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Justiça de Brusque autoriza venda direta de bens da fábrica Renaux

Depois de dois leilões fracassados, lote com todo o patrimônio está apto a receber novas propostas

Após duas tentativas infrutíferas da venda do patrimônio da fábrica de tecidos Carlos Renaux por meio de leilões judiciais, a juíza da Vara Comercial de Brusque, Clarice Ana Lanzarini, autorizou que seja realizada a venda direta dos bens.

A sua decisão autoriza a leiloeira Elizabete Ubialli a prospectar e receber propostas para compra do patrimônio da fábrica, o qual envolve imóveis, máquinas, mobiliário e materiais, cujo valor total está estimado em R$ 70 milhões.

Entretanto, conforme a determinação da magistrada, essa venda direta só será possível, inicialmente, para quem quiser adquirir todo o patrimônio em lote único, sendo vedada a fragmentação dos bens em lotes menores para venda.

A decisão, por ora, frustra a expectativa de eventuais compradores que já haviam feito sondagens a respeito da possibilidade da compra fragmentada.

Um mês atrás, a leiloeira recebeu três propostas de compra do terreno onde fica a tecelagem da fábrica, no bairro Primeiro de Maio. O imóvel que recebeu ofertas tem área de 297 mil metros quadrados.

O terreno, por si só, foi avaliado em R$ 7,4 milhões. No entanto, no leilão, ele estava sendo vendido em lote único, que inclui diversas outras edificações. O valor total do terreno, com todas as edificações, é de R$ 16,4 milhões.

Além disso, os postulantes a compradores fizeram propostas que não incluem a aquisição de toda a área do lote, mas apenas parte dela, por meio de desmembramento do terreno.

Em sua decisão, a juíza Clarice relembrou que a falência foi decretada em julho de 2013 e, até então, poucos valores foram liberados para os trabalhadores.

“A ausência de sucesso na modalidade de leilão demonstra que não parece ser o método mais eficiente, por ora”, salienta a magistrada.

Ela argumenta que a venda total dos bens de uma só vez é significativamente mais vantajosa para os credores do que o desmembramento em lotes. Salienta que eles já esperam há muito tempo e, uma vez vendido todo o patrimônio, as dívidas poderiam ser pagas.

A juíza ressalta, entretanto, que as propostas já apresentadas e que constam no processo serão “oportunamente analisadas, acaso infrutífera a venda direta na forma aqui deliberada”.

Por enquanto, porém, somente serão aceitas propostas de aquisição de todo o patrimônio.

O poder Judiciário também flexibilizou o valor da venda dos bens, por entender que a avaliação feita não condiz com o momento econômico atual.

“O valor da avaliação dos bens, em contrapartida da realidade das propostas apresentadas e da própria situação econômica vivenciada demonstram que é preciso modificar a estratégia para que se obtenha êxito efetivo e produtivo na alienação dos bens da massa falida”, ponderou a juíza Clarice.

“Evidencia-se que a realidade econômica encontra-se em momento diverso daquele da avaliação, e o valor mínimo para venda deve ser reconsiderado conforme o caso concreto”.

O presidente do Sintrafite, um dos sindicatos que representa os trabalhadores demitidos da fábrica Renaux, Aníbal Boettger, revela que recentemente foi apresentada uma proposta de compra de todo o patrimônio da massa falida.

Ele informou, porém, que o sindicato irá se manifestar contrário a ela. Segundo Boettger, a proposta é da empresa Benvenutti Confecções, e o valor foi considerado irreal.

A proposta da empresa, sediada em Curitiba, é adquirir por R$ 10 milhões à vista ou R$ 12 milhões parcelados toda a sede da fábrica, com seu equipamento e mobiliário. A avaliação de venda no leilão, entretanto, estipulou que a totalidade dos bens vale R$ 70 milhões em média, com preço mínimo de R$ 52 milhões.