Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Religiosidade de um povo – Capela Sagrado Coração de Jesus

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Religiosidade de um povo – Capela Sagrado Coração de Jesus

Rosemari Glatz

Colonizada por alemães que confessavam predominantemente a religião católica, os bairros de Guabiruba possuem no mínimo um templo, numa clara demonstração da religiosidade do seu povo.

No bairro Planície Alta, a imagem do padroeiro da Capela Sagrado Coração de Jesus (Herz-Jesus) já data mais de 150 anos, uma vez que foi trazida da Alemanha em 1865 pela família do imigrante Georg Dürrschnabel.

Família Dürrschnabel
A família Dürrschnabel chegou na Colônia Itajaí-Brusque em maio de 1865 e trouxe consigo a imagem (esculpida em madeira) do padroeiro da Capela Sagrado Coração de Jesus. Junto com outras famílias, se instalou no vale da Planície Alta (Hochebene) e a história da família Dürrschnabel se entrelaça com a história da própria capela.

Vida de igreja
No início, a vida de igreja acontecia no círculo familiar. Se quisessem ir à missa, os moradores tinham que se deslocar à igreja de Brusque. Quando as missas se tornaram regulares, aos domingos, os moradores passaram a frequentar a capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Mariahilfskapelle), no Centro de Guabiruba. A partir de 1900, iniciaram-se as Santas Missões pelos padres franciscanos e, segundo o Pe, Eder Celva, em 1900 o vigário de Brusque, Pe. Antônio Eising, fez uma visita à localidade da Planície Alta e conscientizou os residentes para a necessidade de uma escola, que começou a funcionar em 1902. A escola também serviu como primeira igreja, e o professor exercia, simultaneamente, a função de sacristão. Pe. Eising passou a fazer visitas constantes à comunidade, celebrando a missa na escola e incentivando os moradores para que construíssem uma capela.

Capelas da Planície Alta
Em 5 de fevereiro de 1905 foi lançada a pedra fundamental da primeira capela. O terreno para a construção e para o cemitério foi doado por Georg Dürrschnabel. Foram recolhidos donativos e feitas várias coletas para a construção. A mão de obra foi voluntária e em 22 de junho de 1906 a capela foi abençoada pelo Pe. Bernardo W. Jonckmann.

Em junho de 1953, nas festividades do padroeiro, foi inaugurada a segunda capela, que foi demolida em 1971 e da qual restou apenas a torre que serviu para a edificação da terceira igreja, em 1972. A atual igreja da Planície Alta foi inaugurada em 22 de junho de 2003.

Imagem original do padroeiro volta à capela 
Temendo que sofresse algum tipo de vandalismo, a imagem original do padroeiro da Capela Sagrado Coração de Jesus – a mesma imagem que que veio da Alemanha em 1865 com a família do imigrante Georg Dürrschnabel -, ficou aos cuidados da família Dürrschnabel por algum tempo.

Por ocasião das comemorações do centenário de fundação da capela, em 16 de junho de 2016, a imagem original (restaurada) foi restituída à capela e instalada no alto de sua torre, compondo uma belíssima arquitetura religiosa. Neste ato também foi descerrada uma placa em homenagem ao imigrante que trouxe a imagem, e a Santa Missa foi celebrada pelo vigário Claudionor Schmidt, acompanhado do Diácono Edinalte E. de Souza.

Fontes: Pe. Eder Cláudio Celva. História da Igreja Católica em Guabiruba: Cinquentenário da Paróquia, 2013), e subsídios fornecidos pelo escritor Roque Luiz Dirschnabel.

Correção
Na coluna do dia 19 de janeiro publicamos, equivocadamente, que Guabiruba foi colonizada a partir do ano de 1862 quando, na verdade, Brusque e Guabiruba foram colonizadas simultaneamente a partir de 1860. Segundo os relatórios do Barão de Schnneburg, a primeira leva de colonizadores, que chegou em 4 de agosto de 1860, foi instalada em Brusque e, a partir da segunda leva, os colonizadores já passaram a ser instalados em direção ao Rio Guabiruba.

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