Wendel Rudolfo/O Município
Prestes a encerrar primeiro mandato, prefeito André Vechi avalia ações e projeta mudanças para 2025
Prefeito de Brusque viajou a Alemanha recentemente e quer trazer para cidade ações conhecidas no distrito de Karlsruhe
Após um ano e meio no comando da Prefeitura de Brusque, o prefeito André Vechi (PL) está prestes a encerrar o primeiro mandato. O chefe do Executivo foi reeleito em outubro e exercerá a função por mais quatro anos. Em entrevista, Vechi fez um balanço das ações de 2024 e projetou mudanças para 2025.
Na área de infraestrutura, o prefeito destaca o andamento da obra de ampliação da avenida Beira Rio ao bairro Dom Joaquim. De acordo com ele, os trabalhos estão avançados. O primeiro lote está em execução, enquanto o segundo deve começar ainda em dezembro.
“A obra está bem avançada. Iniciaremos, agora, em dezembro, o trecho 2. Ano que vem, iniciaremos o trecho 3, que efetivamente levará a Beira Rio até o Dom Joaquim. Nossa meta é que até o final de 2026 tenhamos toda a Beira Rio entregue, dos fundos da Calvário até a ponte Alois Pettermann”, afirma.
Eventualmente, o governo sofre críticas em relação aos bairros. Em novembro, um morador colocou uma placa em uma buraco na rua David Hort, no Dom Joaquim, em tom crítico a Vechi. “Prefeito esqueceu que existe esta rua”, escreveu o morador na mensagem.
André Vechi minimiza as críticas e diz que o suposto “esquecimento” das necessidades dos bairros “já foi uma verdade absoluta no passado”, sem citar a gestão, e argumenta que o cenário está mudando. O prefeito justifica que as chuvas de outubro e novembro de 2023 prejudicaram os trabalhos da Secretaria de Obras.
Há outras questões internas que, conforme o prefeito, atrapalham a atuação da Secretaria de Obras. Uma delas é a falta de máquinas próprias. No começo do ano, a Câmara de Vereadores de Brusque deve realizar uma sessão extraordinária para avaliar um investimento de R$ 20 milhões da prefeitura para compra de maquinário próprio.
“Temos muitos problemas com buracos. A maioria do asfalto da cidade é antigo e o peso médio dos veículos aumentou muito. Nossa ideia é fazer uma recape de todas as vias principais de todos os bairros, para parar de remendar”, comenta. O prefeito também prevê mudanças nas operações tapa-buraco. A ideia é tornar o serviço mais eficiente e duradouro.
Projetos alemães
Em novembro, Vechi viajou para Alemanha com uma comitiva da prefeitura para conhecer projetos no distrito de Karlsruhe, parceiro de Brusque. O objetivo da parceria, que dura anos, é a troca de conhecimento. Em outubro de 2025, os alemães virão a Brusque para uma conferência.
O prefeito relata que o foco atual dos alemães é a água, em vários sentidos, desde prevenção de desastres até tratamento e distribuição. Um dos projetos conhecidos pela comitiva e que há o desejo de colocar em prática envolve o desenvolvimento de sistema para redução das perdas do Samae.
“Eu vi grandes ideias. Uma delas é a distribuição de água. Na Alemanha, há um máximo de 4% de perda. É muito pouco. A tubulação deles é um material diferente do nosso. Na média do Brasil, a perda fica em torno de 40%. Se eu reduzir isso pela metade, é um efeito maior do que construir uma Estação de Tratamento de Água (ETA)”.
Segundo o prefeito, caso o projeto seja implementado em Brusque e tenha sucesso, a água que antes era perdida seria levada normalmente. Desta forma, dispensaria a necessidade de uma nova estrutura de ETA, conforme exemplifica.
Entretanto, há outros fatores prejudiciais. No distrito alemão, o solo é plano e, diferentemente, Brusque está localizada em uma região de morros. A pressão da água é maior e gera rompimento de tubulação. A intenção da prefeitura é trazer o projeto para Brusque com auxílio de Karlsruhe.
Outro projeto que chamou a atenção do prefeito durante a viagem foi o investimento em combate às cheias e enchentes. O distrito possui um software que simula diversas situações relacionadas ao nível do rio. É possível identificar com precisão o quanto uma nova construção – terreno que antes servia como área alagável – contribuiria com o aumento do nível do rio.
A autoridade pública local não precisa rejeitar a construção de um empreendimento que vai gerar impacto no aumento do nível no rio, no entanto, é possível fazer acordos. Um dos combinados entre a administração do distrito e um investidor local foi para construção de uma garagem subterrânea que pudesse ser alagada.
“Não adianta investir R$ 150 milhões em uma Beira Rio até o Dom Joaquim e depois liberar uma obra que vai gerar problemas e colocar água em um bairro. Sempre temos que casar o desenvolvimento com a sustentabilidade. Não podemos permitir que um setor privado tenha lucro em detrimento de um prejuízo gerado a toda uma região”, avalia André Vechi.
Internação involuntária
O programa de internação involuntária foi uma das medidas tomadas pela prefeitura durante o ano na área de assistência social. Até o momento, dez pessoas em situação de rua foram internadas pelo programa. Vechi diz que o número pode ser visto como “baixo”, mas defende que o programa tem como público-alvo somente pessoas que vivem nas ruas e causam riscos.
“Temos que entender que a internação involuntária não pode ser uma política higienista. Não posso utilizá-la como pretexto para tirar as pessoas das ruas e jogá-las para outro lugar. O problema é quando começa a colocar a vida dela e de terceiros em risco, que é quando entramos com a internação involuntária”.
O primeiro paciente internado pelo programa recebeu alta e pôde retornar para a família em Criciúma, no Sul do estado. Em outro caso, uma mulher que foi internada de forma involuntária não retornou ao convívio social. A sequela do uso de drogas fez com que a internação se tornasse permanente, impossibilitando o retorno à sociedade.
Reforma administrativa
O governo vai encaminhar, no começo de 2025, uma reforma administrativa à Câmara de Vereadores. Serão criados novos cargos comissionados, mas a gestão municipal pretende ocupar ao menos dez deles via processos seletivos. Secretarias serão criadas e outras deixarão de existir.
Uma das mudanças é a recriação da Secretaria de Trânsito e Mobilidade (Setram), que hoje é uma diretoria. Segundo o prefeito, este será um dos cargos em que o secretário será selecionado por meio de processo seletivo. A Setram havia sido extinta na reforma administrativa de 2020 e hoje integra a Secretaria de Infraestrutura.
A Secretaria de Fazenda e Gestão Estratégica será dividida em duas. A Fazenda será responsável pelo período de transição a partir da reforma tributária. Segundo André Vechi, o cargo de secretário será ocupado por um servidor efetivo da prefeitura. A Gestão Estratégica deve passar a se chamar Secretaria de Administração e Gestão Estratégica.
A Secretaria de Comunicação (Secom) e a Secretaria de Governo passarão por “fusão”. Na prática, a futura Secretaria de Relações Institucionais vai absorver as duas pastas. Além disso, será criada a Secretaria de Parcerias e Concessões, que ficará responsável sobre o andamento das concessões de equipamentos públicos.
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