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Editorial: Pérolas do tempo

Uma de nossas maiores conquistas como seres humanos talvez tenha sido o aumento da longevidade. Conseguimos driblar doenças, desenvolver melhor o corpo, a mente, e assim conquistar mais tempo, na impiedosa contagem da vida.  Mas quando chegamos neste acréscimo, atingimos também a velhice e a fragilidade humana junto com a incerteza nos deixam sem saber […]

Uma de nossas maiores conquistas como seres humanos talvez tenha sido o aumento da longevidade. Conseguimos driblar doenças, desenvolver melhor o corpo, a mente, e assim conquistar mais tempo, na impiedosa contagem da vida. 

Mas quando chegamos neste acréscimo, atingimos também a velhice e a fragilidade humana junto com a incerteza nos deixam sem saber ao certo o que fazer com este tempo extra que ganhamos.

Tentamos dar uma cor diferente a esta realidade chamando de terceira idade e vimos esforços para a valorização e proteção do idoso com a criação de conselhos municipais, estaduais e federais. 

Também vimos outras iniciativas, como o Estatuto do Idoso, as políticas públicas e privadas, e do terceiro setor na busca de soluções que garantam um bem-estar na velhice. 

Mas este desafio é tão difícil, complexo e lento como o tempo que levamos para conquistá-lo. Assim, por mais que tenhamos campanhas que proclamem o respeito e cuidado como idoso, ele ainda orbita à margem da sociedade. 

A celebrada terceira idade na realidade não é tão romântica e muitas vezes até é vista como um fardo, que não valoriza o conhecimento e experiência de seus anciãos.

Na contramão desta problemática, publicamos três matérias interessantes com personagens desta faixa etária. Na linha do provérbio popular “as palavras comovem, mas os exemplos arrastam”, estas três histórias são emblemáticas na forma como driblaram as adversidades e ainda hoje mantém um protagonismo em suas áreas. 

Walter, Érico e Ruth são exemplos de superação e podem ser a inspiração de muitos idosos. Eles fizeram de seus obstáculos valiosas pérolas

O primeiro deles é Walter Orthmann, que foi notícia em novembro do ano passado ao desfilar no São Paulo Fashion Week, aos 99 anos. Ele é presença constante em nossas páginas, não só pela sua conquista no Guinness Book, como o homem de mais tempo de serviço em uma única empresa, mas também pelo seu espírito altivo de exemplo de participação na sociedade. Seu envolvimento vai de voluntário na vacinação a destaque em escola de samba. 

Outro ícone na cidade é seu Érico Zendron. No mês passado fizemos uma matéria especial contando sua história de fotógrafo e dono do maior acervo de fotos antigas de Brusque. A repercussão foi enorme, com grande engajamento nas redes sociais do jornal, provando que a idade não é obstáculo para a admiração e likes. 

E a mais recente e vibrante história que contamos, foi da dona Ruth Hoffmann, que na semana passada, aos 85 anos, foi ovacionada ao abrir a partida de vôlei no time do Moda Brusque contra Blumenau. A participação da veterana numa partida oficial foi destaque na mídia nacional e até internacional e pode render o título de jogadora mais longeva do mundo no Vôlei. 

Walter, Érico e Ruth são exemplos de superação e podem ser a inspiração de muitos idosos. Eles fizeram de seus obstáculos valiosas pérolas. Recobriram cada problema com determinação e sabedoria. Cada camada é uma história, uma superação, que vai resistindo ao tempo, formando esta obra prima. 

Conseguiram a proeza de chegar à longevidade sabendo o que fazer com este tempo extra, sabendo viver. São pérolas preciosas do tempo e não deixam de brilhar, ofuscando os preconceitos da sociedade e a falta de valorização de seus pares.  

Que essas histórias possam inspirar outros idosos e sensibilizar a sociedade para criar condições ao surgimento de novas histórias, tão ricas como estas, formando “novas” e sábias pérolas do tempo.