José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Semente

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Semente

José Francisco dos Santos

Estamos carentes de uma esperança fecunda, que inspire nossa juventude, e a todos nós, a uma mudança positiva. Tivemos um vislumbre dela, há quatro anos, no Rio de Janeiro, com a Jornada Mundial da Juventude. Jovens de vários países expressaram sua confiança num futuro melhor. Para um adulto mais experimentado nessa vida conturbada, isso pode parecer ingenuidade e entusiasmo vão, que não aguentarão os trancos da existência real e os desafios do dia a dia.

Mudar o mundo sempre pareceu uma utopia. Muitos imperadores tentaram fazê-lo a força, impondo sua mentalidade com o poder de seus exércitos. No século XX, os comunistas imaginaram que finalmente transformariam as coisas, com suas várias revoluções. Conseguiram apenas banhar a terra com o sangue de suas ditaduras bizarras, que tolheram a liberdade e deixaram um rastro de atraso por onde passaram.

Uma revolução positiva e duradoura tem que ser feita sobre outras bases. A que parece contagiar essa juventude, que lotou o Rio de Janeiro, começou com um jovem carpinteiro, de uma cidade inexpressiva. Ele não partilhava das ideologias políticas de seu tempo, nem se baseava na sabedoria dos “doutos”. Não escolheu como seguidores “nem sábios, nem ricos”. Simão Pedro, a quem confiou a continuidade de sua obra, era um pescador rude, analfabeto e já meio passado da idade. Alguns tinham passado condenável, como Mateus e Madalena. Outros eram homens e mulheres absolutamente comuns. Foram escolhidos porque o Mestre percebeu que, desde que tivessem os corações transformados, poderiam contagiar o resto da humanidade.

Não são discursos, nem artigos, nem livros que vão mudar o mundo. Se quisermos ter alguma participação positiva na revolução que o mundo precisa, precisamos começar a mudar a nós mesmos. Cada um de nós pode ser uma semente dessa mudança. A semente não precisa se preocupar com o resultado da colheita. Sua função é cair na terra e morrer para si mesma, para sua preguiça, suas vaidades tolas, suas tendências inferiores, e frutificar. Para ser medíocre não é preciso fazer nada. Basta relaxar e se deixar levar por esse tsunami gigantesco de estupidez que compromete o presente e o futuro de tantos jovens.

Só quem experimenta em si mesmo uma transformação positiva pode crer que o mundo pode ser melhor, apesar da correnteza que puxa para o lado contrário. Se eu sou melhor hoje do que era ontem então o mundo já está um pouco melhor. É a lógica dessa revolução. As sementes que frutificarem vão contagiar o mundo, como o fermento que leveda a massa e o sal que dá sabor.

Seja bem-vindo a um novo tempo, que já começou.

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