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Estabelecimentos de Brusque já substituem canudos de plásticos por opções mais sustentáveis

Lei aprovada pela Câmara de Vereadores na semana passada ainda precisa passar por segunda votação

Estabelecimentos de Brusque têm um prazo de seis meses, para se adequarem à lei aprovada recentemente na Câmara de Vereadores, em primeira votação, que proíbe o fornecimento e uso de canudos de plástico em restaurantes, lanchonetes, bares, padarias e por vendedores ambulantes do município.

A proibição dos canudos tem sido muito discutida em todo o mundo, principalmente devido aos impactos diretos que ele gera ao meio ambiente.

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O canudo de plástico representa 4% de todo o lixo plástico do mundo e, por ser feito de polipropileno e poliestireno (plásticos), não é biodegradável, podendo levar até mil anos para se decompor no meio ambiente.

Uma campanha da WWF Brasil – organização não-governamental que trabalha pelo meio ambiente – mostra que 100 mil tartarugas e mamíferos do oceano morrem por conta da poluição do plástico. Estima-se ainda que, se não houver mudanças, em 2050 existirá mais plástico do que peixes no fundo do mar.

Várias cidades brasileiras já aprovaram leis semelhantes. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi a primeira capital do país a ter a proibição dos canudos plásticos sancionada, em 2018.

Em Brusque, o projeto de lei, de autoria de Ana Helena Boos (PP) e Marcos Deichmann (Patriota), deu entrada na Câmara em julho do ano passado e teve sua aprovação, na semana passada – após inúmeros adiamentos.

Apesar de ainda terem um tempo para se adequarem, vários estabelecimentos de Brusque já buscaram outras alternativas para substituir os canudos plásticos, antes mesmo da aprovação do projeto de lei no município.

De olho na sustentabilidade
Inaugurado em novembro do ano passado, o Boteco do Bolinho já iniciou suas atividades na cidade seguindo o propósito da sustentabilidade. De acordo com uma das proprietárias do estabelecimento, Daiana Schweigert, a intenção sempre foi não usar nada descartável no local, incluindo os canudinhos. “Pesquisamos alguns materiais, questão de custo, e chegamos à conclusão de que para alguns drinks o público gostaria mais do canudinho inox”, diz.

A empresária diz que a aceitação do canudinho inox foi muito boa, tanto que muitos clientes começaram a pedir o canudo para venda. “As pessoas marcam no Instagram, comentam muito com a gente sobre essa questão da sustentabilidade e começaram a pedir para comprar”, afirma.

Devido a isso, a empresa hoje tem alguns canudos inox disponíveis para venda. O kit de canudo mais escovinha para limpeza custa R$ 16,90. Só o canudo, R$ 10,90.

Daiana reconhece que o custo do canudo inox é bem maior que o plástico ou o de papel biodegradável, entretanto, ela acredita que o custo maior será compensado a longo prazo. “Nunca chegamos a fazer uma conta geral, mas acredito que com o tempo vai compensar, sim, principalmente porque é algo que é de fácil higienização e não precisa repor sempre”.

Há cerca de seis meses, a Carolitas e Nutri Tice Café Saudável não oferece mais os canudos de plástico para seus clientes. De acordo com uma das proprietárias do local, Ana Beatrice Knop, os clientes fiéis já estão acostumados e não fazem questão do canudinho. “O que percebemos é que geralmente pedem mais para criança. Os adultos já tomam direto no copo mesmo”, diz.

A empresa está investindo nos canudos biodegradáveis e também tem para vender kits de canudos inox, para aqueles que não abrem mão do canudinho. Para ela, o investimento maior que a empresa fará nos canudos biodegradáveis também deve compensar no futuro, principalmente no que se refere à sustentabilidade.

“Com certeza acaba compensando. A ideia do nosso café é priorizar tudo o que é saudável. Com o uso dos canudos biodegradáveis vamos contribuir com a saúde do planeta”.

“O mais importante é a consciência”
Há um mês, a Sassipan Panificadora e Confeitaria trocou os canudos de plástico pelo de papel. O administrador do estabelecimento, Marlon Sassi, diz que todo o lixo produzido no local é reciclado, além disso, a água da chuva é usada para lavar os pisos do estabelecimento. “Já estamos trabalhando em cima desta proposta sustentável há algum tempo. Temos diversos treinamentos sobre isso, e o nosso colaborador, ao fazer aqui, cria a rotina e faz em casa”, destaca.

De acordo com Marlon, a substituição do canudo de plástico pelo de papel foi um apelo dos próprios colaboradores e também dos clientes. “Temos caixas de sugestões e recebemos alguns pedidos solicitando o uso do canudo biodegradável”, comenta.

A demora para a substituição, entretanto, se deu pelo fato de que essa troca, de alguma forma, pode onerar o cliente. “Isso vai impactar nos valores para os clientes. O canudo de plástico custa R$ 0,02 e o de papel está R$ 0,11 no mercado. Para alguns, R$ 0,10 centavos pode não significar muita coisa, para outros, sim. Decisões assim sempre impactam no cliente, mas o que mais importa é a consciência”, destaca.

Para o empresário, não adianta proibir o uso do canudo de plástico se o destino que se dá para o lixo continua sendo o incorreto. “Só achar que substituir o canudo de plástico pelo de papel vai resolver o problema, não vai adiantar. O papel também leva um tempo para se decompor. Não importa se vai se decompor daqui a dez anos, a gente acaba fugindo daquilo que é mais importante, que é acreditar na inteligência do povo e ensinar a ter comportamentos éticos, que realmente possam fazer a diferença”.

“Proibição não é educação”
Alguns estabelecimentos do município ainda têm o canudo de plástico em estoque e, por enquanto, devem continuar oferecendo o objeto aos clientes. Proprietária do Degustu’s Restaurante, Ana Laura Woiciechoski diz que o estabelecimento já pesquisou valores de outros tipos de canudinhos, entretanto, têm um custo alto e, por este motivo, deve seguir oferecendo os canudos plásticos.

“Pelo custo que os outros tipos de canudo estão apresentando no momento, por enquanto, permanecemos com o de plástico que temos em estoque. O canudo continua sendo bastante utilizado, mesmo que o suco natural venha no copo sem o canudo, as pessoas pedem muito. A população ainda não tem essa consciência”, diz.

Na Sodepan, os canudos plásticos também são oferecidos aos clientes. Entretanto, a responsável pelo marketing do estabelecimento, Emily Dognini, afirma que a empresa está providenciando modelos diferentes para apresentar aos clientes. “Antes da lei ser aprovada, já estávamos pensando em nos adequar para os canudos de papel e estamos fazendo parceria com empresa de Guabiruba para ter os canudos de alumínio para vender aqui”.

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De acordo com ela, os clientes da panificadora ainda costumam pedir muito o canudo para acompanhar sucos e refrigerantes. “Uma lei não faz a conscientização. Temos que começar a educar as mentes de forma diferente, não simplesmente proibindo. Proibição não é educação”.

Negócio sustentável

Em agosto de 2018 surgiu a Agora Sou Eco. A empresa, sediada em Guabiruba, disponibiliza em seu site uma linha de produtos ecológicos que tem como carro-chefe os canudos em inox, seguindo uma tendência nacional.

De acordo com Rafael Rocha, que faz parte do administrativo da empresa, os canudos em inox estão tendo uma grande procura por clientes de todo o país.

“Além de um problema ambiental, o estabelecimento tem que passar uma imagem de sustentável, as pessoas cada vez mais procuram estabelecimentos com essa visão, e as empresas estão se preparando para atender esse público”.

Canudo de metal pode ser reutilizado várias vezes | Foto: Agora Sou Eco

A fabricação do canudo de inox é terceirizado. Ele é fabricado em São Paulo, mas a ideia da empresa é iniciar a fabricação aqui na região.

“É uma demanda que já temos. Os canudos são feito de inox 304 de grau alimentício, não soltam impurezas. É o mesmo material usado nos talheres. Além de reutilizável, se necessário ele pode ser reciclado infinitas vezes. Não aconselhamos o uso de canudos coloridos, pois com o tempo de uso eles podem soltar tinta e outros produtos que fazem mal a saúde”, diz.

O canudo é vendido pelo site da empresa e também pelo perfil no Instagram. De acordo com Rocha, a maior parte dos clientes são de outros estados. O valor do canudo para o varejo é R$ 10. A escovinha para higienização custa R$ 5 e a bolsinha para acomodar o canudo e a escovinha custa R$ 5.