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Brusque há 163 anos: quem já estava ocupando as terras

Quando falamos de Brusque, 1860 é referenciado como o ano de sua fundação, pois, em 4 de agosto daquele ano chegou à Colônia Itajahy-Brusque o primeiro grupo organizado de imigrantes alemães destinados à colonização do território, conduzidos pelo Barão Maximiliano von Schneeburg. Foram acompanhados por Francisco Carlos de Araújo Brusque, Presidente da Província de Santa […]

Quando falamos de Brusque, 1860 é referenciado como o ano de sua fundação, pois, em 4 de agosto daquele ano chegou à Colônia Itajahy-Brusque o primeiro grupo organizado de imigrantes alemães destinados à colonização do território, conduzidos pelo Barão Maximiliano von Schneeburg. Foram acompanhados por Francisco Carlos de Araújo Brusque, Presidente da Província de Santa Catarina entre 21/10/1859 e 17/04/1861 e, em sua homenagem, a cidade recebeu seu nome.

Inicialmente, os imigrantes foram instalados no ponto demarcado pelo Delegado de Terras Públicas da Província de Santa Catarina, Major João de Souza Melo e Alvim, no lugar denominado Vicente Só, que fica em frente à entrada da Sociedade Recreativa Bandeirantes. Ali encontraram uma casa, um engenho de serra e um de farinha de mandioca pertencentes a Pedro Werner, e foi ele quem alojou o grupo em sua casa e engenhos, pois nada estava preparado para receber os colonizadores.

Quando os imigrantes chegaram muitas terras de Brusque já estavam ocupadas. Dentre os que aqui estavam destacam-se Franz Sallenthien, Paul Kellner, Reinhold Gaertner, e Peter Joseph Werner, o seu sogro e cunhados, todos proprietários de grandes extensões de terras. E também o mais conhecido pioneiro, o lendário Vicente Só. Mas, para compreender essa história é preciso “voltar um pouco no tempo” e, ao fazê-lo, verifica-se que a fundação de Brusque, na verdade, se mistura com a própria fundação de Itajaí.

De acordo com José Ferreira da Silva, no livro História de Blumenau (1972), em 1819 já havia nas margens do rio Itajaí-Mirim duas sesmarias onde o governo da Capitania mantinha um estabelecimento oficial que preparava madeira para as construções públicas. Nesta região fixaram-se vários moradores que se dedicaram à pequena agricultura e ao corte de árvores para a serração.

O sistema sesmarial perdurou no Brasil até 1822 e, pouco depois da independência, Agostinho Alves Ramos, um comerciante antes estabelecido em São Pedro do Rio Grande do Sul e posteriormente em Desterro (atual Florianópolis), resolveu transferir-se e edificou, nas imediações do rio Itajaí-Açú, uma casa de negócios que acabou por inaugurar uma era decisiva para o desenvolvimento da colonização de toda a Bacia do Itajaí. Ele veio acompanhado da esposa e de um sacerdote e logo foram construídas uma capelinha e a casa de negócios. Ao seu entorno foi se formando a freguesia “S. S. Sacramento do Itajahy”, que mais tarde viria a se tornar a Vila de Itajahy. Homem bastante instruído, prestativo e industrioso, Alves Ramos tornou-se, em pouco tempo, chefe político e conselheiro dos moradores. Eleito deputado provincial em várias legislaturas, valeu-se do prestígio do mandato em proveito de seus planos de colonização. Após ter trazido para as bandas de Itajaí muitas famílias de agricultores de outros pontos da Província e, até mesmo colonos alemães – dos chegados em 1828 na Colônia São Pedro de Alcântara -, conseguiu que fossem criadas, pela lei nº 11 de 1835, duas colônias: uma em Belchior, e outra às margens do rio Itajaí-Mirim, às cabeceiras do Ribeirão Conceição.

A tentativa de 1835 como um núcleo colonial não deu certo, e somente anos mais tarde foi que o Presidente da Província de Santa Catarina determinou nova colonização para a região. No entanto, entre 1835 e 1860, alguns colonizadores adquiriram terras às margens do Itajaí-Mirim e ali se instalaram, de forma que em 1860 já existiam na região três engenhos de serra, pertencendo um ao industrial Werner, outro ao comerciante Sallenthien, e o terceiro era de Paul Kellner. Assim como o grupo de imigrantes recém-chegado, os três eram alemães.