Após aumento de casos de dengue, número de atendimentos dobra nos hospitais de Brusque

Coordenadores das instituições explicam os processos de atendimento e qual o tempo estimado para ser consultado

Após aumento de casos de dengue, número de atendimentos dobra nos hospitais de Brusque

Coordenadores das instituições explicam os processos de atendimento e qual o tempo estimado para ser consultado

Em decorrência do aumento de casos de dengue em Brusque, os hospitais do município estão superlotados. O Hospital Azambuja registrou em março 11 mil atendimentos, 54% a mais do que o usual, que é 7,1 mil por mês. Já o Hospital Dom Joaquim registrou oito mil atendimentos, o recorde desde o ano passado, quando a média era de 6,2 mil por mês.

“Antes não tínhamos tantos pacientes internados no pronto-socorro, ele era um setor de passagem, como deve ser. Hoje, com essa demanda de fluxo, às vezes há 26 pacientes internados”, afirma o coordenador do pronto-socorro e gerente médico do Hospital Azambuja, Rafael Bernardi Franceschetto.

Ele explica que a dengue não demanda urgência, o que o paciente necessita é a hidratação. Rafael afirma que para hidratar um paciente com dengue deve-se usar um litro de soro, o que demora cerca de duas horas. Neste tempo de hidratação, o paciente ocupa o lugar de outro, com um quadro sem gravidade.

“Entre poltronas e macas há 51 leitos dentro do pronto-socorro. Antes da dengue, o atendimento demorava em média de 45 minutos a uma hora. O paciente permanecia no hospital por duas horas para passar por todas as etapas. Hoje não conseguimos fazer a triagem do paciente em menos de duas horas. Ele permanece na instituição de seis a oito horas. E não há espaço física para ele ficar, por causa da superlotação”, diz.

Fluxo de pacientes

Na segunda-feira, 1º, o jornal O Município publicou uma matéria que mostrou reclamações sobre a demora de atendimento no hospital. Até por volta das 16h, o Hospital Azambuja havia registrado 620 atendimentos.

Até o fim do dia, a equipe atendeu mais 199 pessoas, totalizando 819 pacientes. Rafael diz que o pico de atendimento é por volta das 10h e 13h.

Já no Hospital Dom Joaquim, foram registrados 380 atendimentos na segunda-feira. “O pico vai das 7h até a meia-noite. O fluxo pela tarde e noite subiu bastante. Alguns dias tentamos trazer mais um médico por conta do hospital, mas não conseguimos manter sempre”, detalha o gerente administrativo do Hospital Dom Joaquim, Marcelo Augusto Pereira.

Milena Santana/O Município

Atendimentos usuais além da dengue

Além dos atendimentos pela dengue, o hospital não para de receber pacientes com outros problemas e doenças. Entre as demandas estão politraumatismo, gripe, problemas respiratórios e cardíacos. Rafael diz que, diariamente, o hospital recebe cerca de 40 ambulâncias, além das demandas de Guabiruba e Botuverá.

“Em uma conta simples, 12 mil atendimentos por mês dá 400 por dia para quatro médicos, que é a nossa equipe. Ficam 100 pessoas por dia para um médico atender. O profissional não consegue atender, nem hidratar, um paciente em seis minutos”.

No Hospital Dom Joaquim, a situação não é diferente. De acordo com Marcelo, em 2023, o hospital atendia cerca de 200 pacientes por dia. Atualmente, o número chega a 400.

“Muitas pessoas não vão no posto, mas sim direto no hospital. Às vezes ela passa três horas para renovar uma receita, tirar um ponto, o que poderia ser feito no posto”, diz Marcelo.

Uma idosa, que não quis se identificar, contou ao O Município que esperou três horas para um atendimento que durou cinco minutos.

O caso dela, como de muitos outros, não era grave, por isso houve a demora. Os coordenadores explicam que as reclamações, em sua maioria, são de pacientes em situações sem gravidade.

Marcelo afirma que o hospital não consegue manter o tempo de espera normal em casos não urgentes. Ele diz que o paciente espera cerca de três horas para ser atendido em um caso não grave.

Apoio da Secretaria de Saúde

Neste contexto, Rafael diz que uma solução para diminuir o fluxo de pacientes seria um ponto de triagem, como na época da pandemia da Covid-19, além dos pontos de hidratação nas UBS’s.

Ele afirma que cerca de 80% dos pacientes no hospital são classificados em azul e verde, que são casos não urgentes que podem ser hidratados nos polos. No caso das UBS’s, Rafael diz que a criação de polos e o ampliamento do horário de atendimento são benéficos.

Porém, para ele, a questão principal é a quantidade de novas fichas de atendimentos que são criadas pela secretaria. “Se esse diálogo com a prefeitura existe com mais intensidade haveria uma resposta maior. O momento exige isso”, diz.

Sobre isso, a secretária de Saúde, Thayse Rosa, afirma que, em média, cada polo atende cerca de 40 pacientes com dengue diariamente, além dos outros casos da unidade. Ela afirma que a secretaria paga o excedente de atendimentos conforme a produção.

“O hospital geralmente faz sete mil atendimentos mensais. Em dezembro esse atendimento foi a nove mil, por exemplo, e pagamos o excedente. O que muda da época da Covid-19, é que durante a crise sanitária da dengue pode ter mais pessoas para atendimento do que o serviço de saúde consiga absorver, e isso aumenta o tempo de espera”.

Ela diz que o cenário irá persistir pelos próximos dez dias e que, após esse período, a curva de transmissão irá diminuir. Os pacientes com sintomas vão até as UBS’s e ficam no polo para hidratação. Caso o quadro seja mais grave, o paciente é encaminhado ao hospital.

Término do verão e início do inverno

Ambos os coordenadores também afirmaram que, com o término do verão, os casos de dengue irão diminuir. Porém, com a chegada do inverno, a alta demanda de atendimentos não irá cessar, pois os problemas respiratórios serão a maioria das causas de consultas. “Isso não é uma expectativa, é a realidade”, frisa Rafael.


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