Livro registra passado de Brusque e Guabiruba ligado à Alemanha

Publicação bilíngue foi lançada no fim do ano na Europa e chegará em breve à Brusque

Livro registra passado de Brusque e Guabiruba ligado à Alemanha

Publicação bilíngue foi lançada no fim do ano na Europa e chegará em breve à Brusque

Desde o fim do ano passado, a história que liga Brusque e Guabiruba à Alemanha passou a ser documentada. Por meio de uma parceria da Associação Catarinense de Intercâmbio e Cultura (Acic) com a Badisch-Südbrasilianische Gesellschaft (BSG), de Karlsruhe, foi lançado um livro que conta a epopeia da emigração em massa de alemães que fugiam da fome e miséria no país europeu e rumaram para Santa Catarina, para aqui reconstruir suas vidas.

O presidente da Acic, o brusquense Valdir Riffel, conta que a ideia de fazer um livro surgiu há cerca de um ano e meio. Foi então que a associação começou a tratar do projeto com a sociedade-irmã BSG, do distrito Karlsruhe, que é parceiro de Brusque e fica no estado Baden-Württemberg. A ideia começou a sair do papel até que o autor do livro Esta terra é um país: A emigração badense ao Brasil no século XIX, Lothar Wieser, assumiu o projeto. Ele é historiador e membro da presidência da BSG.
Wieser veio ao Brasil e realizou um estudo sobre a emigração dos alemães do estado de Baden no início do século
XIX. “Ele fez um levantamento em toda a região Sul, foi para o Rio Grande do Sul, Paraná e aqui em Santa Catarina, para onde vieram mais emigrantes”, explica Riffel. O Sul como um todo recebeu milhares de alemães, porém foi em Brusque e Guabiruba que a maioria dos badenses resolveram se instalar, tanto que é nesta região que fica a maior colônia badense do país.

Naquela época, Baden ainda era um Grão-Ducado e a Alemanha ainda era governada pelo Kaiser (rei). Com a situação social precária, houve uma emigração em massa, relata o livro, sendo que os Estados Unidos foram o destino mais escolhido, assim como Santa Catarina. “Catástrofes naturais, alimento em escassez e desemprego ditavam o dia a dia de muitas pessoas no século 19. Famílias inteiras decidiram emigrar”, narra um trecho do livro.
Um fato constatado pelo autor do livro é que muitos vieram para o Império Brasil atraídos por agentes recrutadores brasileiros. “Os emigrantes de Baden foram em sua maioria recrutados. O Brasil procurava soldados para a proteção do império e de suas regiões de domínio controversas ao sul e colonizadores para a ocupação e a urbanização dos países reivindicados”, descreve o livro.

O contato entre as famílias que haviam sido divididas pela distância de 10 mil quilômetros entre os estados de Baden e Santa Catarina foi mantido ao longo do tempo por cartas, segundo a pesquisa de Wieser. Ela só foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial e foi retomada por meio de rádio amador nas décadas seguintes.
Wieser estudou as ligações sociológicas e históricas para fazer um apanhado geral no livro. A obra possui 414 páginas e é bilíngue, em alemão e português. A tradução foi feita, em sua maioria, por Sandro Schlindwein. Riffel afirma que para conseguir viabilizar o custo da publicação várias pessoas ajudaram financeiramente, além das prefeituras de Brusque e Guabiruba.

O livro foi lançado oficialmente em Karlsdorf em 8 de dezembro do ano passado e 200 exemplares serão enviados para Brusque. A Acic ainda está analisando como fará o transporte, dado o alto custo do frete, diz o presidente da entidade. “Já há uma lista com pessoas interessadas. Quem quiser comprar um livro, pode entrar em contato comigo. Os livros vão chegar em breve”, diz.

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