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Quem não roda a Baiana, dança!

Assistindo os desfiles deste ano, me fiz esta pergunta e resolvi pesquisar, descobri: que esta ala homenageia as senhoras (por vezes mães-de-santo) que abrigavam os sambistas, quando ainda eram marginalizados. “As baianas davam refúgio para o samba e os sambistas sob o disfarce de reuniões religiosas. Sendo assim, não precisavam dar muitas desculpas para a polícia”.

Outra versão traz um significado inusitado, mas muito interessante para uma expressão ainda hoje muito utilizada. Conta que: “houve tempo que homens também desfilavam nessa condição para dar proteção às escolas em casos de brigas. Eles colocavam navalhas nas barras das saias e giravam as armações das mesmas para pegá-las e partir para a ação (daí a expressão rodar a baiana, quando se está enfurecido com alguém)”. 

Consideradas as “tias” do samba, iniciaram a sua participação nos desfiles em 1930, se tornando uma ala obrigatória em toda apresentação das escolas de samba. Existem uma série de regras, em São Paulo para que a escola não seja penalizada com um desconto de 0,1 pontos, a ala deve ter pelo menos 50 baianas, já no Rio de Janeiro, esse número cresce para 70, e o desconto para 0,5.

A ala das baianas também é avaliada por suas fantasias, que chegam a pesar até 30 quilos e costumam remeter às antigas baianas. “A roupa clássica das baianas compõe-se de torso, bata, pano da costa e saia rodada. Entretanto, frequentemente podemos ver baianas com as mais inusitadas fantasias”.  A sua evolução na Marquês também conta pontos, além de ser um dos momentos mais aguardados pelo público.

Eu particularmente, sempre assisti os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e somava os pontos na hora da apuração dos resultados com o meu irmão, ele Mocidade e eu Beija-flor. Um dos momentos mais emocionantes era sempre o de ver rodar estas senhoras e também me surpreender com as Comissões de Frente, ainda me recordo do dia em que um integrante da escola Mocidade, sobrevoou em um tapete na Sapucaí e outro em que ela fez um homem ser arremessado como foguete ao ar. Muitas vezes, achei que a escola do meu irmão merecia o título, mas…

Neste ano, as baianas me fizeram apaixonar novamente, fantasiadas de Império Serrano: fizeram a vida girar como um carrossel, como as suas próprias. Desde o início da história do samba, uma mistura de: sacrifícios e amor.

 

 Mais um dia de pedir “a bença”,

Oxalá: nossas senhoras!

 


Méroli Habitzreuter
– escritora, pintora e ativista cultural