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José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Primeiros erros (e acertos!)

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Primeiros erros (e acertos!)

José Francisco dos Santos

Nesses dias chuvosos, ouvi, por coincidência, a música Primeiros Erros, da banda Capital Inicial, que fez muito sucesso na década de 1980. Os textos poéticos nunca têm sentido óbvio, e normalmente são expressos com metáforas e frases aparentemente desencontradas, que talvez nem mesmo o poeta consiga explicar por que são assim. A poesia nasce de uma profunda impressão de alguém. Quanto mais rica essa impressão, ou intuição, mais significativo será o poema. Mas não é fácil traduzir em palavras um sentimento imensamente carregado de significados.

É por isso que a linguagem poética é enigmática, e nisso está não apenas seu charme, mas sua própria essência. Dessa forma, quando lemos um poema ou ouvimos uma música, somos impregnados pela força expressiva que o texto carrega. No entanto, como o significado não é óbvio, como num texto escrito em linguagem declarativa, cabe a cada leitor ou ouvinte, como intérprete, decifrar para si o sentido. Não raro, o intérprete percebe o que nem mesmo para o poeta estava tão claro.

Normalmente não paramos para refletir sobre o sentido das letras das músicas que ouvimos (é claro que não falo aqui das músicas de sucesso atuais, de conteúdo óbvio e chulo). Mas desde que ouvi Primeiros Erros pela primeira vez, percebi que ali havia um conteúdo muito rico, escondido por trás daquelas metáforas de sol e chuva. Finalmente paro para tentar traduzir o que é minha interpretação da canção, em linguagem mais declarativa. O que me parece essencial são os versos “se um dia eu pudesse ter meu passado inteiro e fizesse parar de chover nos primeiros erros, o meu corpo viraria sol, minha mente viraria sol, mas só chove, chove…”

Não consigo ouvir isso sem voltar ao meu passado e me lembrar de como me construí para ser o que sou e estar onde estou. E mesmo que seja grato por todas as circunstâncias que me trouxeram até aqui, não consigo deixar de me entristecer ao pensar em quanto poderia ter feito de melhor, quantos erros poderia ter evitado, quanto mais poderia ter me dedicado a coisas que hoje me fazem falta. Essa canção é uma ode ao valor do tempo e um sério aviso aos navegantes: É preciso aproveitar o tempo, mas não no sentido mais comum de dissipá-lo em experiências e sensações imediatamente agradáveis, como se fôssemos morrer amanhã e não tivéssemos uma alma eterna. Aproveitar o tempo é imprimir qualidade ao que fazemos, pois nossa vida inteira é resultado das experiências pelas quais passamos e do significado que imprimimos a elas.

O futuro nos cobrará a irresponsabilidade do presente, e, em algum momento, repetiremos que gostaríamos de fazer parar de chover nos primeiros erros, para que não fizessem frutificar os vícios, o desleixo ou a falta de qualidade que deixaram impregnados em nós. Nunca é tarde para tomar consciência dos nossos erros e “fazer parar de chover” sobre eles. Quanto mais tempo gastamos com eles, mais difícil será eliminá-los e fazer com que o corpo e a mente “se tornem sol”. Por isso, quanto mais jovem você seja, melhor é a oportunidade para deixar os seus erros ou não se aproximar dos que ainda não cometeu. Não se iluda com essa cultura de curtição, que só trará vazio e falta de qualidade para a sua vida futura. É sempre tempo de começarmos a andar na luz e nos portarmos como filhos da Luz.

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