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Tempo médio de espera por consulta no SUS é de um ano e quatro meses em Brusque

Informação consta em relatório da comissão especial de saúde da Câmara de Brusque, divulgado nesta segunda-feira, 30

Na rede pública de saúde de Brusque a espera por uma consulta com médico especialista pode chegar a quase dois anos e meio, segundo relatório elaborado pela Comissão Especial de Saúde da Câmara de Brusque, apresentado nesta segunda-feira, 30.

O relatório elaborado pelo vereador Rogério dos Santos (PSD) informa que a espera média de atendimento por médico especialista, segundo a comissão, é de um ano e quatro meses.

O maior tempo de espera na fila registrado atualmente é de dois anos e três meses, na especialidade proctologia, que possui atualmente uma demanda represada de 518 consultas. A especialidade com maior demanda, por sua vez, é a oftalmologia, com 2.746 pessoas aguardando consulta.

Outras especialidades, como endocrinologia, cardiologia e ortopedia apresentam um tempo médio de espera de um ano e nove meses para a primeira consulta.

Há, porém, especialidades com tempo de espera menor. Reumatologia, dermatologia e pneumologia possuem demanda baixa, e um tempo de espera médio de quatro meses. Apenas duas especialidades não possuem nenhuma demanda represada: neurologia pediátrica e mastologia.

O relator afirma, em seu parecer, que há um número reduzido de especialistas atuando na saúde pública de Brusque, e que isso “interfere diretamente no tempo que o paciente permanece na fila de espera”. Para ele, o poder Executivo precisa estudar medidas urgentes para aumentar a oferta de consultas.

A comissão identificou, ainda, uma alta demanda represada de exames solicitados pela população. Atualmente, segundo o relatório, são 1.225 análises laboratoriais represadas.

O parecer identificou que a causa para tanta demora é a insuficiência de profissionais na área de bioquímica no quadro de pessoal da prefeitura. Exames de endoscopia digestiva também possuem alta demanda represada: 1.003, conforme o relatório.

Rogério dos Santos afirma, no relatório, que as demandas represadas poderiam ser ainda maiores, não fosse o fato de que procedimentos de média e alta complexidade são realizados também fora do município, por meio do consórcio de saúde da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi).

Relatório aponta deficiências
em unidades de saúde

O relatório da comissão de saúde apontou também diversas deficiências de estrutura, materiais e pessoal nas Unidades Básicas de Saúde de Brusque. Ao longo de seis meses, os vereadores visitaram os 23 postos do município, assim como outras instalações de saúde da prefeitura.

Das 23 unidades de saúde, 12 foram consideradas de estrutura suficiente, sete de estrutura regular e quatro de estrutura insuficiente.

Vereadores visitaram as 23 unidades de saúde do município durante seis meses | Foto: Arquivo O Município

Segundo os vereadores, as avaliações negativas são devido à precariedade de suas instalações e falta de espaço para atender a demanda de pacientes. Um ponto em comum entre todas elas foram as condições ruins de acessibilidade.

O relatório destaca, sobretudo, a situação da unidade de saúde do bairro Santa Luzia, a qual os vereadores entendem ser necessária uma reforma completa com urgência, ou até mesmo a alocação da unidade em outro local.

Em relação ao quadro de pessoal, o relatório destaca que há sobrecarga de trabalho em maior proporção aos funcionários das unidades dos bairros Ponta Russa, São Luiz e Steffen. 

A comissão também avaliou que, no que se refere à unidade de saúde do Centro, esta não deveria ocupar o mesmo espaço que o Centro de Serviços em Saúde, considerado pequeno para as duas estruturas.

Necessidade de contratação de pessoal

A contratação de agentes comunitários de saúde é a principal demanda apresentada pela comissão de saúde. Segundo os vereadores, a quantidade atual não é suficiente para cobrir a demanda de atendimento do município.

Averiguou-se, ainda, a falta de pessoal na área administrativa das unidades de saúde.

O relatório da comissão sugere, inclusive, que a prefeitura firme convênios com universidades, de forma a possibilitar a atuação de estagiários do curso de administração de empresas nos postos de saúde, para auxiliar os funcionários efetivos.

Demanda por profissionais

Área administrativa
UBS Dom Joaquim
UBS Guarani
UBS Paquetá
UBS Poço Fundo
UBS São Pedro
UBS Steffen

Dentista
UBS Águas Claras
UBS Dom Joaquim
UBS Guarani
UBS Jardim Maluche
UBS Rua Nova Trento
UBS Paquetá
UBS Poço Fundo
UBS Ponta Russa
UBS Rio Branco
UBS São João
UBS São Pedro
UBS Santa Rita
UBS Steffen

Auxiliar odontológico
UBS Nova Brasília
UBS Poço Fundo
UBS São Luiz

Técnico de enfermagem
UBS Dom Joaquim
UBS Poço Fundo
UBS Santa Luzia-Zantão