O que você comeu no fristique de hoje?
A vibe da semana é o fristique! Precisamente, o projeto de transformar lanche em patrimônio imaterial no Vale. Frühstïck é a palavra alemã que designa o café da manhã reforçado das 9h, e empodera o comilão de energia para a tarefa pesada do dia. Assemelha-se ao breakfast, o desjejum, mas essas trazem outra conotação, pois não é um simples café no acordar. Os defensores elaboraram cardápio sofisticado de pães caseiros, fatias de pão escuro, queijo fresco, coalhada, iogurte, kockkäse- queijo fundido, embutidos suínos, morcilha frita, morcilha de fígado, salsichas assadas, banana de frigideira, ovos estrelados com linguiça, ovos mexidos em frigideira e uma boa xícara de café preto! Acrescentam até uma cerveja de levedura não filtrada. Dá para resistir? Não é mais uma das refeições de outubro. É lanchinho reforçado das 9 horas! Então, comida é história como na Colônia Itajahy? Qual era a comida do operário e do lavrador?
Por que transformar o fristique em patrimônio? Alimento tem sabor de infância e recorda os pais. Lembra a origem cultural de antepassados não distante, pais e avós que passavam o dia na roça plantando aipim, milho, cará da terra e do ar, após a primeira jornada na fábrica. A legislação trabalhista é de 1943, embora a jornada de 8 horas diárias tivesse sido instituída na Constituição 1934. O operário dividia seu dia em 2 jornadas, iniciando às 5h na fábrica têxtil ou mecânica, na Renaux, Schlösser, Büttner, Iresa até às 13:30h. Uma hora depois estava fazendo a roça, tirando trato para animais, criando vaca leiteira e um porquinho leitão nas as festas de Natal. Maionese e macarrão de ovos caseiros era coisa de domingo. Docinhos pintados, só no Natal. O que o operário levava no bolso para o lanche não é segredo: 2 fatias de pão de milho, cará do ar ou batata doce e uma garrafa de café preto. Só! Comia junto da máquina, não tinha parada no refeitório. Bebia às pressas um gole de café, raramente com leite e corria tocar a máquina! Não dá para comparar, mas tem gente que reclama de serviço hoje! Os tempos são outros, lanches também. Assim idealizar a comida boa, forte e saudável é fundamental para as festas de outubro e as Strassenfest.
Pode-se discutir o tipo de patrimônio, imaterial ou indicação de origem, que é a tendência no Vale para os Saberes. Fristique está na gastronomia como produto bem elaborado, com feição de indicação geográfica, independente do almanaque de 1910 de Ausdrücke die in der Küche Gebraucht Werden- culinária alemã, para ensinar em Reels os pratos de mestres feito Heiko Grabolle. O frustique é memória afetiva recuperada pelo marketing.
Pois, perdemos a memória alemã, sobrou pouco da italiana, não lembro da polonesa, mas é difícil encontrar confeitaria para cuca de farofa, largamos o pirão com linguiça, o aipim frito com bacon e ovos moles, a escarola de sardinha em lata, nem pensar em rollmops, ou pedir na rua um hackepete com cerveja. Cadê o pepino em salmoura de folhas de uva? Outro dia pedi no mercado um pacote de chucrute, que era sauerkraut. Desconhecido. Cachorro quente com linguicinha Bruns? Que tem nas festas de igreja? Clube de idosos? Tavern Club? Quem prepara hoje gim com tônica e limão?
O Iiphan tornou conhecida a Linguiça Blumenau; Ostras de Florianópolis; Maçã Fuji de São Joaquim; Banana de Corupá; Alho Roxo do Planalto; Cachaça de Luiz Alves; Renda da Lagoa. Quem sabe se Brusque não reinvente a cuca, o chucrute, o marreco e nunca deixe faltar o churrasco com cebola.