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Editorial: Alimentando a história

É possível contar a história de qualquer cidade, estado, país ou civilização por meio da comida. A forma como se come e se bebe é reflexo dos costumes de cada povo, mesmo que no dia a dia não nos demos conta. Em Guabiruba, a relação com o alimento é especial. Não há como falar do […]

É possível contar a história de qualquer cidade, estado, país ou civilização por meio da comida. A forma como se come e se bebe é reflexo dos costumes de cada povo, mesmo que no dia a dia não nos demos conta.

Em Guabiruba, a relação com o alimento é especial. Não há como falar do desenvolvimento da cidade, que neste dia 10 completa 55 anos de emancipação político-administrativa, sem contar a história da culinária – escrita a cada dia, com forte influência dos imigrantes alemães e italianos.

Exemplo disso é a tradição que, até hoje, perdura e se populariza a olhos vistos. É o caso das cervejarias artesanais, que vieram junto com os imigrantes alemães e austríacos que aportaram na região, no século 19, quando Guabiruba nem sonhava em ser uma cidade.

Assim como a cerveja, os imigrantes alemães, mas também os italianos e poloneses, tinham como costume de fazer kuchen, hoje conhecidas como as cucas. Essas delícias permeiam toda a cultura culinária guabirubense e é um traço irrefutável de nossa ligação com os antepassados.

Durante os famosos “café com cuca” já se formaram muitas conversas. Algumas delas resultaram até em namoros e em casamentos. Mais uma vez, a comida integrou, uniu e fortaleceu a sociedade de Guabiruba. As igrejas, há décadas, veem na produção de cucas uma importante fonte de renda para a manutenção dos trabalhos.

Os peixes também são parte bastante importante da mesa do guabirubense. As primeiras comunidades estabeleceram-se às margens dos ribeirões, que, à época, eram rios mais caudalosos. O peixe, por consequência, é assíduo frequentador dos pratos.

A “tradição peixeira” de Guabiruba ainda existe por meio das lagoas que muitos mantêm em seus sítios, e por iniciativas maiores, como o pesque-pague de Paulo Dirschnabel, que funciona há décadas no bairro Pomerânia e o restaurante Lá nas Trutas, no Lageado Alto.

As evidências da ligação historicamente importante e íntima entre o povo de Guabiruba e a comida são muitas. É uma história em desenvolvimento, que se renova a todo o momento.

Os pubs, febre nos últimos cinco anos no Brasil, também chegaram à cidade e ganharam personalidade local. Os modernos bares, com foco nas cervejas de vários estilos, já se consolidaram no município.

Não é à toa que o proprietário do Gurmàn Selective Pub, Cledson Kormann, afirma que é “possível viver apenas dos guabirubenses”. Assim como o fez no passado, a cidade abraça essa nova tradição culinária e a incorpora no seu cotidiano.

No fundo, no fundo, a boa comida e a boa bebida tem apenas um único objetivo: criar laços. É assim dentro de casa, é assim nos encontros entre amigos e é assim nas cozinhas das igrejas. Parabéns, Guabiruba! Sua história é deliciosamente contagiante.