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Saiba como a torcida do Brusque reagiu ao título da Série D no estádio Augusto Bauer

Cerca de 900 pessoas estiveram presentes em evento com telão dentro do Gigantinho

Em uma batalha travada há mais de dois mil anos, 300 espartanos resistiram e venceram uma dura batalha contra cerca de 300 mil persas. História semelhante viveu a torcida do Brusque na heroica conquista da noite deste domingo, 18.

Enquanto na Arena da Amazônia quase 40 mil pessoas acompanhavam a partida, torcendo pelo Manaus, no estádio Augusto Bauer, em Brusque, cerca de 900 pessoas tinham fé na conquista quadricolor. No apito final da árbitra, os sorrisos eram em muito maior número nas arquibancadas brusquenses, com a comemoração do título.

As centenas de torcedores assistiram a partida em um telão colocado no gramado. Desde a entrada, o clima era de fanatismo e paixão. Uma barraca realizava pinturas nos rostos da torcida. De criança a adulto, muitos saíram dali com escudos e bandeiras nas bochechas, esbanjando apoio, demonstrando amor ao clube.

O evento foi encabeçado e organizado por Sandro Ortiz, diretor de marketing de clube, que se mostrou satisfeito com o resultado. “A torcida abraçou o time, teve fé na conquista. A gente sabe que isso gera ainda mais responsabilidade, temos que cada vez mais investir no marketing e na imagem do clube, mas estamos no caminho certo”.

Antes mesmo de começar a partida, enquanto tomavam seus lugares, os torcedores já demonstravam êxtase. Era como se o Brusque já fosse o campeão. Morando em Brusque há cerca de nove anos, Anderson Miguel Costa foi acompanhado de Adriana Lemes. “Nós começamos a vir mais e acompanhar o time de uns cinco jogos para cá. Nós vamos ser campeões lá, acho que vai dar uns 2 a 0”, palpitou.

Começa a partida
Grande parte da torcida do Bruscão nem havia encontrado o melhor lugar nas arquibancadas cobertas e o grito de gol já explodiu no Gigantinho. Junior Pirambu fez a alegria das centenas de torcedores, que explodiram, bradaram, balançaram faixas, bandeiras e bateram os repiques.

Na sequência, com o empate do Manaus, a reação foi de choque. Muitos ficaram chateados, reclamaram da posição da zaga. Mas não deu tempo de tristeza. Logo alguém puxou aquele que seria o grito mais repetido da tarde: eu acredito!

Unhas eram roídas a cada jogada. Para aumentar o clima de aflição, a transmissão da plataforma MyCujoo não estava das melhores, e travava a todo momento. Mas era apenas mais um ingrediente para apimentar a grande conquista.

No apito de intervalo, as pessoas aproveitaram para confraternizar ou comprar um chope. Entre a massa quadricolor apaixonada estava Solis Queiroz, zagueiro campeão de 1992. “Sempre que a gente jogava fora, contra time com maior torcida, a gente falava: a responsabilidade é deles. E é isso. O Brusque está jogando bem, e pode trazer essa taça”, afirmou o ídolo.

O torcedor “profeta”
A partida recomeçou, e as notícias que vinham da Amazônia não eram boas. Um gol fez com que o adversário virasse o placar. O clima ameaçou a esfriar no Gigantinho, com as pessoas irritadas, aborrecidas, mas logo o mantra “eu acredito” voltou a ser entoado.

Eis que, a conexão ruim emitida pela CBF TV e pela plataforma MyCujoo, fez surgir um personagem inusitado na história campeão do Brusque: o torcedor “profeta”. Ele estava acompanhando pelo celular, enquanto todos estavam vidrados no telão. No entanto, sua transmissão estava cerca de 50 segundos na frente.

De repente, enquanto na tela grande não se apresentava nada de muito emocionante, ele se levantou nas cadeiras e gritou gol. A torcida ficou sem entender o porquê de aquele jovem gritar tão efusivamente, inclusive pedindo para os demais celebrarem também. Aí, pouco depois, o telão mostrou o motivo: era Thiago Alagoano empurrando a bola para a rede.

Pênaltis e a comemoração
Grande parte da torcida desceu das arquibancadas para o gramado. Queriam ver ainda mais de perto a cobrança de pênaltis – mesmo que ainda quase 3 mil quilômetros de distância de onde elas de fato ocorriam.

Entre estes torcedores estava Bruna Martins. Foi a primeira vez da jovem de 19 anos no estádio. “O pessoal sempre pedia pra eu vir, eu nunca vinha. Agora eu espero que dê sorte para o time e seja campeão, mas acho que vai dar sim”. O otimismo foi recompensado.

Cobrança após cobrança, as reações eram distintas. Todos foram acertando suas penalidades, o que gerava ainda mais ansiedade. No momento em que o Manaus perdeu sua cobrança, a esperança veio nos pés de Zé Carlos. Novamente, de cima da arquibancada, antes mesmo que ele cobrasse para quem via no telão, o grito de campeão era solto: o torcedor “profeta”, com sua conexão avançada, acusou para todos a conquista do mais importante título da história do Brusque Futebol Clube.