Relembre a primeira vez que o Corinthians jogou em Brusque

O time contava com estrelas como Biro-Biro e Casagrande, e enfrentou o Paysandú em 1982

Relembre a primeira vez que o Corinthians jogou em Brusque

O time contava com estrelas como Biro-Biro e Casagrande, e enfrentou o Paysandú em 1982

A chegada do Corinthians nessa quarta-feira não será a primeira passagem do elenco alvinegro em Brusque. Em 1982, com um grupo formado pelos badalados Biro Biro, Casagrande e Wladimir, o Timão esteve pelo berço da fiação catarinense para jogar contra o Paysandú. O resultado surpreendeu o forte time paulista: 0 a 0, em amistoso antes do início dos campeonatos estaduais.

O registro oficial da partida histórica apontou um número que, atualmente, não tem como ser alcançado por nenhum estádio dentro do município: 5.847 pagantes, com uma renda, em cruzeiros, de Cr$ 4,2 milhões – algo em torno de R$ 1,5 mil. A partida foi realizada no estádio Cônsul Carlos Renaux, pertencente ao Paysandú.

Buscando recomeço

Há 35 anos, o Paysandú tentava dar a volta por cima depois de um péssimo Campeonato Catarinense na temporada anterior. De 13 clubes participantes, o Alviverde da Pedro Werner ficou na 12ª colocação, atrás inclusive do arquirrival Carlos Renaux.

Situação semelhante vivia o Corinthians. No Campeonato Brasileiro de 1981, a equipe fez campanha indigna de sua história e foi eliminado na segunda fase. Para piorar, não conquistou classificação para a primeira divisão do Brasileirão de 1982 ao ficar fora do grupo dos sete melhores do Paulista de 81. O Timão precisou disputar a Taça de Prata por isso.

Enfim, chegou o ano de recomeço para as equipes. Essa foi a época do surgimento da ‘Democracia Corinthiana’, uma espécie de gestão revolucionária no clube que permitia que todos os colaboradores, do roupeiro ao presidente, tivessem poder de voto em todas as decisões internas do Timão.

Na Taça de Prata, o Corinthians conquistou a ascensão para o Brasileirão. Antes do nacional e também do Campeonato Paulista, o qual o time sagraria-se campeão, a equipe decidiu fazer o amistoso em Santa Catarina.

Foto: Arquivo
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Bastidores da partida

Assim que o jogo entre Paysandu foi anunciado por um carro de som, a cidade ficou em polvorosa, como explica Gerson Luis Morelli, o Keka. Atualmente vereador, Keka esteve em campo enfrentando Casagrande e companhia e falou sobre o clima da cidade. “Brusque já estava acostumada com amistosos. Teve Carlos Renaux e Fluminense e até Paysandú e Santos, mas o Corinthians é o Corinthians. Todos queriam ver o time. Só faltou o Sócrates, que não veio para a partida”, completa.

Na época com 19 anos, Keka também aproveitou para tietar. No apito final do árbitro Celso Bozzano, ele trocou de camisas com Wladimir, tetracampeão paulista com a camisa corintiana. “Hoje em dia não tenho mais a camisa, dei para um amigo que me ajudou muito no início da minha carreira”, completou.

Não havia espaço para mais ninguém no estádio da Pedro Werner. Ao final do apito de Bozzano, os times se confraternizaram e jantaram juntos na sede do clube. Após a partida e o surpreendente empate sem gols, o Paysandú ganhou moral para disputar o estadual e subiu de posições em comparação com a temporada anterior.

Keka encerrou a carreira no Brusque poucos anos depois. Com muitas lesões, preferiu pendurar as chuteiras. Hoje, observando de fora o retorno do Timão à cidade após 35 anos, ele faz um apelo às torcidas. “Será um jogo diferente de um amistoso, valendo vaga para competição nacional, então a gente espera que haja cautela e respeito, tanto para as torcidas quanto para os jogadores”, completa.

O jogo

Segundo crônica da época, a partida foi bastante equilibrada. Zenon, do Corinthians, acertou bola na trave do goleiro Ronaldo, enquanto Márcio perdeu chance incrível diante de Rafael. Ronaldo, aliás, foi eleito pelo cronista como o jogador mais importante da partida. Na cobertura, o empate foi classificado como justo.

Foto: Arquivo
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