Eleições em Brusque são marcadas por apadrinhamento político

Ciro Roza e Paulo Eccel emprestam suas imagens para candidatos novos

  • Por Redação
  • 15:00
  • Atualizado às 7:30

Eleições em Brusque são marcadas por apadrinhamento político

Ciro Roza e Paulo Eccel emprestam suas imagens para candidatos novos

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As eleições de 2016 em Brusque estão marcadas pela forte presença dos ex-prefeitos Paulo Eccel e Ciro Roza, que não concorrem, porém, emprestam suas imagens para candidatos de seus partidos. A estratégia é antiga na política brusquense, no entanto, tem seus prós e contras, avalia especialista consultado pelo Município Dia a Dia.

A política municipal é marcada, há anos, pela presença forte das figuras de Eccel e Roza. O petista é figura conhecida principalmente desde a década de 2000, e Roza desde 1989, quando foi prefeito pela primeira vez. Ambos, inclusive, já foram deputados estaduais.

Na campanha atual, o PT aposta forte na imagem de Paulo Eccel. O material de campanha do candidato Gustavo Halfpap possui várias imagens do ex-prefeito, em alguns casos, quase do mesmo tamanho que a do próprio candidato. Halfpap é ligado a Eccel, já que ocupou diversos cargos no primeiro escalão em seus governos.

No caso de Ciro Roza, ele empresta a sua imagem a Dr. Jonas Paegle, que concorre pelo PSB. Roza foi obrigado a abdicar da candidatura por problemas com a Justiça, mas ainda tem capital político e tenta repassá-lo ao companheiro de partido.

O material de campanha tem imagens de Roza apresentando os correligionários, e os jingles elaborados para Roza foram pouco modificados na mudança de candidatos. Num deles, Dr. Jonas afirma que levará a cabo o projeto iniciado por Roza.

Capital político

Eduardo Guerini, sociólogo político, diz que a política de Brusque tem a característica de ser bastante dominada por Roza e Eccel. Segundo ele, a estratégia de transferência de votos já foi bastante utilizada Brasil afora, mas nem sempre com sucesso.

“A transferência de votos ocorre por liderança política, se tem legitimidade e visão positiva do padrinho”, diz Guerini, que também é professor da Univali.

O sociólogo avalia que a transferência só é positiva quando o padrinho político é bem visto pelo eleitorado. Ele ressalta que Eccel e Roza tiveram problemas com a Justiça, o que pode ter um impacto oposto ao desejado.

Guerini afirma que Eccel tem de lidar, ainda, com o impacto da aversão ao PT, principalmente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “A rejeição ao petismo está muito exposta pelos problemas nacionais”.

Para o professor, a transferência de votos não é saudável para a democracia. “Creio que o eleitor irá perceber essa manobra política e eleitoreira”, afirma o sociólogo.

Apoio evidente

Ciro Roza afirma que, quando deixou de ser candidato, Dr. Jonas foi escolhido para levar adiante o mesmo plano de governo. Segundo ele, a transferência de votos é natural, pois o planejamento é o mesmo.

“Quem vota em Ciro, vota Dr. Jonas porque o programa de governo será o mesmo”, diz o ex-prefeito Ciro Roza.

Paulo Eccel diz que a transferência de votos não é simples porque o eleitor avalia vários critérios, porém, um dos principais é quem apoia os candidatos. Ele afirma que tinha 60% de aprovação quando deixou a prefeitura e que Halfpap levará adiante o mesmo projeto de governo.

“O projeto da chapa Gustavo Halfpap e Felipe Belotto tem as mesmas bases que o projeto que tive a honra de comandar por seis anos e três meses”, diz Eccel. “O objetivo da campanha eleitoral é buscar mostrar para o eleitor essa conexão de projetos”, completa.


Estratégia antiga

A tentativa de apadrinhar um candidato é antiga em Brusque. Nas eleições de 1992, o então prefeito Ciro Roza avalizou Danilo Moritz, que foi eleito com 55% dos votos. O slogan era “faça como Ciro, vote no Danilo”.

Roza voltou à cena política nas eleições de 2000, quando foi eleito novamente prefeito. E ficou por oito anos. Em 2008, tentou transferir os seus votos para Dagomar Carneiro, desta vez sem sucesso.

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