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Mais duas pessoas são ouvidas em depoimentos da CPI das Oficinas

Em depoimento, coordenadora da forta da Saúde diz que errou por "causa justa"

Nesta quarta-feira, 1º, ocorreu mais uma sessão da CPI das Oficinas, na Câmara de Brusque. Foram ouvidos dois depoimentos de: Maria Rosa Barni Ghislandi, coordenadora de frota e motoristas da Secretaria da Saúde, e o motorista Altair Brehm. Edson Rubem Muller, o Pipoca, (PP) assumiu o cargo de Jean Pirola (PP) na comissão, com mudanças na mesa diretora.

Na abertura da sessão, o presidente da comissão, Alessandro Simas (PR), informou que como Jean Pirola assumiu a presidência se tornou impedido de participar da CPI conforme o regimento interno e que, por isso, renunciou. Foi solicitado ao PP que indicasse novo membro. “Nós recebemos a indicação de Edson Rubem Muller como novo membro”, disse. Pirola também deixou a relatoria, e Simas convidou Ivan Martins (PSD) para o cargo, que aceitou o convite.

Às 14h23 Maria Rosa Barni Ghislandi tomou seu lugar para depor sobre as investigações da comissão. De início, Martins questionou-a sobre parentesco com o prefeito.”Sou tia da esposa [do prefeito]”, esclareceu.

Quando Martins perguntou sobre os procedimentos para a contratação de oficinas, ela não quis responder. “Tudo que tinha para esclarecer disse ao Ministério Público”, afirmou. Apesar disso, Rosa disse que quando um carro tinha problemas mecânicos o próprio mecânico a avisava do defeito. O relator questionou sobre a exigência de três orçamentos para a contratação de um serviço. E a resposta foi que a coordenadora recebia um protocolo com os valores, no entanto, a responsável por assinar a autorização era a secretária de Saúde. Ela também disse que não havia conferência in loco dos consertos. “Eu confiava nos motoristas”.

Rosa também contou como funcionava o relacionamento com a Auto Mecânica MG. “Eu ligava, falava com a Karize ou o Zaca (Zacarias, genro de João Rossato). Aí eles passavam o orçamento”. Rosa disse que nunca recebeu peças sobressalentes que eram devolvidas e que, quando vinha algo, até onde ela sabe, eram encaminhadas para um depósito.

Ivan Martins questionou sobre a colocação de um para-choque em um dos carros da Secretaria da Saúde, sobre o que há suspeitas de irregularidades, mas não obteve a resposta que esperava. “Tudo o que tinha que falar sobre o para-choque, falei para o promotor do Ministério Público. Está tudo no processo”. Ela emendou: “a única coisa que posso dizer é que nunca me beneficiei. O que fiz foi em benefício da população. Carro da secretaria da Saúde não pode ficar parado. Estou tranquila”.

Diante da postura de Rosa, que se recusou a responder alguns questionamentos e estava na defensiva, o presidente Simas interveio para que ela ficasse mais tranquila.

Pipoca, em sua primeira participação, também fez uso da palavra. Eles questionou quantas viagens Rosa organizava diariamente, e ela disse que eram 15 ou 20. Em seguida passou a palavra para outros parlamentares, que também fizeram apenas uma pergunta.

Rosa disse em seu depoimento que o carro estava com para-choque caindo. Mas nos dias seguintes já havia viagens agendadas. “Eu sei que quem é licitado para latoaria e pintura é o Zeca Heil. Mas como o Zeca Heil é mais demorado, porque tem mais serviço, mandei na Auto Mecânica MG e pedi para eles me quebrarem este galho, porque tinha viagens”, afirmou.

Ela disse que o preço cobrado “era barato”. “Sei que errei, mas ainda acho que errei por uma causa justa”, disse Rosa. Ela informou que tomou esta atitude por conta própria porque uma paciente com câncer precisava ir para Blumenau urgentemente.

Altair Brehm trabalhou de 2009 a 2012 na Secretaria da Saúde como coordenador da frota. “Na época que trabalhava, não fazia só coordenação, mas também unidades de saúde. Para mim o que valia era se o orçamento era o mais barato e se a secretária assinou”, disse. Ele confirmou que já esteve em algumas oportunidades das oficinas.

“Na época não foram colocadas peças recondicionadas, isto eu afirmo”, respondeu o ex-coordenador de frota da Secretaria da Saúde. Ele disse que as peças eram apresentadas em suas embalagens a ele. Segundo Brehm, na época em que ele lidava com Auto Mecânica MG João Rossato já era do Partido dos Trabalhadores (PT). “Sim, ele era tesoureiro do PT. Não afirmo, é o que falaram para mim”, disse na tribuna. Brehm também disse que no final de 2012 Rossato já era funcionário da Secretaria de Obras. “Em 2012, passaram para mim que ele estava trabalhando no departamento de obras”, esclareceu ao vereador Célio de Souza (PMDB).

O presidente Simas encerrou a sessão após dez minutos de depoimento de Altair Brehm. O motorista Adriano Alves e o ex-secretário de Obras, Gilmar Vilamoski, serão ouvido em sessão da CPI das Oficinas amanhã, às 14h.