Coleta seletiva de Brusque é pouco utilizada pela população, avalia autarquia
Baixa adesão ao serviço segue tendência das demais cidades brasileiras
A coleta seletiva de lixo, serviço que separa materiais para reciclagem, é subutilizada pela população de Brusque, conforme avaliação do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), que acompanha os serviços da Veolia. O município tem a coleta seletiva à disposição desde 2013, ainda na época da Recicle, que foi adquirida pela Veolia em 2020.
De janeiro a junho, foram coletadas, em média, 12 toneladas de resíduos recicláveis por dia em Brusque. Este material se enquadra em categorias como papel, plástico, vidro e metal. No mesmo período, foram coletados, em média mensal, 3,2 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, que não incluem os recicláveis.
O material coletado é levado à central de triagem, no aterro sanitário da Estrada da Fazenda. "No caso dos recicláveis, a Veolia realiza a coleta e encaminha o material para uma empresa de reciclagem, responsável pelo restante do processo até a comercialização", explica a concessionária.
Uma pesquisa da Datafolha publicada em junho de 2024 indica que 54% da população brasileira tem acesso à coleta seletiva. Contudo, 33% destes 54% não utilizam o serviço de forma efetiva, com separação de resíduos recicláveis.
"Esse comportamento evidencia um descompasso entre a disponibilidade da infraestrutura e o engajamento da população, um problema recorrente em diversos municípios brasileiros e que também pode ser observado, ainda que em menor escala, em Brusque", afirmou o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), que acompanha as atividades da Veolia.
"Ainda há uma lacuna significativa entre oferta e uso efetivo do serviço. Superar esse desafio exige estratégias integradas que combinem operação eficiente e, sobretudo, educação ambiental contínua e direcionada", completa.
A coleta seletiva é realizada em todo o município, com equipes que utilizam caminhões específicos e itinerários pré-determinados. Por meio do site da Veolia, é possível verificar dia e horário de cada serviço de coleta executado em cada rua: a coleta domiciliar (padrão) e a coleta seletiva.
"As coletas de resíduos comuns são feitas em dias, horários e por equipes diferentes das coletas de materiais recicláveis. Por isso, é de extrema importância que a população não apenas faça a separação correta dos resíduos, como também se atente para os dias e horários em que o caminhão de coleta seletiva passa em cada bairro", destaca o gerente da unidade da Veolia em Brusque, Rafael Amaral.
"Além de garantir que os resíduos sejam destinados de maneira ambientalmente correta, ou seja, que os materiais que podem ser reciclados não sejam destinados para o aterro sanitário, respeitar os cronogramas evita que os sacos de lixo expostos sejam rasgados por animais e espalhados pela rua."
O que fazer
A grosso modo, existem três tipos de resíduos: orgânicos, recicláveis e rejeitos. Os rejeitos são impossíveis de serem reaproveitados, como papel higiênico, fraldas e materiais contaminados, entre outros. A coleta seletiva realizada em Brusque separa o que se conhece como lixo reciclável: objetos de plástico, papel, metal, plástico, entre outros. Objetos eletrônicos e medicamentos precisam de descartes específicos e não devem estar na coleta de lixo tradicional.
Os resíduos precisam estar bem embalados, com sacos apropriados, e é recomendado que seu depósito seja feito próximo do momento de coleta. A ideia, além de evitar o risco de ser coletado um tipo incorreto de resíduo para aquele determinado dia, é de que os sacos de lixo expostos sejam perfurados, rasgados e espalhados.
Resíduos cortantes ou perfurantes precisam ter reforço na embalagem para evitar acidentes, além de conter alguma sinalização do material que está contido. É importante que animais domésticos não tenham acesso facilitado à equipe de coleta, para não fugirem e para não oferecerem perigo aos trabalhadores.
À parte da coleta seletiva
Empresas localizadas em Brusque atuam com reciclagem de forma separada do serviço público municipal terceirizado. A RG Reciclagem tem como principal produto o papelão, e trabalha também com outros tipos de plástico.
"Dos nossos fornecedores, 90% são empresas têxteis de Brusque, Guabiruba, Botuverá, Gaspar e região. Os outros 10% são pessoas físicas que têm seu negócio informal em casa, ou são catadores que coletam nas ruas e trazem para nós", explica o gerente administrativo Rodrigo Coelho. A produção atual tem sido de 1 mil toneladas mensais.
O trabalho separa os materiais por tipo, espessura e qualidade. Enquanto alguma parte pode ser reutilizada e revendida como material usado, outra vai para o processo de reciclagem. Materiais encaminhados a este processo são reunidos em fardos de cerca de 500 kg e vendidos a indústrias de celulose, onde o material é reciclado para a fabricação de papel.
A Biociclo, também de Brusque, atua com materiais como plástico, papelão, alumínio e outros. Latinhas e embalagens de produtos de limpeza estão entre os objetos recebidos.
Conforme relata a proprietária, Sandra Regina Heil, a empresa faz a separação e classificação dos materiais, fazendo a venda a empresas que realizam a reutilização ou a reciclagem. "São entre 15 e 20 toneladas por mês, somando todos os materiais", afirma.
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