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Guru das campanhas: aos 80 anos, Celso Westrupp relembra sua trajetória na história política de Brusque

Nos bastidores, professor aposentado participou de diversas campanhas vitoriosas na cidade

Foi em Brusque, em 1960, que Celso Westrupp, 80 anos, votou pela primeira vez. Considerado por muitas lideranças da região como um ‘guru’ quando o assunto é política, Westrupp participou dos bastidores de muitas campanhas eleitorais na cidade, a maior parte delas, vitoriosas. “Em todas as campanhas que participei, sempre tive a convicção da vitória”, afirma.

Natural de Imaruí, no Sul do estado, ele chegou na cidade em 1959, prestes a completar 17 anos. Veio para o Vale do Itajaí para estudar no Colégio São Luiz. O objetivo era tornar-se professor e voltar para a cidade natal para ocupar o lugar do pai, que estava se aposentando.

A vida, entretanto, não seguiu o rumo planejado. Celso decidiu ficar em Brusque. Aqui, traçou sua história na educação e também na política. Atuou durante 36 anos no antigo Colégio Cenecista Honório Miranda, primeiro como professor, depois na direção da instituição.

Além do Honório Miranda, também fez parte do quadro de professores do Colégio São Luiz e do antigo Grupo Escolar Santa Terezinha, sendo também diretor.

Na política, foi eleito vereador em 1972 e ocupou a presidência da Câmara de Vereadores entre 1975 e 1976. Também foi secretário em duas gestões de Ciro Roza.

O início na política

Pode-se dizer, que o gosto de Celso pela política foi uma herança de família. Ele cresceu neste universo, já que o pai foi vereador em Imaruí durante 16 anos, e assim, se viu envolvido desde jovem.

“Trouxe a vontade de participar do meu pai e sem querer me envolvi na política aqui em Brusque”.

Em 1960, já em Brusque, Celso participou da campanha para prefeito de Cyro Gevaerd, e não parou mais.

“Eu me envolvi na campanha porque meu pai, lá no Sul, era da UDN e aqui eu também fiquei da UDN. O Cyro era deste partido e eu entrei na campanha. Formamos um grupo de colegas e saímos juntos para pedir votos”.

Celso é considerado o guru das campanhas políticas na cidade | Foto: Bárbara Sales/O Município

Cyro Gevaerd foi prefeito de 1961 a 1966. Em 1962, Celso Westrupp fez o concurso para professor do governo do estado, e na região, só havia vaga em Vidal Ramos. Ele ficou na cidade durante quatro anos, até conseguir uma colocação em Brusque.

Em 1966, ele retornou para Brusque. Era ano de eleições e Celso trabalhou na campanha de Antônio Heil para prefeito. “Me envolvi bastante com a campanha e ajudei o Neco [Antônio Heil] a ser prefeito”.

Atuação nos bastidores

Celso sempre atuou nos bastidores da política. Ele destaca que seu papel era o de planejar. Muitos planos de governo foram construídos por ele.

“O meu trabalho era ser curioso, conversar com as pessoas, e assim eu dizia o que fazer, como fazer, o que dizer. Fiz alguns planos de governo. Basicamente, muitos comícios eram feitos em cima do meu plano de governo, em cima das ideias que eu escrevia, por isso, tenho essa fama de guru”.

Além das campanhas de Cyro Gevaerd e Antônio Heil, Celso Westrupp participou ativamente dos bastidores das campanhas de José Germano Schaefer, o Pilolo; Gentil Batisti Archer; Alexandre Merico; Celso Bonatelli; Ciro Roza (três vezes) e Danilo Moritz.

A campanha de Gentil Batisti Archer foi uma das mais marcantes para Celso. 

“Em 1972 eu fui contrariado. O meu candidato, que era o Gentil Archer, perdeu. Na época, o MDB lançou três candidatos e ele quis concorrer com candidatura única. Eu pedi para ser o segundo candidato do partido, para poder puxar votos, a nossa soma daria mais que para o MDB, mas ele não quis e perdemos”, conta.

Já em 1976, Celso lembra que era presidente da Arena. O partido lançou três candidatos a prefeito, um deles era Alexandre Merico, que venceu o pleito. “Eu participei direta e indiretamente de todas as campanhas, algumas vitoriosas, outras não, mas as não vitoriosas foram, basicamente, por não aceitarem minhas opiniões”.

Campanha para vereador

Parte de sua vida na política foi como filiado da Arena. Celso ficou no partido até sua extinção. Em 1972, foi eleito vereador pelo partido. O professor aposentado lembra que pediu apenas um voto durante sua campanha para vereador, para o vizinho da frente.

Na época da campanha, ele ficou doente e passou praticamente todo o período eleitoral no hospital.

“No dia da convenção eu caí de cama, não aguentava de dor. Chamei meu médico, ele foi lá em casa e mandou fazer exames. No outro dia, às 8h30 já veio a ambulância lá em casa e me levou para o Hospital Azambuja. Fiquei de 28 de agosto a 5 de setembro no hospital”.

Celso estava com problema no rim e foi encaminhado para Florianópolis, onde retirou o órgão. “Fiquei até 18 de outubro no hospital e a eleição era em 15 de novembro. Eu queria desistir, porque não podia pedir voto, mas o partido pediu pra eu ficar. Como eu não tinha como sair para fazer campanha, o pessoal do Honório Miranda acabou assumindo minha candidatura. Me elegi graças a eles, que trabalharam para mim”, recorda.

Naquela eleição, Celso foi eleito com 473 votos. Em 1975, foi eleito presidente da Câmara até o fim do mandato, em 1976.

Depois desta experiência como vereador, Celso decidiu que seu lugar era nos bastidores.

“Eu preferi ficar na presidência do partido e dirigir a campanha do que ser candidato. Se eu fosse candidato, não poderia ficar na presidência. Mesmo assim fui vitorioso, o partido ganhou a eleição para prefeito”.

Observador

Até 2016, Celso dedicou-se às articulações e aos bastidores de diversas campanhas em Brusque. Sua opinião, na maioria das vezes certeira, sempre foi muito respeitada por lideranças de vários partidos políticos.

Hoje, aos 80 anos, e com uma memória invejável, se colocou na posição apenas de um observador do jogo político. Há algum tempo, já não se sente mais tão atraído pela política como era antigamente, apesar de guardar na memória, e com muito orgulho, seus feitos em cada campanha do passado.

“Não tenho mais aquele entusiasmo pela vitória que tinha no passado. Tenho preocupação apenas com o certo e o errado. Quem ganhar, que faça a coisa certa, porque o povo está sofrendo muito”.

O professor aposentado destaca que a política mudou muito nos últimos anos, e percebe que Brusque está carente de lideranças.

“Eu estou muito preocupado com a situação de Brusque. Há uma carência de liderança, não há expressão política mais. Brusque hoje deixa a desejar, não tem organização. Falta alguém que assuma o comando. São muitos partidos, que acabam dividindo tudo, e o resultado está aí. Corremos o risco de ficar mais uma vez sem representação”, observa.

Analisando sua vida na educação e na política, Celso se sente orgulhoso de seus feitos. “Me sinto gratificado por tudo aquilo que fiz, por onde passei, como fiz. Acredito que deixei mais acertos do que erros, me sinto bem”.