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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: A campanha eleitoral e seus reflexos

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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: A campanha eleitoral e seus reflexos

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Aos poucos vamos percebendo nas ações, nas omissões e na falta de ação dos governos, que mais um período eleitoral se aproxima. Mesmo que no calendário ainda esteja distante, na cabeça dos que têm mandato e dos que aspiram por um mandato, parece que a coisa se dará amanhã. No máximo na segunda-feira.

Ao contribuinte resta continuar pagando seus impostos, para que os candidatos possam preparar os movimentos do seu xadrez político. É do jogo democrático que os partidos e cidadãos que desejam participar da vida pública, se movimentem e tentem capitalizar a atenção e a simpatia dos eleitores.

Mas esse esforço, às vezes, parece perder seus limites, seu pudor e avança por áreas que deveriam ser mantidas sob o manto dos deveres constitucionais de bem servir ao público, usando com rigor e eficiência o dinheiro arrecadado de todos nós.

Um exemplo cada vez mais evidente desse transbordamento de intenções e propósitos é o “cabo de guerra” que ocorre com a possibilidade de transferir verbas estaduais para completar obras federais em território catarinense. “Cabo de guerra”, vocês sabem, é aquela brincadeira, ou jogo, em que cada um, ou cada grupo, puxa a corda de um lado oposto, para testar quem tem mais força ou resistência.

Pois digamos que o dinheiro disponível (alguns milhões de reais) seja a corda. De um lado, o governador do estado quer levar essa “corda” para concluir obras federais que estão paradas ou em passo de cágado. Imagina que, com isso, poderá mostrar bons resultados a tempo de emocionar os eleitores ano que vem.

 A disputa pelo voto, às vezes, pela insensibilidade dos principais atores, dá a impressão que é prejudicial

Do outro lado, puxando a mesma “corda”, está o fiel escudeiro do presidente Bolsonaro, senador Jorginho Mello. Em algumas dessas voltas que a política dá, os apoiadores do presidente agora não querem fazer nada que favoreça seu antigo aliado, o governador Moisés. Então, ele parece estar em campanha para que o dinheiro não seja usado para concluir obras federais.

Enquanto essa disputa ocorre em grande altitude e mirando 2022, aqui na planície os prefeitos e as entidades empresariais da região têm listadas as demandas locais que aguardam dinheiro estadual. Necessidades concretas, como a conclusão do trevo da Antonio Heil e tantas outras obras, que podem parecer pequenas para quem quer causar impacto estadual ou nacional, mas que são fundamentais para que os municípios possam ir adiante e que as indústrias e o comércio tenham menos obstáculos no seu dia a dia.

Uma coisa boa, de certa forma inevitável nas democracias, que é a disputa pelo voto, às vezes, pela insensibilidade dos principais atores, dá a impressão que é prejudicial. Porque esquecem-se do dia a dia, da “fila de espera”, das promessas de décadas e jogam-se em busca de gestos grandiloquentes, que produzam belas imagens e envolvam valores polpudos. Senhores, abram os olhos: não será deixando de lado as necessidades dos municípios e dos setores produtivos, que conquistarão votos. Talvez fosse bom pensar em mais resultados e menos pirotecnia.

 

 

 

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