Crianças utilizam mordidas como forma de comunicação, afirmam especialistas

Idade em que a incidência das mordidas é maior é entre 1 ano a 2 anos e meio

  • Por Miriany Farias
  • 6:30
  • Atualizado às 22:47

Crianças utilizam mordidas como forma de comunicação, afirmam especialistas

Idade em que a incidência das mordidas é maior é entre 1 ano a 2 anos e meio

  • Por Miriany Farias
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Enquanto a fala ainda não está bem desenvolvida, as crianças utilizam estratégias para se comunicarem. Uma delas é através das mordidas, que geralmente ocorrem nas creches. Porém, as marcas pelo corpo dos filhos causam desconforto nos pais, que cobram respostas das escolas. A maior incidência das mordidas ocorre entre 1 ano a 2 anos e meio.

Nesta fase em que a criança começa a desenvolver a oralidade, não possui maturidade emocional para se expressar pela fala. Sem conseguir se comunicar, ela usa a mordida para se defender ou pegar um brinquedo dos amigos. A psicopedagoga e diretora do Centro de Educação Infantil Pequenos Pensadores, Rosana de Oliveira Muller, explica que a fase da mordida como fala é passageira, mas durante os episódios é importante haver uma parceria entre escola e família.

Geralmente, Rosana conta que os pais são chamados na escola onde são orientados a conversarem com a criança. Porém, o professor nesse processo tem um papel fundamental. “É necessário conversar com a criança no momento em que ocorre a mordida, pois são muito pequenos e, como muitos permanecem no período integral, não adianta a professora falar com o pai no fim da tarde sobre uma situação que ocorreu no início da manhã”.

A professora, nestes casos, é quem mais pode intermediar a conversa com a criança e entender o porquê mordeu e explicar que ao invés de morder, pode pedir o que quer. “A professora tem capacidade e condições de intervir e explicar para a família o que aconteceu para que os pais também possam compreender o que ocorre na escola”, salienta Rosana.

A diretora Maristela Kuneski e a coordenadora pedagógica Valenska Suavi, do CEI Sofia Dubiella, acrescentam que a criança não morde com a intenção de machucar, pois ela está aprendendo a conquistar seu espaço. “É uma forma de expressar suas emoções e desejos”, diz Valenska.

Maristela orienta que quando a criança costuma morder, as famílias devem ficar atentas, utilizar de muito diálogo e, o mais importante: não bater na criança. “É necessário que os pais conversem quantas vezes for necessário para que a criança aprenda a conviver bem com o grupo”.

Além da estimulação da comunicação verbal, é necessário que a criança seja estimulada ao pedido de desculpa, com abraços ou algum ato de carinho ao colega. “É fundamental que tanto a família, quanto o CEI descubram formas de minimizar os atos de mordida, pois aos poucos a criança vai perceber outras formas de comunicação e melhorar a convivência”, diz Valenska.

Comportamento em casa
Quando a criança insiste nas mordidas após essa fase de desenvolvimento da fala, é necessário que professores e pais fiquem atentos ao comportamento no dia a dia, especialmente em casa. “Pode ser que ela queira chamar a atenção por algum problema que está ocorrendo em casa. Por isso é importante essa parceria entre escola e família”, comenta a psicopedagoga Rosana.

Ela acrescenta que quando se leva a família para a escola, é possível entender a dinâmica familiar e, então juntos, podem trabalhar com a criança da mesma maneira, com a mesma estratégia.

Outra influência para a incidência das mordidas, segundo a diretora do Centro de Educação Infantil dos Comerciários (CEI dos Comerciários), Anna Gevaerd, são as famosas brincadeiras de morder para fazer cócegas. “A criança então acaba simulando nos amigos o prazer que sente quando os pais ou familiares fazem em casa, mas não sabem medir a força e acabam machucando o colega”, diz.

Fase da dentição
Algumas vezes, os bebês menores de um ano também mordem os colegas nas creches. Porém, no caso deles, a motivação é outra, pois nesta fase, utilizam a mordida por conta do nascimento dos primeiros dentes de leite. “Não dá para dizer que é por conta de um fator só. Tem vários motivos. Mas os bebês é mais por causa da coceira, irritação e então tem a necessidade da mordida”, explica Rosana.

 

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