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Católico não se interessa pela política?

Às vezes, escuta-se: um bom católico não se interessa pela política. Não é verdade. Mais ainda, não pode ocorrer. Seria grave omissão e se tem consciência de sua missão, como leigo/a, na vida da sociedade e da cultura, jamais pode se furtar de oferecer sua interferência e dar o melhor de si para que o […]

Às vezes, escuta-se: um bom católico não se interessa pela política. Não é verdade. Mais ainda, não pode ocorrer. Seria grave omissão e se tem consciência de sua missão, como leigo/a, na vida da sociedade e da cultura, jamais pode se furtar de oferecer sua interferência e dar o melhor de si para que o governante possa governar e cumprir sua missão de conduzir a administração do pais, do estado ou município.

A razão de tal atitude está na própria visão e atuação que a fé cristã impõe: a fé sem obras é morta, isto é, a fé tem que necessariamente ser o móvel para a prática do primeiro mandamento e do segundo que é semelhante a esse, amar o próximo como a si mesmo. Trata-se, portanto, do amor-caridade. “A política, segundo a Doutrina Social da Igreja, é uma das maiores formas de caridade, porque significa servir ao bem comum. E não posso lavar as minhas mãos: todos devemos fazer alguma coisa”.

Há muitas maneiras de colaborar desde dar minha opinião, minhas sugestões; avaliações positivas, se merecidas, negativas, se oportunas; participar da vida dos Partidos Políticos, das reuniões das Associações que auxiliam na vida sociocultural, enfim, participar na construção do bem comum. É possível que os governantes não sejam “santos” (perfeitos), porque ninguém o é. Somos todos frágeis, limitados, fracos, falhos, nem sempre acertamos. Claro que esse gesto de compreensão não pode ser “passaporte” para aceitar, acobertar, aprovar, tal comportamento. De modo algum. Pelo contrário, devo manifestar minha desaprovação, minha não-aceitação, minha não-adesão a esse modo de conduzir a vida política da sociedade. Para isso, também existem meios jurídicos para encaminhar as possíveis irregularidades cometidas.

Numa democracia, sem dúvida, uma das melhores maneiras de participar da vida política é o exercício do dever e do direito do voto em candidatos aprovados pela legislação eleitoral. Claro que tem que ser um voto consciente e livre. É, justamente, pelo voto que eu, como cidadão/ã, autorizo alguém em meu nome a governar em meu nome. Isto significa que autorizo o escolhido/a a administrar os bens públicos em favor do bem comum. O que equivale a afirmar: colocar esses bens públicos a serviço de todos. Porque são bens que têm sua procedência dos impostos que pagamos pelo consumo, pelo IPTU, etc e pelo Imposto de Renda, cobrados pelo País, pelo Estado e pelo Município, a fim de poder administrar a “coisa pública” que favoreça a todos os cidadãos/ãs.

Quem é eleito pelo voto do cidadão/ã tem que ter consciência bem clara que se torna um funcionário público. Como tal tem seus direitos e seus deveres. Não ocorrer, como acontece com relativa frequência, que quando o eleito/a se julga o “dono/a do pedaço”. Isto é, começa a administrar os bens públicos como se fossem seus. Quase como se fosse sua casa, seu quintal, seu sítio, seu agronegócio, sua empresa…

Estou falando do leigo/a católico/a, mas vale, creio que para todo cidadão/ã. Outra coisa, e a realidade dos católicos que exercem numa Comunidade Cristã um ministério ordenado (bispos, presbíteros, diáconos) ou ministérios não ordenados (ministros da distribuição da Comunhão Eucarística, catequistas, ministros da Palavra…. Estes se quiserem ser, por exemplo, candidatos a algum cargo eleitoral, devem se afastar, temporariamente, dos seus ministérios ou serviços comunitários, para seu bem e da Comunidade.