Setores de apoio da Buettner ameaçam deflagar nova greve

Apenas os funcionários da produção da empresa têm salários em dia. Para o Sintrafite, essa é uma estratégia para evitar perdas

Setores de apoio da Buettner ameaçam deflagar nova greve

Apenas os funcionários da produção da empresa têm salários em dia. Para o Sintrafite, essa é uma estratégia para evitar perdas

Em duas assembleias realizadas na quinta-feira, 5 de setembro, os trabalhadores da Fábrica Buettner definiram prazo para que os salários integrais de agosto – e parte do de julho – sejam depositados. Se a empresa não realizar o pagamento de 100% dos débitos em atraso até a próxima quinta-feira, 12, haverá paralisações. A possibilidade de nova greve também é cogitada.

Segundo os funcionários, a fábrica tem realizado os pagamentos em parcelas, seguindo um cronograma pré-estipulado. Para este mês, conforme proposta emitida pela empresa, empregados do setor de produção receberão o salário de agosto no dia 12, e dos setores de apoio – que envolve serviços como manutenção, confecção, mecânica e elétrica – receberão na semana seguinte, dia 19. Além disso, a Buettner deve aos trabalhadores desses setores 10% dos salários de julho.

O sindicato que representa os trabalhadores não concorda com o pagamento em parcelas, que está sendo realizado com datas diferentes para cada setor. Aníbal Boettger, presidente do Sintrafite, afirma que a fábrica tenta enfraquecer o movimento que luta por melhorias. “Isso não pode ocorrer de forma alguma. É uma maneira de enfraquecer os trabalhadores, pagando alguns e não pagando outros. Mas o pessoal demonstra que está unido e vai paralisar, se preciso for”.

Segundo Boettger, a proposta da fábrica é manter o depósito parcelado dos salários até outubro. Em novembro, a promessa é de que todos sejam colocados em dia. “O sindicato não concorda com isso. Decidimos que a integralidade dos valores deve ser depositada já”.

O último pagamento realizado pela empresa ocorreu no dia 14 de agosto. Nessa data, foi pago 25% dos salários de julho ao setor de produção e 15% aos setores de apoio. Anteriormente, no dia 12, havia sido depositado 75% dos valores. No momento, apenas a produção está com o salário em dia. Para o sindicato, essa é uma estratégia da empresa para evitar perdas. “Eles consideram prioridade o setor de produção, para que as atividades não parem e haja interferência nos negócios da fábrica. Assim, dão jeito de pagar na data certa, enquanto deixam os demais em segundo plano”, critica Boettger.

Justiça pode interferir

O assessor jurídico do Sintrafite, Márcio Silveira, afirma que apresentou denúncias à Procuradoria do Ministério do Trabalho, sobre a situação da fábrica. “No dia 12 de agosto, quando foi deflagrada a greve, comunicamos todas as irregularidades: atraso salarial, fundo de garantia, rescisões por dispensa sem justa causa, pedidos de demissão e rescisões indiretas, quase nada foi pago”.

Silveira também denunciou à procuradoria a decisão da empresa de pagar alguns setores antes dos outros. “Empresa não pode dividir o pagamento dos trabalhadores por setor. A Procuradoria reconheceu que isso não é possível, todos devem ganhar o pagamento em dia. O ato de dividir por categoria é ilegal e não será mais aceito”.

Greve ainda indefinida

A decisão da empresa de pagar alguns setores antes de outros provoca uma divisão entre os funcionários. Trabalhadores do setor de produção tem receio em participar de greve, já que estão com os salários em dia. No entanto, são cobrados pelos empregados dos setores de apoio, que cobram ‘solidariedade’. O assessor jurídico do Sintrafite, no entanto, não acredita que essa seja a saída. “Eles (produção) estão recebendo em dia. Não há sentido em um funcionário participar de greve se não houver atraso salarial. Eles podem, no máximo, fazer uma manifestação, em solidariedade aos demais. Mas uma greve geraria penalizações a eles”.

Para Boettger, a ideia é de que, se uma greve for deflagrada, todos os trabalhadores, mesmo os que estão com o salário em dia, deveriam paralisar as atividades, para pressionar a empresa a pagar o salário em datas únicas e parcelas inteiras. O MDD tentou entrar em contato com o presidente da Buettner, João Marchewsky, no entanto, até o fim da tarde de ontem, não se obteve resposta.
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