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Festa celebra a cultura italiana em Guabiruba

Com direito a 150 quilos e macarrão e tortéis e 200 porções de polenta, almoço reuniu mais de 500 pessoas

Música, dança trajes e comida animaram a 8ª edição da Festa Italiana de Guabiruba, neste sábado, 17. A programação iniciou pela manhã, com uma missa em italiano. O evento atraiu famílias e autoridades do município e região até o Oratório de Santo Antônio, em Lageado Alto. Só para o almoço, mais de 500 cartões foram vendidos e um número semelhante já estava negociado para o jantar típico.

Entre as atrações da festa estavam a tradicional Pisa da Uva, feita nos dois turnos do evento e o Filó Italiano. A programação incluiu ainda competições italianas, música e danças típicas, feitas pelo grupo Tutti Buona Gente. A animação foi da banda Família Paganini.

Moradora do Centro de Guabiruba, Jaci Milani Carichioli, 45, acompanha a festa desde sua primeira edição. Na época, a participação veio pelo convite de amigos. Hoje, o evento não é visto só como um entretenimento em família, mas uma forma de valorização cultural.

Apesar dela e o marido conhecerem a língua italiana desde a infância, até começarem a participar do evento nunca haviam valorizado a transmissão deste conhecimento para as duas filhas do casal.

De acordo com ela, com o convívio gerado na programação foi possível conhecer e entender hábitos da própria família e reconhecer o legado deixado pelos primeiros colonos.

Local especial
Entre todos os visitantes, poucos conhecem tão bem o Oratório quanto Marcos Aurélio Habizreuter, 44. Nascido no dia de homenagem ao santo que nomeia o local , ele é frequentador do local desde a infância. Em 2010, Habizreuter casou no templo e teve sua festa no salão onde a festa italiana estava sendo realizada. Anos mais tarde, viu suas duas filhas serem batizadas no Santo Antônio.

Apreciador de festas do interior do município, ele afirma ter um apreço especial pela organizada pela comunidade italiana. O motivo é o estímulo e o reconhecimento das origens da população local , além do clima do evento. “É uma alegria diferente, uma alegria espontânea que remete ao passado e as pessoas gostam disso”.

Berço da colonização
A festividade também despertou a atenção da Correspondente Consular Honorária da Itália, Norma Maria Da Rui. Ela viajou cerca de 100 quilômetros com a filha Paola, de Timbó até o bairro Lageado Alto, para conhecer o evento e se disse surpresa com a comemoração organizada pela comunidade local.

As apresentações de elementos da cultura italiana e roupas dos antepassados foram destacados por ela. Maria também ressaltou o valor do evento para a comunidade local. “Aqui encontrei o verdadeiro resgate cultural e essa região é o berço da colonização italiana”.

Desde o ano passado ela atua nas regiões de Brusque e Blumenau tentando aproximar descendentes dos colonos italianos com a realidade vivida pelo país nos dias de hoje. Com isso, espera gerar uma maior aproximação cultural entre os dois países.

Cozinha italiana
Ao todo a festa contou com mais de 100 pessoas na organização. Do total, 40 foram necessárias só para suprir as demandas da cozinha desde a quarta-feira anterior às festividades. Na véspera do evento, o trabalho exigiu dedicação até por volta das 2h. Três horas mais tarde começavam os últimos preparativos para festa.

Só para o almoço, nesta edição foram necessários 130 quilos de carne bovina. Tudo feito na panela, para acompanhar algum dos pratos. A carne de frango teve um consumo ainda maior: 280 quilos. Aproximadamente 150 quilos de massas foram usados em itens típicos como macarrão e tortéis. Foram consumidas 200 porções de polenta, 40 pizzas, 100 pasteis, 80 cucas e 100 quilos de queijo colonial.

Márcio e Arlete Colombi coordenam com orgulho as atividades do setor desde a primeira edição. Mesmo com o desafio, destacam a importância e o reconhecimento do evento para a comunidade italiana e para a preservação e divulgação cultural.

Para os representantes da família Colombi, a festa contribui atraindo visitantes de diferentes regiões para a cidade e reunindo a comunidade italo-brasileira. Márcio destaca o apoio que o evento tem recebido ao longo dos anos e seu papel na preservação da cultura.

Quando perguntada sobre o motivo de tanta dedicação, Arlete faz uma reverência aos antepassados de boa parte dos participantes da festa. “Acho que o amor à cultura italiana. Somos italianos e amamos isso, fazemos tudo para resgatar essa cultura”.

Veja: