Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Sínodo não é Parlamento

Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Sínodo não é Parlamento

Pe. Adilson José Colombi

Na semana passada, escrevi aqui neste espaço jornalístico, algumas considerações a respeito do Sínodo da Igreja Católica que está realizando, desde 2021. Foi o próprio Papa Francisco que o convocou e lhe propôs como tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. E, no final afirmei: “O objetivo do Sínodo, portanto, é escutar o Espírito Santo, a fim de que todo o Povo de Deus, em conjunto, possa caminhar ou prosseguir na vivência da missão de encontrar respostas para os problemas da Humanidade, neste momento histórico, sem se afastar da Proposta de Vida que Jesus nos trouxe da parte do Pai. O Caminho Sinodal é, portanto, a escuta do Espirito Santo para discernir o que Ele está dizendo à Igreja, nos tempos atuais. Escutar e discernir os sinais dos tempos”.

Como escutar o Espírito Santo, se são pessoas humanas, em uma assembleia? De fato, para quem está fora ou não vive a vida da Igreja, não é fácil entender esse estilo de vida. Porque as pessoas, na sua grande maioria, têm como paradigma de governo os modelos humanos de conduzir ou organizar ou governar. Na Igreja, fundada por Cristo, é outro o estilo de exercer o poder e a autoridade. Cristo deixou bem claro, por meio da comparação que ele faz, que a Igreja é semelhante a videira (Cfr. Jo 15.5-8), onde ele é o tronco e os seus seguidores (os participantes da Comunidade dos que seguem Jesus) são os ramos. Cristo, portanto, é centro e o eixo da Comunidade de Fé. Ele prometeu que ele e o Espírito que Pai iria enviar, estariam com a Comunidade de Fé até o final dos tempos.

O Papa Francisco muitas vezes já falou sobre o Sínodo. Muitas vezes, em suas falas, sempre tentou lembrar e insistir que o Sínodo não é uma obra, apenas humana, como são as decisões de Parlamentos, por exemplo. Foi bem isso que, em agosto de 2022, na entrevista dada a revista La Civiltà Cattolica fez questão de acentuar.  A revista publicou o conteúdo do diálogo do Papa Francisco com os jesuítas canadenses como parte de sua visita àquele país. Nesta entrevista, o Papa disse: “Parece-me fundamental reiterar, como sempre faço, que o Sínodo não é uma reunião política ou uma comissão de decisões parlamentares”. E afirma o Sínodo “é a expressão da Igreja, onde o protagonista é o Espírito Santo. Se não há Espírito Santo, também não há Sínodo. Pode haver democracia, parlamento, debate, mas não há ‘Sínodo’”.

Também, lá em 2015, durante o Sínodo sobre a Família, o Papa disse que “o Sínodo não é um congresso ou um parlamento, não é um parlamento ou um senado onde nos colocamos de acordo”, mas “uma expressão eclesial, ou seja, a Igreja que caminha junta para ler a realidade com os olhos da fé e com o coração de Deus”.

O Papa Francisco, naquele Sínodo sobre a Família, “falou de coragem e de humildade e falou de oração confiante. Creio que essas são as chaves para que o estilo do Sínodo possa ser fecundo: não fechar os olhos diante do nada; ter um sentido alto de responsabilidade diante de Deus e dos homens, das suas esperanças, de seus sofrimentos, viver uma profunda docilidade à ação do Espírito Santo, a partir de um estilo de oração, de humildade evangélica diante do Senhor e de coragem apostólica diante do mundo”.

O Sínodo, portanto, é uma obra humana, fecundada pela graça do Espírito de Deus.

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