Pesquisa revela produtos que mais causam lesões em acidentes de consumo

Levantamento do Inmetro aponta que embalagens, brinquedos e fogões são os responsáveis pela maioria dos casos

Pesquisa revela produtos que mais causam lesões em acidentes de consumo

Levantamento do Inmetro aponta que embalagens, brinquedos e fogões são os responsáveis pela maioria dos casos

Brinquedos, fogões e embalagens estão entre os produtos que mais oferecem riscos à saúde e à segurança dos consumidores brasileiros. A conclusão é de uma pesquisa do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), divulgada neste ano.

O levantamento avaliou o período de 2006 a 2014 e foi dividido em dois grupos: produtos e famílias de produtos. Nesta última, os eletrodomésticos lideram a lista com 16,78% das reclamações, seguido por utensílios domésticos, com 14,03%, e produtos infantis, que representam 13,73% dos casos. A pesquisa mostra ainda que 33,85% das pessoas precisaram de atendimento médico, e 28,8% se afastaram do emprego em virtude das lesões causadas pelos acidentes de consumo.

A enfermeira Jamile Carvalho Dias, que atende no pronto-socorro do Hospital Azambuja, explica que acidentes com produtos são muito comuns na cidade, principalmente relacionados a cortes e queimaduras. As crianças, diz ela, são mais suscetíveis. “É muito importante que os pais fiquem atentos ao deixar os filhos manusearem determinados produtos, pois eles são mais sensíveis a esses acidentes”.

Aliás, os brinquedos estão em segundo lugar nas ocorrências de acidentes de consumo registrados em todo o país, perdendo apenas para embalagens de lata.
Lesões mais comuns

Entre os casos relatados, os cortes são as lesões mais comuns, com 33,5% das ocorrências. Camila Pereira, gerente operacional de Enfermagem do Hospital e Maternidade Evangélico de Brusque, explica que quando o corte for mais profundo, o ideal é estancar o sangramento.

Às vezes, porém, é tanto sangue que se torna quase impossível ver o local por onde ele escapa. Nesse caso, deve-se limpar a região com um pano encharcado com água até encontrar o local do ferimento. Depois é só pressioná-lo com gaze ou com um pano limpo para estancar o fluxo de sangue. Se isso não acontecer em cinco ou dez minutos, no máximo, a pessoa deve ser encaminhada para o hospital. Cortes muito profundos com sangramento abundante exigem atendimento médico com urgência.

As queimaduras estão em segundo lugar entre as lesões causadas por acidente de consumo, sendo que 19,6% dos consumidores foram lesionados ao manusear produtos e eletrodomésticos. Nesses casos, a enfermeira orienta que a pessoa lave o local com água fria e corrente imediatamente, e, se possível, deixe alguns minutos na água para diminuir a temperatura local.

“Não aplique sal, açúcar, gelo, pasta de dente, pomadas ou qualquer outro produto caseiro, pois eles podem complicar a queimadura e dificultar o diagnóstico. Deve-se também evitar as pomadas ou remédios naturais e não cobrir a queimadura com algodão”, explica. “O ideal é que toda queimadura seja avaliada por profissional qualificado, podendo ser na Unidade Básica de Saúde, que tem condições de tratar as de primeiro e segundo grau, bem como avaliar sua evolução, além do acesso ser mais fácil”.
Mau uso dos produtos pode causa acidentes

Essa é a primeira vez que uma pesquisa específica sobre acidentes de consumo é realizada no Brasil. De acordo com Paulo Coscarelli, assistente da Diretoria de Avaliação da Conformidade do Inmetro, através do resultado desse levantamento é possível observar que os acidentes acontecem por duas questões: “a primeira pode ser por falha do produto. Mas o acidente também acontece por mau uso do consumidor. Ainda que ele seja instruído a manusear o produto corretamente, de vez em quando toma decisões não muito seguras e prudentes”, esclarece.

Além de identificar os produtos, a pesquisa pretende contribuir para o atendimento dos consumidores vítimas desses acidentes. “A exemplo do que já existe em países como os EUA, o grande desafio do Brasil é ser capaz de quantificar o impacto dos acidentes de consumo no sistema de Saúde. Naquele país são gastos, anualmente, cerca de US$ 1 trilhão com o tratamento de vítimas de acidentes de consumo, o que corresponde, aproximadamente, a metade do PIB do Brasil”, conta.
Acidentes de consumo por produto

Embalagem de lata – 5,35%
Brinquedo – 4,38%
Embalagem plástica – 4,31%
Fogão – 4,01%
Escada doméstica – 3,86%
Carrinho de bebê – 2,15%
Colchão – 1,93%
Leites e derivados – 1,78%
Embalagens de vidro – 1,48%
Palito de fósforo – 1,34%

*Foram relatados na pesquisa 346 produtos, entre 2016 e 2014

Relate seu caso

Um acidente de consumo ocorre quando um produto ou serviço prestado provoca dano ao consumidor, mesmo quando utilizado ou manuseado de acordo com as instruções de uso. Se você já foi vítima de um acidente de consumo pode relatar seu caso no site.

 

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