Cultura e falta de fiscalização prejudicam combate à caça de animais na região

Cultura da caça persiste e ameaça continuidade de espécies do Parque Nacional da Serra do Itaja

Cultura e falta de fiscalização prejudicam combate à caça de animais na região

Cultura da caça persiste e ameaça continuidade de espécies do Parque Nacional da Serra do Itaja

A cultura da caça trazida pelos colonizadores germânicos para a região de Brusque persiste até hoje. Polícia Militar Ambiental e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsáveis pela fiscalização da atividade ilegal, registraram várias denúncias. Mesmo com efetivos reduzidos, os dois órgãos realizaram operações para coibir a prática neste ano, em pleno século XXI, mais de 150 anos depois da chegada dos primeiros imigrantes.

Segundo dados do ICMBio, que cuida do Parque Nacional da Serra do Itajaí (Parna), até outubro foram feitas 30 denúncias de pessoas praticando caça no parque que abrange mais de 57 mil hectares de terras, passando por nove municípios da região – dentre eles Guabiruba e Botuverá. A dois meses de fechar o ano, a estatística já ultrapassou o ano de 2013 inteiro, que teve 29 denúncias em 12 meses.

Viviane Daufemback, chefe do Parna, afirma que o número é considerado alto. “A caça aqui na região é bem frequente. A gente acredita que tenha uma influência cultural, mas também tem o interesse econômico”, diz. Apesar da magnitude do problema, cinco analistas ambientais têm de dar conta de fiscalizar todo o parque, o que, humanamente, é impossível.

O tenente Márcio Jean Ricardo, comandante do pelotão da Polícia Ambiental de Blumenau, que cobre 16 municípios do Médio Vale, afirma que há uma guarnição por dia para cuidar de toda esta área. “A caça ocorre em todos os municípios da nossa circunscrição, mas não conseguimos atender toda a demanda. Em Brusque, não temos tanta presença porque está mais distante do pelotão, e as denúncias acontecem mais na região de Blumenau”, afirma o tenente.

O problema do efetivo da Polícia Ambiental é difícil de ser resolvido, de acordo com o tenente, porque não é possível pedir apoio da PM convencional em muitas operações. O militar diz que é preciso ter conhecimento da legislação ambiental para não acontecer de quebrar a lei durante as apreensões.

Diferentemente do senso comum de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) faz a fiscalização e o licenciamento de animais silvestres, esta atribuição foi repassada para a Fundação do Meio Ambiente (Fatma), do governo estadual. O agente ambiental federal Márcio Burgonovo, explica que hoje o órgão cuida das fronteiras e estradas, enquanto que os estados ficaram com a incumbência de licenciar, por exemplo, aves.

Cultura

A bióloga Viviane afirma que a cultura de caça ainda é muito presente na região e ainda persiste. “Há pessoas mais velhas, mas já pegamos pessoas mais novas, inclusive, menores com adultos caçando. Então esses costumes estão passando de geração em geração”, afirma. Segundo ela, aves, tatus, pacas e quatis são as espécies mais visadas pelos caçadores.

O major Marledo Egídio Costa, do Batalhão da Polícia Ambiental de Florianópolis, diz que a região do Vale do Itajaí tem uma alta incidência de caça, o que, na visão dele, contrasta com outros lugares de Santa Catarina colonizados por açorianos e outros povos. “É uma questão cultural, sim, que estamos tentando trabalhar. Fazemos alguns projetos com os mais novos para mostrar a importância de preservar o meio ambiente, mas é complicado, é um trabalho de formiguinha.

A natureza é quem mais sofre com a prática na região. A bióloga Viviane explica que a caça faz com que haja uma diminuição da oferta de alimento para animais como o puma (também conhecido como onça parda), que já está ameaçado de extinção, com isso a sobrevivência dele fica ameaçada. Há várias espécies correndo este risco, dentre elas algumas aves, que podem sumir a não ser que a ação de caçadores não seja encerrada de uma vez por todas.

Exceção

O javali é a única espécie que é permitida a caça em todo o território nacional. O agente ambiental Burgonovo afirma que isso acontece porque o animal não é nativo do país e é prejudicial para a lavoura. “Pode caçar, mas não pode revender, é só para consumo próprio”, explica.

Ocorrências no Parque Nacional da Serra do Itajaí
Dado 2012 /  2013
Rifles apreendidos 10 / 33
Cartuchos 196 / 3.733
Armadilhas 27 / 21
Aves 11 / 22
Pessoas presas 11/ 14

Os mais caçados de 2014

– Aves
– Tatu
– Paca
– Quati
– Veado

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