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Custos, regras e pouca manutenção: documento expõe impasses do Augusto Bauer

Empresário que contratou troca por gramado sintético se manifesta sobre o problema para 2026 e explica partes de negociações

O empresário Alex Buschirolli enviou documento de 11 páginas à imprensa na noite deste domingo, 24, explicando diversas questões relacionadas ao gramado sintético do Augusto Bauer. Uma de suas empresas foi permutante no negócio que envolveu a reforma do estádio e a construção do centro comercial BKR Park Mall.

O relato inclui definições técnicas, acordos com o Carlos Renaux, as regras da CBF, a falta de manutenção do campo artificial e outros detalhes.

Pouca manutenção


Desde que foi inaugurado no segundo semestre de 2024, o gramado do Augusto Bauer passou por um único procedimento de manutenção. Conforme relata Alex Buschirolli, a Soccer Grass, empresa fornecedora do gramado, orientou o Carlos Renaux a realizar manutenções bimestrais.

"É fato que esta manutenção só não está ocorrendo por fatores financeiros, sendo que a proposta original de manutenção era na casa de R$ 18 mil por mês. E não estamos aqui fazendo mérito de valores. Porém, é imperativo e urgente que essa rotina de manutenção passe a acontecer. Inclusive a garantia do gramado poderia até já ser cancelada, se assim quisesse a Soccer Grass, que já falou que não cancelará desde que o clube rapidamente inicie a realização das manutenções", afirma Buschirolli.

O Brusque paga, mensalmente, R$ 35 mil mensais pelo aluguel do estádio, além de R$ 3,5 mil para de água, esgoto, luz e taxas públicas pela utilização do estádio. O contrato de aluguel assinado em fevereiro de 2025 prevê "outros custos adicionais" que possam ser acertados pelas partes.

Para Buschirolli, caberia ao Brusque participar da manutenção do gramado para que, sob as melhores condições de conservação, os clubes tentassem pressionar a FCF e CBF para seguirem jogando no Augusto Bauer em 2026.

Insistir com o gramado atual


As soluções propostas pelo empresário não envolvem a troca do gramado, mas sim realizar as manutenções nas condições necessárias. Desta forma, Brusque e Carlos Renaux pediriam à CBF e à FCF para que o Augusto Bauer receba jogos em 2026, mesmo sem possuir o selo FIFA Quality Pro, que é exigido desde a edição de 2025 do Regulamento Geral de Competições (RGC) da CBF, publicado em abril. O Município noticiou sobre a exigência na época.

"Unir uma frente junto à CBF, demonstrando, através de testes de campo que o gramado do Augusto Bauer tem todos os resultados de desempenho iguais aos melhores gramados sintéticos do Brasil, e superiores à grande maioria dos gramados naturais."

"A soma dos resultados de testes comprovando a qualidade, mais o excelente relacionamento da Soccer Grass junto a Confederação, e o apoio dos clubes e FCF para amparar o caso, tem fortes chances de resolver a questão. Lembrando, claro, que a escolha/instalação do gramado foi anterior a normativa da CBF [o RGC de 2025]."

Se isto for feito e não der resultado, a alternativa sugerida é entrar na Justiça contra a CBF, argumentando que a exigência da certificação FIFA Quality Pro tem prazo de tolerância insuficiente nem contrapartida da CBF em incentivo para a adaptação.

FIFA Quality Pro tem custos elevados


Conforme relata Buschirolli, a homologação FIFA Quality Pro exige custos e procedimentos que não foram feitos para o gramado atual.

A CBF passou a exigir esta certificação após a instalação do campo atual. Quando o Brusque jogou a parte final da Série B 2024 no Augusto Bauer, não havia esta exigência. Após a publicação do RGC de 2025, o Brusque teve permissão para seguir provisoriamente com o campo atual, e por isto joga no Augusto Bauer ainda hoje. A FCF passará a exigir o FIFA Quality Pro nas competições de 2026.

"São necessários alguns critérios, desde o início da execução da obra. O principal e inicial seria a execução de todo o processo pela empresa Soccer Grass, inclusive a execução da base asfáltica (que foi realizada pelo Carlos Renaux), até o pagamento de taxas anuais na casa de milhares de reais e visitas de técnicos da FIFA ao estádio", lista Buschirolli.

"Em termos de valores nominais, estamos falando em um orçamento entre R$ 3,5 milhões e R$ 3,8 milhões." A BKR Sports, empresa permutante no negócio da reforma do Carlos Renaux e na construção do BKR Park Mall, tinha obrigação contratual de arcar com até R$ 2 milhões na troca do gramado, anterior, à exigência do selo FIFA Quality Pro para gramados sintéticos.

"É aqui leviano apontar e acusar o clube ou qualquer outra pessoa de não ter planejado que essa exigência poderia acontecer em algum momento. Pois em termos legais, mesmo que essa exigência viesse a vigorar a qualquer tempo futuro, não deveria de forma alguma atingir os gramados que já estão instalados e com laudos de performance comprovadamente satisfatórios", avalia o empresário.

"O gramado do Augusto Bauer, quando da sua entrega e testagem, apresentou resultados de testes que o aprovariam para realização de qualquer tipo de jogo. Tal laudo foi repassado a CBF e a FCF à época."

Aditivos no acordo com o Carlos Renaux


Alex Buschirolli afirma que as negociações iniciais entre BKR Sports e Carlos Renaux para a instalação de um gramado sintético partia de um orçamento de R$ 1.995.032 feito pela Soccer Grass.

Contudo, após a assinatura do contrato entre Renaux e BKR e o início das negociações com a Soccer Grass, foi definida uma mudança na contratação do serviço. Seria necessária também a troca do sistema de irrigação. A grama passou a ser a do tipo HD e o composto passou a ser o de borracha marrom, que proporciona um aumento de temperatura da superfície menor do que o da opção original.

"Essa substituição do tipo de grama e de composto, além da adição do sistema de irrigação, resultou em um aumento de custo da obra em quase R$ 1 milhão (580 mil da irrigação mais R$ 402 mil da mudança do gramado e composto)."

"Uma vez que o clube não tinha condição financeira de arcar com esse aumento de custo, foi acordado em aditivo contratual, que a execução da base asfáltica, que originalmente era de responsabilidade da BKR, passaria a ser de responsabilidade do clube, tornando o aumento de custo de obra para a BKR de somente 402 mil reais. Esse aumento foi suportado pela cessão de cinco horas diárias em 10 anos, horas essas que a BKR Sports teria de monetizar de alguma forma para compensar seu gasto maior. Toda essa negociação foi registrada em aditivo contratual assinado em 1º de junho de 2023."


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