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Há 40 anos, no cinema…

Hoje é dia de dar aquele salto no tempo. Saímos do final dos anos 60 para cair direto no ano de 1979 e seus destaques na tela grande – que, naquela época, era realmente uma grande tela, na comparação com as telinhas de TV, que só foram crescendo barbaramente em anos mais recentes.

1979 foi um daqueles anos com grandes lançamentos para todo tipo de paladar. Dos clássicos que influenciaram tudo o que foi feito posteriormente até as sessões da tarde que deixaram marcas em nossas memórias emocionais.

Não tem como não começar por uma das obras-primas (licença para subverter o sentido da palavra, já que não dá para restringi-lo a apenas uma obra-prima!) de Francis Ford Coppola: Apocalypse Now.

Um dos filmes de guerra mais perturbadores de todos os tempos, narrado de modo a não facilitar a vida do espectador, muito pelo contrário: ao fim do filme, a sensação de desconforto é completa. Some-se, à “mão” do diretor/co-roteirista, a atuação inesquecível de Marlon Brando… e temos um filme obrigatório – que, surpreendentemente (ou não) só ganhou prêmios técnicos no Oscar.

Até porque o Oscar de 1980, aquele que contemplou os filmes do ano anterior, foi dominado por outro tipo de gênero: o drama familiar. O fabricante de lágrimas Kramer vs Kramer ganhou a estatueta de melhor filme, de melhor ator (Dustin Hoffman), melhor atriz codjuvante (primeiro Oscar da colecionadora de prêmios e indicações Meryl Streep), melhor diretor (Robert Benton).

Não que o ano não tenha destaques muito mais suculentos… mas a gente sabe que a Academia sempre teve uma queda por dramas lacrimosos. A “justiça temporal” acaba sendo feita quando, no IMDb, Kramer vs Kramer fica em 12º lugar na preferência do público… enquanto o esnobado Apocalypse Now fica em segundo. Quem tem atualmente a primeira colocação? A gente fala nele semana que vem…

Porque agora é a hora de destacar dois dos “preferidos da casa”. O primeiro passou longe do Oscar – ainda bem. É o segundo melhor filme do grupo inglês Monty Python, A Vida de Brian. Porque, como sabemos, o melhor filme produzido pela trupe é Em Busca do Cálice Sagrado, de 1975. #minhaopiniãomeumundo

O humor do Monty Python não cabe nos critérios do Oscar… e só temos que agradecer por isso. A quebra de padrões lógicos, incluídos aí os padrões de Hollywood, colocaram o grupo humorístico na maravilhosa posição de contrabalançar a fórmula norte-americana. Ganhamos um novo caminho de opções, já que influenciaram muita, muita gente. Inclusive em Hollywood. Quem não viu, precisa ver. Aproveita que tem na Netflix… e nunca se sabe até quando, né?

O outro destaque pessoal é uma obra poética, cheia de “camadas de sabor” e, se quisermos, também dá para classificar como um humor fora dos padrões. Muito Além do Jardim, um dos melhores filmes protagonizados por Peter Sellers, indicado ao Oscar de melhor ator. O filme ganhou apenas o prêmio de melhor ator coadjuvante (Melvyn Douglas).

A história do jardineiro de mentalidade simplória que traz consigo a sabedoria do mundo merecia mais. Merecia, pelo menos, a estatueta de melhor roteiro adaptado, também vencida por Kramer vs Kramer.

Para não terminar esta conversa sem falar no prêmio de melhor atriz, há que se dizer que Norma Rae, o filme estrelado por Sally Field, que a tirou de vez do rótulo de atriz televisiva fofinha, teve, no Brasil, um significado extra, já que sua história trata basicamente de valorizar a atuação sindical. Isso quando líderes sindicais, aqui, eram presos e, pretensamente, calados…