Morre aos 94 anos o pastor Lindolfo Weingärtner, da Igreja Luterana de Brusque

Ele será velado a partir das 19h30 desta terça-feira, na Paróquia Bom Pastor

Morre aos 94 anos o pastor Lindolfo Weingärtner, da Igreja Luterana de Brusque

Ele será velado a partir das 19h30 desta terça-feira, na Paróquia Bom Pastor

O pastor Lindolfo Weingärtner morreu aos 94 anos de idade nesta terça-feira, 20, por volta de 15h15. Bastante debilitado nos últimos tempos, ele estava internado no Hospital Azambuja, em Brusque.

Weingärtner era pastor emérito na Paróquia Martim Lutero, no bairro Bateas, pertencente à Igreja Evangélica de Confissão Luterana. No entanto, não atuava desde a década de 1970. Participava das celebrações apenas voluntariamente.

De acordo com o pároco da Paróquia Martim Lutero, pastor Roland Brüggmann, o velório do pastor Weingärtner ocorrerá na Igreja Luterana do Centro, a partir das 19h30 desta terça-feira. O enterro será na quarta-feira, 21, a partir das 16h, no cemitério central.

Segundo o pastor Roland, o velório ocorrerá dentro da igreja, o que é incomum nos tempos atuais. É uma tradição de mais de 80 anos da igreja em Brusque.

Companheiro de paróquia, o pastor Roland comenta que Weingärtner é uma figura ímpar para a igreja. “Comentamos que ele marcou a história de Brusque”, afirma, relembrando a história do amigo.

Trajetória
Difícil pensar na história da comunidade luterana de Weingärtner. Nascido em Águas Mornas, na Grande Florianópolis, ele começou sua história em Brusque no fim de janeiro de 1945, como pastor substituto, no enterro do cônsul Carlos Renaux.

Naquele domingo, quando celebrava o segundo culto do dia, no interior do município de Ibirama, Weingärtner foi surpreendido por dois brusquenses que lhe comunicaram a morte do cônsul e pediram-no para vir até Brusque, já que na região não havia nenhum outro pastor que falasse português sem um acentuado sotaque alemão. No enterro, estaria presente o então governador do estado, Nereu Ramos, e diversas autoridades, como o arcebispo metropolitano Dom Joaquim Domingues de Oliveira, e, por isso, sua presença seria importante.

Em entrevista concedida a O Município em 2013, Weingärtner contou sua trajetória. “O enterro do cônsul foi um evento espetacular. Foi até feriado na cidade. Dizem que mais ou menos 10 mil pessoas participaram do sepultamento de alguma maneira, esperando nas ruas pelas quais o corpo deveria passar”, lembrou na época.

Evangelizando em várias cidades
Weingärtner tinha apenas 21 anos, e o sepultamento do homem mais influente de Brusque foi um dos principais desafios de sua trajetória. Finalizado o funeral, ele voltou a Ibirama, mas, em abril do mesmo ano, recebeu o comunicado de que deveria assumir a paróquia de Brusque.

No mês de maio, em meio às atividades pastorais em Brusque e também em Itajaí, teve início o curso de ensino confirmatório no município. Foi durante o curso que Weingärtner conheceu Erna Jönk, então com 14 anos, a mulher que, 45 anos depois, iria se tornar sua esposa.

“Já conhecia a família de Erna e sempre tínhamos contato. Depois da morte de minha primeira esposa, nos reencontramos e acabamos casando”, contou.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, foi fundada a Escola de Teologia, em São Leopoldo. Weingärtner foi para a cidade gaúcha para estudar e fez parte da primeira turma de formandos daquela faculdade.

Em 1948, trabalhou como pastor em Timbó e depois em Ituporanga. Em 1950 assumiu a direção da Escola Evangélica em Panambi, no Rio Grande do Sul. Em 1953 voltou a atuar em comunidades e, em 1956, voltou como o primeiro pastor formado em teologia em Brusque. “Naquele tempo a gente ia onde a igreja mandava”, disse.

Em 1960, Weingärtner atendeu ao chamado da igreja e passou a lecionar na Faculdade de Teologia. Neste período, fez o seu doutorado na Universidade de Erlangen, na Alemanha, estudando sobre Umbanda.

A última cidade onde atuou como pastor foi em Joinville, de 1972 a 1975. Devido a problemas de saúde, foi obrigado pela igreja a se aposentar com 54 anos. Após a aposentadoria, a família retornou a Brusque, e foi nesta época que o seu interesse pela literatura cresceu.

Amor pelos livros
O primeiro livro de Weingärtner teve como público os jovens. “Fui confirmado, e agora?” é um dos grandes sucessos da literatura evangélica. Foi publicado em 22 edições. “Este livro eu fiz pensando em ajudar os jovens cristãos”, destacou na entrevista.

Weingärtner relembrou sua história com orgulho. O local escolhido para a entrevista, em 2013, foi o escritório. Uma sala ampla, repleta de livros de todos os gêneros. Era ali que Weingärtner passava a maior parte de seu tempo. “Sou um homem de livros, gosto de ser solitário, penso muito antes de escrever”, afirmou.

São 36 livros, sete deles publicados em alemão e o restante em português. “Meus livros falam dos mais variados assuntos. Valeu a pena todos. Não há nenhum igual ao outro”, disse.

O último é um livro biográfico publicado em 2011. “‘Inni, um menino da roça’ conta parte da história de minha vida. Conscientemente escrevi esse livro como um final, um resumo de minha trajetória”, declarou.

Weingärtner afirmou que vivera sua vida plenamente. “Tive uma vida plena. Fui pastor, professor, escritor. Sou conhecido no Brasil e também na Alemanha. Não fiz propaganda sobre minhas obras, tive sucesso por meus méritos. Tenho orgulho de minha vida”, finalizou.

O pastor era também uma autoridade nos idiomas latim e hebraico, tendo escrito um livro, embora em português, todo baseado em documentos no latim eclesiástico original. Mesmo aos 94 anos, ainda coordenava um grupo de estudos bíblicos, com encontros semanais.

A família
Após a morte de sua primeira esposa, Weingärtner se reencontrou com Erna e decidiram casar. Eles moravam em Brusque, as margens da rodovia Ivo Silveira. Weingärtner deixou quatro filhos.

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