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Pagamento de auxílio-doença corresponde a 32% do orçamento da prefeitura

Segundo levantamento do instituto, doenças ligadas ao estresse são as que geram mais afastamentos dos servidores da prefeitura

Dados do Instituto Brusquense de Previdência (Ibprev) mostram que em dezembro do ano passado – dado mais recente – o órgão pagou 205 auxílios-doença para servidores da Prefeitura de Brusque, totalizando R$ 482.412,72, o que representa 32% de tudo o que foi pago pelo instituto no último mês do ano, entre aposentadorias e pensões.

“O valor pago a título de auxílio-doença em dezembro foi de R$ 482 mil, mas destaco que neste mês foi realizado o pagamento integral do abono anual, o décimo terceiro salário, a todos que durante o exercício estiveram em auxílio-doença, não apenas da segunda parcela como acontece com os que estão em exercício do cargo”, explica o diretor-presidente do Ibprev, Jairo Luiz Sens.

De acordo com ele, o número de servidores beneficiados pelo auxílio-doença varia mensalmente. “No último quadrimestre de 2014, de setembro a dezembro, tivemos uma média de 115 beneficiados”, diz.

Desde 2011, quando foi criado o Ibprev, até dezembro do ano passado, foram pagos mais de R$ 5 milhões em auxílio-doença. O cargo com mais afastamentos é o de professor, em seguida, vem os agentes de serviços especiais, e o técnico de enfermagem. “De 2011 até agora, tivemos 75 professores afastados. Temos que observar que a quantidade de professores segurados é muito maior do que a quantidade de fiscais de tributos, por exemplo, que neste período teve quatro afastamentos”, analisa.

Entre os setores, a Educação é o que teve mais afastamentos em dezembro: 57 dos 856 servidores segurados. Em seguida, vem a Fundação Municipal de Saúde, com 19 auxílios-doença, entre os 369 segurados, em terceiro lugar está a Secretaria de Obras, com 16 afastamentos entre os 169 servidores. Só no mês de dezembro, 117 novos funcionários foram afastados por problemas de saúde na Prefeitura de Brusque.

O auxílio-doença é o benefício pago ao segurado incapacitado temporariamente para o trabalho pelo prazo fixado pela perícia médica do Ibprev. Será devido somente a partir do 16º dia de afastamento e corresponderá à última remuneração de contribuição do segurado. “A média de afastamento dos servidores em auxílio-doença é de 96 dias. Só geram auxílio-doença afastamentos superiores a 15 dias consecutivos. Essa média não considera os 15 dias pagos pelo órgão patronal”, diz.
Doenças mais comuns

O levantamento feito pelo Ibprev mostra ainda que a maior parte dos servidores é afastado por problemas emocionais. No ranking das doenças, as quatro com maior número de afastamentos nos últimos anos estão ligadas ao estresse: transtorno depressivo recorrente gerou 67 afastamentos; episódios depressivos afastaram 57 servidores, transtornos ansiosos motivaram 51 afastamentos e 40 servidores foram afastados por transtorno afetivo bipolar.

O psicólogo e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Laércio Antônio Braggio, afirma que afastamentos por essas doenças são comuns nas organizações. “A depressão ou o transtorno depressivo recorrente é um dos sintomas do estresse. Acontece em função do acúmulo de trabalho, pressão, sensação de que não vai conseguir resolver as coisas e, como sintoma, desenvolve estágios depressivos”, explica.

De acordo com ele, há um índice muito grande de afastamentos ligados ao estresse. “Isso é muito comum entre os professores, em pessoas que lidam com pessoas”, diz.

O psicólogo afirma que ações preventivas são fundamentais para evitar que o problema cresça. “Muitas vezes as pessoas não percebem que estão doentes, os sintomas vão aumentando e quando percebem, estão muito doentes. Se focarem em conscientização sobre os sintomas, maneiras de reverter isso antes, incentivo a outro estilo de vida, talvez evitaria chegar ao ponto que precisa se afastar do trabalho”.