Cassinos: por que dão lucro, o impasse no Brasil e o boom online
Os cassinos dão lucro mundo afora por uma série de fatores. Tratam-se de negócios altamente rentáveis nos principais mercados do mundo porque operam muito além das mesas e máquinas. Em modelos maduros, a receita do jogo é apenas um dos pilares de um ecossistema que inclui hotelaria, gastronomia, entretenimento, varejo e grandes eventos.
Com tal diversidade de renda, o mercado do cassino amplia margens, dilui riscos e cria efeitos de escala difíceis de replicar por outros segmentos do turismo. Neste artigo, explicamos como o setor só se fortalece nos dias atuais, usando o exemplo de Macau, a capital mundial do jogo, na China.
Mais que jogo: hotel, show e restaurantes
Em destinos consolidados, cassinos funcionam como âncoras de resorts integrados que tentam trazer os conceitos do Wellness Travel para os hóspedes. Hotéis com alta taxa de ocupação, restaurantes assinados por chefs renomados, shows permanentes, shopping centers e a agenda de congressos e feiras corporativas compõem o pacote.
Dessa forma, o visitante gasta, além das apostas, com alimentação, hospedagem, compras e experiências. A diversificação estabiliza o caixa ao longo do ano e reduz a dependência de picos sazonais.
Além disso, o mix entre jogos de mesa e slots costuma oferecer margens elevadas. Os tradicionais caça-níqueis garantem volume e previsibilidade, enquanto mesas atraem público premium e aumentam o ticket médio. Com escala, custos fixos se diluem e a rentabilidade cresce.
Benchmark internacional: o que explica receitas recordes em Macau
Os números mais recentes de Macau ilustram o ponto. Em outubro, as receitas dos cassinos cresceram 15,9% em relação ao mesmo mês de 2024 e alcançaram 24,1 bilhões de patacas, cerca de 2,6 bilhões de euros. Foi o melhor resultado mensal dos últimos seis anos e o mais alto desde outubro de 2019, segundo a Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos de Macau.
O resultado superou com folga as projeções do mercado. Enquanto a JP Morgan Securities estimava avanço entre 3% e 6%, e a Seaport Research Partners apontava algo próximo de 10%, a realidade veio bem acima. Ainda assim, o faturamento representa 91,1% do patamar pré-pandemia, quando o mês havia registrado 26,4 bilhões de patacas.
Macau permanece como a capital mundial do jogo e o único local da China onde cassinos são legais. Seis concessionárias operam no território: MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, todas com contratos renovados em dezembro de 2023 por mais dez anos.
Brasil em pausa: o que significa travar a urgência do PL
No Brasil, o cenário é oposto. Embora o potencial seja frequentemente comparado ao de mercados asiáticos e norte-americanos, a legalização de cassinos físicos segue em debate no Congresso Nacional. A tentativa recente de acelerar a tramitação por meio de um pedido de urgência não avançou, o que empurra decisões para um horizonte indefinido.
Na prática, isso posterga investimentos em resorts integrados, mantém a arrecadação potencial fora do orçamento público e sustenta um mercado informal sem fiscalização adequada. Estados e municípios até discutem impactos no turismo e no emprego, mas a decisão final depende de uma lei federal clara.
O que faltaria para viabilizar resorts integrados no país
Para que cassinos físicos sejam viáveis no Brasil, alguns pilares são indispensáveis. O primeiro é um modelo de licenças limitado e transparente, que evite pulverização excessiva e preserve a atratividade econômica dos projetos. O segundo é um desenho tributário competitivo, capaz de arrecadar sem inviabilizar o negócio. O terceiro envolve regras rígidas de prevenção à lavagem de dinheiro, identificação de clientes e jogo responsável.
Publicidade e governança também entram na conta. Limites de exposição, mensagens obrigatórias e fiscalização contínua ajudam a mitigar riscos reputacionais e sociais, condição essencial para a aceitação pública.
Cassino online regulado: volume, empregos e cadeia de valor
Enquanto os cassinos físicos aguardam definição, o ambiente digital avança mais rápido. A regulamentação de cassinos online tem potencial para mobilizar bilhões de reais, criar empregos em tecnologia, pagamentos, estúdios de jogos, atendimento ao cliente e marketing, além de gerar arrecadação imediata.
Esse ecossistema se conecta ao turismo e ao entretenimento ao ampliar a base de consumidores e criar marcas globais. A experiência internacional mostra que o online não substitui o físico; ele complementa, fideliza e alimenta o funil de visitantes para destinos presenciais.
Regras essenciais: tributos, publicidade e jogo responsável
Para sustentar esse crescimento, o arcabouço regulatório precisa ser robusto. Tributos previsíveis, regras claras de publicidade, ferramentas de controle de risco e destinação de recursos para tratamento de dependência são elementos centrais; sem isso, o ganho econômico perde legitimidade.
É nesse ponto que estratégias comerciais ganham relevância. Incentivos responsáveis, como o diferencial do bônus sem depósito, podem atrair novos usuários de forma controlada, desde que acompanhados de limites, transparência e educação do consumidor. Saiba quando apostar e quando parar.
Quem ganha com a legalização e os próximos passos
Com um marco legal bem desenhado, ganham o turismo, a hotelaria, os eventos, o varejo e o poder público. Ganham também estados que disputam investimentos e empregos qualificados. O exemplo de Macau mostra que estabilidade regulatória e visão de longo prazo são determinantes para resultados consistentes.
Para 2026, investidores observarão sinais claros: avanço legislativo, desenho tributário e integração entre o físico e o digital. Enquanto isso, o online segue crescendo e testando modelos. Entender por que cassinos dão lucro no mundo ajuda a dimensionar o custo de oportunidade do impasse brasileiro e a enxergar onde estão as alavancas de crescimento quando a decisão finalmente vier.