Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Biografias Familiares: João Bauer, o homem que fazia

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Biografias Familiares: João Bauer, o homem que fazia

Rosemari Glatz

João Bauer nasceu em 13 de novembro de 1849, na Baviera. Emigrou para o Brasil aos 11 anos acompanhando seu pai, o viúvo Balthasar Bauer. A família se fixou na na região de Guabiruba, que pertencia à Colônia Brusque, onde instalaram um engenho de serra, que teve baixa lucratividade. O jovem João Bauer queria mais e tinha muita força de vontade, então mudou-se para Itajaí onde trabalhou como ajudante de padeiro.

Com a ajuda do pai, juntaram algumas economias e a família conseguiu comprar uma propriedade em Guabiruba. Após a morte do pai, João Bauer se mudou para Brusque e montou uma pequena loja. Em 1890, fez a primeira experiência de indústria de fiação e tecelagem em Brusque. Foi forte comerciante e industrial, dono de muitos empreendimentos, e pessoa atuante na comunidade e na política.

Casamento, filhos e educação
Em 3 de novembro de 1871, João Bauer casou-se com Maria Olinger. Tiveram os filhos João, Leopoldo, Matilde, Jacob, Augusto (que se casou com Sophia Renaux, filha do Cônsul) e Maria Rosa. Já na idade adulta, depois de experiente comerciante, João Bauer ainda aprendeu a ler e escrever e não deixava de cultuar a música.

Os empreendimentos
Graças ao espírito jovial e sua disposição para servir, a sua a pequena loja prosperava. O comércio passou a servir a qualquer hora do dia ou da noite, abrindo aos feriados e até mesmo aos domingos, quando os colonos do interior, após a missa, lhe traziam os produtos agrícolas em troca de mercadorias. Diversos foram os empreendimentos de João Bauer, que iam desde estabelecimentos comerciais até veleiros (o Tigre, o Brusque) e o primeiro navio a vapor da região, o “Rudi”. Construiu a primeira rede de abastecimento d’água em Itajaí e foi proprietário de uma cervejaria e de um importante armazém de despachos, principalmente de madeira.

Em Brusque, foi introdutor do primeiro automóvel e instalou uma pequena rede d’água particular. Dedicou-se, ainda, a extração de mármore em Camboriú e ao comércio em Trombudo Central, onde teve casa comercial e montou uma importante serraria. João Bauer ainda instalou a primeira fábrica de tecidos de seda natural com teares de ferro e fábrica de gelo, possuindo também engenhos de serrar madeira, de arroz e de farinha. Como comerciante, possuia armazém e loja de fazendas e armarinhos.

A primeira usina hidrelétrica da região
A grande contribuição de João Bauer para o progresso econômico de Santa Catarina foi aproveitar o salto d’água da Planície Alta, em Guabiruba para instalar, em 1913, a primeira usina hidrelétrica na região. Com a disponibilidade de energia elétrica, a atividade industrial recebeu grande impulso e a demanda por energia elétrica em Brusque foi aumentando. Logo a usina já não tinha mais capacidade para atender a demanda, e no ano de 1922 João Bauer transferiu a usina para a Empresa Força e Luz Santa Catarina. No local onde funcionou a usina ainda permanecem instalados alguns equipamentos, possibilitando uma verdadeira viagem no tempo.

Atuação pública
Na área pública, João Bauer foi presidente do Diretório do Partido Republicano e o segundo administrador do Município de Brusque (entre 11/1897 e 03/1898), função na qual foi precedido por Adriano Schaefer e sucedido por Nicolau Gracher.

Bauer desviveu a 30 de abril de 1931, com 81 anos, e foi sepultado no Cemitério Católico de Brusque, na fé que professava e a cujas instituições apoiava. O ritual das exéquias foi realizado por seu neto, o Monsenhor Harry Bauer (filho de Leopoldo Bauer e Evelina Guerreiro). Fonte: III Colóquio de Estudos Teuto-Brasileiros. Porto Alegre: 1974.

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