Prefeitura de Brusque quer unificar os Caps no prédio construído para a UPA 24 Horas

Medida surgiu para gerar economia com alugueis e aproveitar estrutura

Prefeitura de Brusque quer unificar os Caps no prédio construído para a UPA 24 Horas

Medida surgiu para gerar economia com alugueis e aproveitar estrutura

Com os recursos para a Saúde cada vez mais escassos, a Secretaria de Saúde planeja centralizar o atendimento psicossocial no município. A medida faz parte de um pacote anunciado pelo secretário Humberto Fornari logo depois de assumir a pasta, mas ainda não tem data para acontecer.

Hoje, Brusque conta com dois Centros de Atenção Psicossocial (Caps): o Caps-2, que atende doentes psicossociais encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o Caps-AD, que atende dependentes de álcool e drogas.

Eles ficam localizados no Jardim Maluche e no Centro, mas em imóveis alugados. O secretário de Saúde trabalha, junto com a equipe da prefeitura, para conseguir que o governo federal autorize que o prédio da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, no Santa Terezinha, próxima à Unifebe, possa ser usado para a implantação do futuro Centro Integrado de Atenção Psicossocial (Ciaps) do município.

O Ciaps integrará os Caps-2 e Caps-AD e ainda o Caps Infantil, que ainda não existe na cidade. “No seu conceito, ele agregaria toda a assistência psicossocial do município”, explica Fornari. Os atendimentos – dependentes químicos, adultos e crianças – serão realizados no mesmo prédio, mas em setores diferentes.

Para o secretário de Saúde, esse modelo de atendimento do Ciaps é mais estratégico no atendimento aos pacientes em situação de vulnerabilidade. “Existe um ganho muito grande em estratégia, porque fica perto da universidade”, diz.

A ideia de Fornari é que, eventualmente, estudantes do curso de Psicologia da Unifebe possam visitar o Ciaps, como parte da sua formação. Além disso, ele considera a localização geográfica da UPA 24h outro ponto positivo à integração.

Segundo Fornari, com o Ciaps, será possível realizar atendimentos mais dinâmicos, e a equipe de profissionais também será mais integrada, uma vez que a ideia do atendimento psicossocial é, justamente, ser multidisciplinar.

A estratégia de criar o Ciaps está intimamente ligada à condição financeira complicada da prefeitura. Fornari afirma que, com o centro integrado, não será mais preciso pagar os alugueis dos dois Caps e as atuais equipes serão realocadas.

Referência regional
Com a criação do Ciaps, a intenção da Secretaria de Saúde é fazer de Brusque a referência no atendimento psicossocial pelo SUS na região. Pacientes de Guabiruba, São João Batista, Botuverá e Nova Trento serão tratados na cidade.

Essa mudança, embora burocrática, significa mais recursos para a Secretaria de Saúde. O dinheiro repassado à prefeitura para os atendimentos é baseado na quantidade de pacientes.

“Com isso, todos os recursos federais e estaduais seriam alocados no nosso município”, explica Fornari.

Caps Infantil
Fornari apresentou a reformulação do atendimento psicossocial no município na Câmara de Vereadores, no dia 14 deste mês. Na ocasião, ele informou que o Caps Infantil, hoje inexistente, seria criado por força de lei.

Conforme O Município já informou nos últimos dois anos, a prefeitura tem de criar um Caps para atender crianças, mas ainda não o fez por falta de recursos. Um imóvel, pertencente ao estado, localizado na rua Riachuelo, Centro, foi cogitado para este fim, contudo, há entraves burocráticos com o governo estadual.

A intenção do secretário de Saúde é atender a essa demanda com a implantação do Ciaps em Brusque.

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A UPA 24 horas foi contratada pela prefeitura durante a gestão de Paulo Eccel (PT). O acordo era que o governo federal custearia o prédio equipado e o município faria a manutenção. Mas, após a saída de Eccel da administração municipal, a gestão interina de Roberto Prudêncio Neto (PSD) abortou a ideia.

A mesma avaliação é feita por Humberto Fornari. Cálculos divulgados em 2015, quando a antiga administração de Prudêncio rechaçou a UPA 24 horas, davam conta de que o custo mensal para mantê-la é de R$ 1,4 milhão.

O projeto inicial da UPA foi abandonado, mas agora a prefeitura está em contato com a União para que seja autorizado o uso do prédio para o Ciaps. Não existe prazo para essa resposta, e enquanto isso o Ciaps não deve sair do papel.

O prédio da UPA 24 horas está abandonado neste momento. Na segunda-feira, 20, pela manhã, a reportagem esteve no local e constatou que havia garrafas de bebidas alcoólicas no espaço. Em frente, alguns carros estavam estacionados.

“É um desperdício ficar parado”, afirma Fornari. Ele espera que o governo federal ceda o espaço para o Ciaps sem custo extra ao município. “A nossa ideia, diante do caos financeiro que estamos, é sensibilizar o governo federal”, diz.

Se a União não autorizar, a prefeitura pretende “comprar” o prédio, cujo custo aproximado é de R$ 2 milhões.

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