belo passeio ecológico. Na semana passada, manhã de sol convidando, escolhi fazer minha caminhada à sombra agradável e refrescante das árvores que margeiam e cobrem boa parte daquele deque.

O pontal é assim chamado, penso eu, por ser a ponta de terra e pedra do Morro da Rainha que se projeta sobre o costão e as ondas do mar, para separar a Praia Central da Praia do Buraco, ao norte e ainda pouco frequentada. A colina coberta pela mata verdejante forma uma linda paisagem, contrastando com a planura do mar e da praia. Sem dúvida, vale a pena percorrer aquele caminho de madeira em frente à mata verdejante, tendo abaixo dos pés as pedras do costão e, em alguns trechos, o vaivém das ondas do mar.

No meio do percurso, chega-se à pequena enseada, não mais de cem metros de areia da Prainha do Pontal. A natureza foi pródiga e dispensou um carinho maternal a essa bucólica prainha, escondida e isolada da agitação e do burburinho existente do outro lado, na chamada Praia Central. A beleza da pequena enseada está no seu contorno em forma de meia-lua e nas três ou quatro frondosas aroeiras que se debruçam sobre a faixa de areia para oferecer aos banhistas uma deliciosa sombra que se estende quase até a água.

Continuei o passeio e, ao mesmo tempo, exercício para minhas pernas enfraquecidas pelo tempo e andares constantes por esse mundo sem cancelas, serpenteando pelo caminho de tábuas que vergam ao peso do caminhante. Algumas passadas e logo aparece uma sombra para refrescar o corpo e a alma, onde uma parada sempre é bem-vinda, a fim de contemplar com mais calma a paisagem floral com suas frondosas aroeiras, que esparramam os seus galhos quase a tocar o chão.

A diversidade da Mata Atlântica está ali presente, naturalmente reflorestada depois de alguns anos de preservação ambiental e agora exuberante com suas enormes figueiras, camboatás, landins, embaúbas, guamirins, coqueiros jerivás, tucaneiros e outras espécies nativas que eu, não sendo botânico nem engenheiro florestal, desculpado estou por não saber os nomes.

Não são apenas as árvores. É preciso admirar também a baixa vegetação que acompanha o caminhante lado a lado, desde o primeiro passo até o final do deque que termina na Praia do Buraco. São as bromélias, os gravatás, as helicônias, os caetés, os lírios do campo e outras espécies rasteiras que proliferam entre as rochas da encosta, ao pé da colina do Pontal.

Na volta, o caminhante ainda terá de sobremesa a silhueta da Balneário Camboriú, com seus espigões de concreto e vidro batendo quase nas nuvens, que pode ser vista a cada dobra de curva do sinuoso trajeto. É um panorama que contrasta com o verde da mata, o ambiente preservado e a sensação de paz que sentimos diante da paisagem natural e bucólica da colina do Pontal Norte.

No entanto, se não formos demasiadamente pessimistas, o contraste pode servir para nos mostrar que, bem próximo da agitação urbana, ainda é possível vivenciar momentos de tranquilidade e a sensação de paz que a natureza nos oferece.