Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Alemães: a epopeia de uma imigração – A herança da terra

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Alemães: a epopeia de uma imigração – A herança da terra

Rosemari Glatz

O tema de hoje, na série sobre a imigração alemã, trata do regime de pequena propriedade, a família e a herança. Nas primeiras décadas da colonização, a colônia era caracterizada por uma integração ente a família do camponês e a sua propriedade. A família é que fornecia a força de trabalho suficiente para a produção na pequena propriedade. A disponibilidade de terras devolutas, o tamanho da colônia e a tradição alemã são os fatores que determinaram tanto o tipo de família como as formas de herança da terra.


A família “nuclear”
Uma colônia típica no vale do Itajaí-Mirim no século XIX era uma pequena empresa agrícola baseada em técnicas rudimentares. O tamanho da propriedade impedia a formação de famílias extensas e por isso, o tipo de família que se formou na área era nuclear – o casal e seus filhos. Como nessa época não havia para os filhos outra opção além do trabalho agrícola, a aquisição de terras a maior meta do chefe da família. Essas terras raramente ficavam contínuas ou próximas à colônia do comprador, porque continuavam a chegar imigrantes aos quais também se atribuíam lotes, e as terras disponíveis ficavam mais escassas e mais distantes a cada ano.


Três gerações, uma propriedade
Nas áreas rurais alemãs uma família geralmente era composta de três gerações vivendo na mesma propriedade: os pais, um dos filhos casados e sua prole. Os demais filhos eram obrigados a abandonar a propriedade dos pais. Como raramente o pai tinha condições para comprar terras para os demais filhos, e também em razão da própria escassez de terras, esses indivíduos tornavam-se assalariados (no campo, nas propriedades mais ricas ou na cidade como operários).


A herança da terra
Os processos de herança se mantiveram semelhantes ao sistema tradicional alemão. A propriedade dos pais ficava com um dos filhos (o mais moço) que tinham a obrigação de cuidar dos pais quando estes atingissem idade mais avançada. Essa alternativa – chamada ‘Minorat” – manteve a estrutura familiar do alemão.

Uma variação desse sistema é a compra da propriedade paterna por um dos filhos, que paga aos irmãos o valor da parcela de cada um (um arranjo decorrente da legislação brasileira que determina a partilha entre todos os filhos). Outra forma de impedir a fragmentação excessiva do lote era um dos herdeiros homens adquirir as parcelas que seriam herdadas pelas irmãs. Quase sempre os indivíduos que vendiam sua parte da herança, ou adquiriram terra dentro da área colonial ou iam se dedicar a outros afazeres (trabalhar nas serrarias, estradas ou em algum tipo de artesanato) até obter meios de comprar um lote.


Guabiruba: subdivisão mais intensa das terras
Na Colônia Itajahy-Brusque, em Guabiruba – onde os imigrantes badenses predominavam -, é que a subdivisão de terras foi mais intensa. No século XIX, no Grão-Ducado de Baden, no Palatinado e outras áreas da região do Reno, prevalecia a “Realerbteilung” – a partilha real dos bens entre os filhos foi uma das causas da emigração de muitos camponeses, assim como a “Anerbenrecht” – tradição feudal na qual só o primogênito herdava a propriedade dos pais. (Fonte: Giralda Seyferth, 1974). E aos que apreciam o tema imigração, valorizam cultura e história, faço um convite para um evento muito especial, o lançamento do livro:
Famílias de Origem Alemã no Estado de Santa Catarina.

Onde: Casa de Brusque. Avenida Otto Renaux, 285, bairro São Luiz, Brusque
Quando: dia 20 de maio de 2017 (sábado)
Horário: das 14h às 17h
Entrada franca
Sessão de autógrafos

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