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Editorial: O efeito do abalo sísmico no governo municipal

Na segunda-feira, 16, o jornal O Município noticiou em detalhes o fenômeno do terremoto que mexeu com Brusque na última sexta-feira. Foi um abalo pequeno, de apenas 3,6 na escala Richter e que, apesar do susto, não deixou vítimas. Um outro tremor também foi noticiado na coluna de opinião do jornal na quarta-feira, 18: a […]

Na segunda-feira, 16, o jornal O Município noticiou em detalhes o fenômeno do terremoto que mexeu com Brusque na última sexta-feira. Foi um abalo pequeno, de apenas 3,6 na escala Richter e que, apesar do susto, não deixou vítimas.

Um outro tremor também foi noticiado na coluna de opinião do jornal na quarta-feira, 18: a pressão em cima do trabalho do secretário William Molina, da Secretaria de Governo e Gestão Estratégica. Não se tratar de um fenômeno natural, mas sim político.

A análise deste fato tem especial importância porque é um indicador da movimentação das placas políticas tectônicas da cidade, que estão se chocando e buscando uma nova acomodação. Ao que parece, o governo está querendo aumentar a sua base política e para isso vem flertando com o PP e o DEM para compor o governo.

Assim, a pressão em cima do secretário é o indicador de um redirecionamento na gestão municipal, com o intuito de trocar uma gestão mais técnica por uma política.

Para justificar esta afirmativa é preciso entender o modelo atual do governo. Ele tem o prefeito ocupando uma função mais institucional, o vice uma função mais executiva e política. O secretário Molina vinha na linha de frente, sendo um dos principais gestores do governo.

Sem vínculos políticos e oriundo da universidade, Molina vinha estruturando a prefeitura e corrigindo distorções históricas. Esteve à frente da questão da exigência do ponto para os servidores, inclusive para médicos. Entrou na batalha para a correção dos pagamentos dos benefícios aos servidores municipais. Transformou o recesso do fim do ano em férias economizando recursos significativos do erário.

Do ponto de vista de gestão e economia, esta combinação funcionou bem até agora. No entanto, se por um lado foram iniciativas em prol de uma eficiência e economia, de outro geraram descontentamento por parte dos atingidos.

Assim buscar um governo mais político do que técnico faz sentido num ano de eleições na cabeça de alguns caciques. Primeiro porque quem distribui recursos e benefícios é sempre simpático, ainda mais se for dinheiro público. Segundo, a supersecretaria ocupada por Molina é objeto de desejo dos partidos políticos da base governista e podem ser uma poderosa moeda de troca.

Diante deste quadro, os tremores políticos estão mexendo com a estrutura da prefeitura. Assim como no fenômeno natural que aconteceu em Brusque, ainda não houve rachaduras aparentes nestas acomodações e por isso ainda não é possível ver o estrago que estas ações poderiam provocar.

É claro que o governo precisa constantemente atuar politicamente para poder governar, mas dentro de uma direção que não prejudique a sociedade. Lotear ainda mais a prefeitura e distribuir benesses seria um retrocesso, nivelando por baixo a gestão municipal e utilizando o que há de mais desprezível e condenável na política.

Por enquanto este terremoto foi só um tremor, tanto o natural como o político. O natural é imprevisível e pode nos castigar a qualquer momento, já o político pode ser evitado, acomodando interesses sem rupturas, sem ceder a interesses escusos e permitindo uma evolução positiva tão desejada para a nossa sociedade.