Número de migrantes que chegam a Brusque atinge menor nível na década

Desemprego fez muitas pessoas irem embora da cidade e número de migrantes caiu drasticamente

Número de migrantes que chegam a Brusque atinge menor nível na década

Desemprego fez muitas pessoas irem embora da cidade e número de migrantes caiu drasticamente

A atividade econômica reduzida e o desemprego fizeram o número de migrantes cair em 2015 e 2016. Segundo levantamento do Observatório Social de Brusque (OSBr), o crescimento devido à migração em 2015 foi o menor desde 2010, e a estimativa do ano passado é ainda mais modesta.

A pesquisa do Observatório, realizada a pedido do Município Dia a Dia, analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Cidades. Para chegar ao número de migrantes, explica o diretor executivo do OSBr, Evandro Gevaerd, foi usado o raciocínio lógico.
O estudo computou os números de mortos e nascidos a cada ano, a diferença é o crescimento populacional natural da cidade. Depois, foi comparado esse crescimento natural com o quanto aumentou a população em geral.

O valor além do crescimento populacional natural é considerado oriundo da migração, ou seja, pessoas novas que chegaram ao município naquele ano.

A pesquisa mostra que, em 2016, a população de Brusque aumentou 2,47%. Os dados de mortos e nascidos ainda não foram divulgados, entretanto, apenas com esses dados, já é possível saber que foi o menor dos últimos seis anos.

O pico da migração em Brusque ocorreu em 2013, quando a crise financeira nacional ainda não havia atingido o país em cheio. Naquele ano, o crescimento populacional foi de 6,04%. Segundo estimativa do IBGE, 5,5 mil migrantes chegaram a Brusque.

A redução na migração foi brutal no ano seguinte. O mesmo levantamento mostra que o número de habitantes no município aumentou somente 2,64%. Em números consolidados, significa que apenas 1,9 mil migrantes desembarcaram no berço da fiação.

Em 2014, teve a eleição presidencial e o Brasil já começou a apresentar sinais que entraria em recessão. Naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas da nação, estagnou, com crescimento de 0,1%. Era o pior resultado desde 2009. O número continuou a cair em 2015, até que atingiu o recorde histórico no ano passado.

Sem empregos

O presidente da Associação dos Migrantes Amigos de Brusque (Amab), Rosenildo Eustáquio, o Baiano, avalia que o principal fator que motivou a redução na chegada de migrantes é o desemprego.

Baiano também é empresário e diz que fez vários cortes de funcionários desde 2014. Assim como ele, outras empresas fizeram o mesmo, despejando um grande contingente de pessoas na rua.

“O custo de vida é alto, desempregado não tem como”, diz Baiano. Segundo ele, metade dos demitidos da sua empresa acabaram voltando para o estado natal. A vasta maioria do Nordeste.

Segundo Baiano, os paraenses, que costumavam chegar em ônibus toda semana a Brusque, fizeram o caminho inverso, retornando em massa para o Pará, no Norte do país. Para o presidente da Amab, esse êxodo fez as pessoas ficarem com medo de vir para o Sul.

Mesmo com o fim da crise e a volta do pleno emprego, Baiano avalia que a migração não deverá chegar aos níveis de 2013.

Gevaerd, do OSBr, avalia que a redução da atividade econômica como um todo fez com que a migração caísse tanto. Mas ele também aponta outro fator para a queda. “As cidades da região, principalmente as do litoral, cresceram mais que Brusque e se tornaram mais atrativas [para os migrantes]”.

 Itabuna gerou empregos em meio à crise

Itabuna, no interior da Bahia, é de onde vieram muitos moradores atuais de Brusque. Uma comitiva com representantes brusquenses esteve no município baiano devido à essa forte ligação.

Claudevane Leite, prefeito de Itabuna até 2016, destaca que a cidade gerou empregos, mesmo com a crise, no ano passado. Foi implantada lá uma unidade modelo do SineBahia, através de convênio entre a prefeitura e o governo da Bahia.

Segundo a prefeitura, 1,5 mil pessoas foram encaminhadas para vagas de emprego no primeiro ano do SineBahia. Além disso, a administração desenvolveu projeto de atração de investimentos visando à criação de postos de trabalho.

Com isso, conforme a comunicação da prefeitura, duas unidades de call center da empresa Tel Centro de Contatos foram instaladas na cidade, o que até novembro absorveu cerca de 1,5 mil pessoas.

A construção do Centro de Distribuição (CD) da Arco Logística S/A, cujas obras estão em fase adiantada na zona oeste de Itabuna, ao lado do Parque de Exposições Antônio Setenta, às margens da BR-415, também absorveu mão de obra.

O investimento no CD é de R$ 15,25 milhões. Quando estiver pronto, ele irá gerar 200 postos de trabalho. O prefeito ressalta, ainda, que a construção civil também foi beneficiada e abriu novos empregos na cidade.

Por meio do Minha Casa Minha Vida, foram captados R$ 206 milhões, com a construção de 3.446 unidades residenciais. Já foi entregue um conjunto, com 900 unidades, e estão em fase de entrega das chaves mais dois.

Há previsão de retomada de mais um residencial ainda este ano, de acordo com a Prefeitura de Itabuna.

O desemprego no Sul e essa geração de postos de trabalho em casa fez com que muitas pessoas resolvessem voltar para a cidade natal, na avaliação do presidente da Amab, o Baiano.

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