Um mês após enxurrada, moradores do Nova Brasília cobram reparos

Reportagem percorreu vias afetadas e registrou reclamações; prefeitura solicitará recursos ao governo federal

Um mês após enxurrada, moradores do Nova Brasília cobram reparos

Reportagem percorreu vias afetadas e registrou reclamações; prefeitura solicitará recursos ao governo federal

Os moradores do Nova Brasília ainda sofrem os reflexos da enxurrada que atingiu o bairro no dia 5 de janeiro. A situação se agravou ainda mais com as chuvas da semana passada. Com o objetivo de verificar como está o trabalho de recuperação, o Município Dia a Dia percorreu as vias mais afetadas na sexta-feira, 3.

Dez famílias ainda estão fora de casa. Elas moravam nas ruas José Winter, Sebastião Venâncio Foster e Osvaldo Niebuhr, considerados pontos críticos pela Defesa Civil, e agora vivem em outros locais, auxiliadas pelo aluguel social [veja no detalhe]. Não há previsão de quando os moradores poderão voltar aos seus lares, já que dependem do andamento das obras de reconstrução promovidas pela Secretaria de Obras.

O agente da Defesa Civil, Edevilson Cugik, diz que neste momento a situação está controlada. Ele avalia que a situação apenas poderá piorar caso volte a chover forte e em curto período de tempo. “Agora é aguardar as obras para que as famílias possam voltar para suas casas”.

Busca de recursos federais

A partir desta semana, a prefeitura trabalhará para buscar verbas federais para reconstrução das áreas afetadas. Na sexta-feira, 3, autoridades estiveram no gabinete do prefeito Jonas Paegle para tratar do assunto, inclusive o secretário de Estado de Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, que visitou alguns locais afetados.

A reunião teve o objetivo de apresentar ao prefeito um diagnóstico da situação e avaliar quais serão os próximos encaminhamentos. O primeiro passo, segundo a Defesa Civil municipal, será o de elencar as áreas prioritárias, trabalho que inicia nesta semana e deve durar cerca de sete dias. Com os locais identificados, o órgão fará uma estimativa de custo para encaminhar ao governo federal, que analisará em um prazo de até 90 dias.

“Esse recurso é fundamental para recuperação do município e para que a Secretaria de Obras possa trabalhar nestes locais, fazendo algo sólido para que as pessoas não voltem a ter esse tipo de problema. É uma forma de zelo pela vida”, afirma Cugik.

No entanto, alguns serviços pontuais estão em andamento. Depois de reclamações dos moradores, a Secretaria de Obras iniciou reparos de tubulação nas ruas João Heil e Joaquim Zucco, no fim da semana passada. Os consertos devem ser finalizados nos próximos dias.

O secretário de Obras, Renato de Borba, foi procurado pela reportagem inúmeras vezes, mas não foi localizado.

Manifestação

Os moradores do Nova Brasília estarão presentes na sessão de amanhã da Câmara de Vereadores, onde levarão um requerimento ao presidente do Legislativo, Jean Pirola. O objetivo é chamar atenção dos políticos sobre a situação dos constantes alagamentos no bairro. Os moradores também estudam comunicar o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) sobre o problema.

Aluguel social

O aluguel social tem caráter excepcional, transitório, concedido e destinado para pagamento de aluguel de imóvel de terceiros a famílias em situação de emergência. Tem direito a receber o benefício quem teve a moradia destruída, total ou parcial, ou interditada em função de condições climáticas, como deslizamentos, inundações e incêndios, conforme parecer técnico da Defesa Civil.


Mosquitos e mau cheiro

Além de ver o sofrimento de vizinhos que tiveram suas casas inundadas pela água, o empresário Jhonata Ferreira Nunes, que tem seu comércio no cruzamento da rodovia Antônio Heil com a rua Sebastião Venâncio Foster, afirma que há um mau cheiro “horrível” no local. Ele salienta que as bocas de lobo entupidas causam o problema. “Há moradores que perderam tudo. Além disso, em função da água parada vem muito mosquito e fica um odor bem forte”.


Padaria mudará de local

Foto: Daiane Benso
Foto: Daiane Benso

A situação é tão crítica que a empresária Jaqueline Tosse Otto terá que mudar o endereço da sua padaria, a Ottopan. Há seis meses instalada na Osvaldo Niebuhr, ela diz que só não entra água no estabelecimento porque ela providenciou uma comporta (barreira física contra a água), no entanto, em dias chuvosos os clientes não conseguem chegar ao local e toda a produção de pães, cucas e bolos acaba se perdendo. “Mesmo a água não entrando dentro da padaria, temos muito prejuízo, pois perdemos os produtos que estragam devido aos clientes não poderem comprar”, lamenta.


População indignada

Moradora da rua Osvaldo Niebuhr, a auxiliar administrativo Priscilla Miglioli afirma que os danos causados pelas chuvas são frutos do descaso do poder público ao longo dos anos. Ela avalia que com a paralisação da obra de macrodrenagem do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a situação piorou. Em 2011, Priscila perdeu todos os seus móveis, pois a água entrou na parte debaixo da sua casa. Carro e motocicleta também foram danificados. A moradora acredita que a retomada da obra resolverá o problema, pois a água terá vazão para o rio.

Foto: Daiane Benso
Foto: Daiane Benso

“É sempre uma apreensão quando chove. É um descaso conosco que pagamos IPTU e outros impostos e não somos enxergados. É um verdadeiro crime contra a população”.

Maria Lúcia Schmidt também se sente incomodada com a situação dos alagamentos na rua Osvaldo Niebuhr há quatro anos. Ela mora na rodovia Antônio Heil, porém, trabalha num órgão público nesta via. “Já estamos acostumados. Quando começa a chover muito temos que encerrar o expediente antes, pois sabemos que depois não conseguiremos sair”, conta.


Reparo apenas um mês depois

Foto: Daiane Benso
Foto: Daiane Benso

Na rua Ewaldo Bruns, cerca de 15 famílias foram atingidas com a enxurrada do começo do ano e ainda sofrem com a situação, pois a rua recebeu os primeiros reparos somente na última semana. A empresária Luciane Schmidt mora no local há cinco anos e até então nunca havia tido problemas relacionados às chuvas. Ela conta que a água do morro foi trazendo areia para a pista, fazendo com que a tubulação da calçada rompesse. Com isso também abriu uma cratera no asfalto, que impedia o acesso dos moradores às suas casas. “Ninguém tinha coragem de passar com o carro na rua. Há um mês aconteceu o problema, a prefeitura veio dois dias depois para arrumar a tubulação e depois não voltaram mais. Retornaram apenas hoje [sexta-feira,3]”, diz Luciane.

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