Barragem de Botuverá marcará expansão das ações de combate às cheias em SC junto com estruturas do Alto Vale
Defesa Civil do estado já opera barragens em José Boiteux, Taió e Ituporanga
O jornal O Município apresenta a série especial “Barragem de Botuverá: o Dossiê”. Reportagens exclusivas são publicadas em omunicipio.com.br e na edição impressa, cada uma dedicada a explorar, em profundidade, um aspecto específico da obra e seus impactos na sociedade. O objetivo é oferecer ao leitor uma visão ampla e detalhada de uma das construções mais aguardadas da região.
A região do Alto Vale do Itajaí conta com três grandes guardiãs em períodos de enchente. As barragens de José Boiteux, Taió e Ituporanga são responsáveis por conter as águas que chegam em vários municípios da região. Sem elas, o impacto das enchentes poderia ser muito maior.
As três estruturas são operadas pela Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina. A próxima no rol de responsabilidades da pasta é a barragem de Botuverá, cujo a construção deve iniciar no primeiro semestre de 2026.
A estrutura em Botuverá difere das outras três, pois será construída em um vale encaixado, entre duas montanhas, à beira do gigante Parque Nacional da Serra do Itajaí. Porém, o sistema de operação deve ser parecido com o das guardiãs do Alto Vale.
“As barragens têm um papel muito importante. Com enchentes de menor porte, conseguimos evitar que famílias sejam atingidas, pois temos controle total das inundações. Já em eventos severos, conseguimos mitigar os impactos”, diz Frederico de Moraes Rudorff, gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de SC.
Rio do Sul é um município rodeado por barragens, mas frequentemente impactado com enchentes. O gerente entende que, caso não houvesse as estruturas, os danos à cidade seriam maiores. Está em pauta a construção de outras oito barragens pelo estado, começando por Botuverá.
A Defesa Civil catarinense pretende levantar as estruturas para Mirim Doce, Petrolândia, Trombudo Central, duas em Agrolândia e duas em Pouso Redondo. Contando com Botuverá e as três já existentes, Santa Catarina passaria a ter 11 barragens de contenção de cheias.
“O armazenamento de água em barragens é uma maneira muito eficaz [de combate a enchentes], pois conseguimos ter controle. As demais barragens que devemos construir, como a de Botuverá, vão fazer com que a água chegue às cidades com mais calma, diminuindo a força destrutiva, as enxurradas”, relata Frederico.
Impasse de José Boiteux
A Barragem Norte, de José Boiteux, é a maior estrutura da Defesa Civil. Representa quase o triplo da capacidade de armazenamento de água das barragens de Ituporanga e Taió. O tamanho da barragem de José Boiteux é acompanhado pelo tamanho da polêmica em torno dela.
A estrutura foi construída em terra indígena, o que gerou um protesto histórico por parte da comunidade. A região da barragem concentra os descendentes dos indígenas que viveram em Brusque no passado, muito antes de ser município. O processo de aldeamento os levou a José Boiteux.
Em meio às enchentes de 2023, o governo do estado fechou as comportas da barragem de José Boiteux. Os indígenas protestaram, e houve até conflito com a Polícia Militar em cima da estrutura. Após o fechamento, aldeias foram alagadas e a comunidade alegou haver descaso por parte do governo de SC.
O impasse parece estar ficando no passado. O governo catarinense entrou em acordo com a comunidade indígena e hoje busca compensá-la pela existência da barragem. Segundo Frederico, os anseios dos indígenas passaram a ser atendidos.
“Toda a discussão com a comunidade indígena foi um desafio em busca de consenso. Demandas históricas da comunidade nunca haviam sido atendidas. Hoje, isso está avançando, com construção de escolas, pontes, acessos e com um plano para fornecimento de cestas básicas”.
Barragens de Ituporanga e Taió
A Barragem Sul, de Ituporanga, é a primeira estrutura da Defesa Civil catarinense a receber modernização. O sistema de fechamento das comportas agora é controlado remotamente, em Florianópolis. Antes, o operador precisava realizar o fechamento no local.
As comportas que estavam com problemas foram revitalizadas. A Barragem Oeste, de Taió, também passa por um processo de revitalização. Segundo Frederico, o nível do rio em Rio do Sul é crucial para determinar a ação a ser tomada com as duas estruturas.
“Quando há previsão de inundação, realizamos uma mobilização interna para acompanhamento e intensificação do monitoramento do nível dos rios. Nas barragens de Ituporanga e Taió, o ponto de controle principal é Rio do Sul. Porém, também temos controles secundários, em Ituporanga, Taió e Rio do Oeste”.
O coordenador da Defesa Civil de Ituporanga, Roger Galvani, afirma que a prefeitura presta suporte no monitoramento da Barragem Sul. A responsável pela estrutura é a secretaria estadual, mas a vigilância contínua também é um trabalho realizado pelo município.
“Sem a barragem de Ituporanga, o impacto das chuvas seria devastador. Hoje, a barragem nos garante tempo para reagir, o que é crucial. Além disso, mitiga os danos à população e garante a segurança do patrimônio. Seria evidente o colapso regional sem a barragem. Ituporanga e o Alto Vale sofreriam danos graves”.
“Vamos continuar convivendo com enchentes”
Por causa das mudanças climáticas, eventos severos são registrados com mais frequência. Cabe agora à humanidade encontrar formas de prevenir os transtornos. A engenharia é vista como aliada, apesar de haver críticos do uso de concreto para reduzir impactos climáticos.
Edevilson Cugiki, chefe de operações e assistência da Defesa Civil de Brusque, lembra que as enchentes sempre existiram. Segundo ele, os colonizadores evitavam produzir em áreas próximas ao rio Itajaí-Mirim por conta das inundações.
Com o desenvolvimento da cidade e a ocupação das terras, foram executadas obras para mitigar impactos. A Beira Rio é uma delas. A avenida permite uma ligação pela margem do rio por quase todo o trecho do Itajaí-Mirim por Brusque. Além de auxiliar o escoamento da água em períodos de cheias e enchentes, facilita a mobilidade.
“A Beira Rio ajuda a tirar a água da cidade. Projetos de engenharia têm validade. Em algum momento, haverá alguma enchente que vai superar a capacidade da barragem de Botuverá e de escoamento da Beira Rio. Não será tão grande como antes, mas vamos continuar convivendo com as enchentes”.
Outros projetos em prol da prevenção precisarão ser executados. No começo de outubro, foi realizada uma audiência na Câmara de Vereadores de Brusque para discutir o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), que propõe obras para mitigar os impactos das cheias.
Entre as propostas, estão os jardins que absorvem água da chuva, ampliação de pontes, dragagem do rio Itajaí-Mirim, parque alagáveis, obras de contenção de encostas e de macrodrenagem, entre outras medidas estudadas.
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