Ele deixou a Prefeitura de Brusque em 31 de dezembro de 1996, último mandato antes de ter sido aprovada a reeleição para prefeitos.

No entanto, estava convicto que, se pudesse concorrer a um novo mandato, não teria sido eleito, ainda que a aprovação de seu governo estivesse próxima de 60%.

“Embora tenha feito uma gestão administrativamente muito boa, cometi alguns erros fundamentais. Por exemplo, articulação política, foi o principal. Na atual conjuntura, se não souber se articular acaba pagando caro por isso”.

A afirmação é do ex-prefeito Danilo Moritz, filiado ao PDT, que governou a cidade por quatro anos, entre 1993 e 1996.

 

Perfil

Danilo Moritz
Idade: 67 anos
Profissão: empresário
Partido: PDT
Mandato: 1ª de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996

Além de problemas na articulação política, ele afirma ter errado na escolha da equipe de governo. “Algumas peças eu deveria ter trocado e não troquei”.

Após deixar o governo, Moritz criou a Intelectus, empresa que se dedica a atividades da gestão pública, prestando consultorias. Especializou-se, ainda, em programas de qualidade e produtividade e elaboração de projetos.

Nas últimas eleições, tem atuado no assessoramento de candidatos a prefeito e vereador, e dado palestras e cursos sobre gestão pública.

Continua a frequentar as reuniões do PDT, embora não faça parte do diretório. Participa ainda de um grupo informal, que se reúne semanalmente.

Esse grupo, diz ele, tende a se formalizar, sem sigla partidária, cujo objetivo é elaborar um plano estratégico para o desenvolvimento de Brusque, a ser apresentado na próxima eleição municipal, a ser encabeçado por algum candidato.

Depois de 1996, ele não voltou a concorrer a cargos eletivos. Afirma que não era um projeto pessoal a continuidade na vida política.

“Eu não nasci para ser o rei, o que eu gosto é de estar na retaguarda, fazer planejamento, preparar candidatos. Até aceitaria algum cargo de gestão, mas cargo eletivo não”, afirma.

  • Assista à entrevista em vídeo:

Avaliação da atual gestão

Questionado sobre o que pensa da atual gestão da Prefeitura de Brusque, comandada por Jonas Paegle, Moritz diz que tem a acompanhado apenas pelas notícias. Sua preocupação, contudo, não é com o governo, mas com a política local.

“Minha preocupação é com a situação de mediocridade a que chegou a política”, afirma.

“Na eleição passada, tivemos sete candidatos a prefeito, e você não ouviu algum candidato ter em mãos ou falar sobre um projeto para o futuro de Brusque. Nisto está a mediocridade”, discursa.

“Eu não tenho ouvido na Câmara debate algum sobre a Brusque que nós queremos para as futuras gerações, não vejo nada, e isso é impensável”, continua o ex-prefeito.

Com relação à gestão Paegle e Ari Vequi, o ex-prefeito afirma acreditar que ambos estão bem intencionados e querem fazer o melhor, mas faz ressalvas.

“Falando politicamente, acho que vai ser uma gestão sem grandes inovações, uma gestão talvez correta, administrativamente, mas não irá transformar Brusque. Se isso acontecer, vou bater palmas”.

Moritz critica também a mudança de governo promovida pelas decisões do Judiciário, que cassaram o mandato de Paulo Eccel (PT).

“Havia um governo instalado e organizado. A saída trouxe muito prejuízo. No fundo foi um absurdo, a cassação foi injusta. Houve lá conchavos politicos que levaram à cassação”.

Os seus tempos de governo

Moritz considera a educação como a melhor herança deixada pelo seu governo, que foi sucessor de Ciro Roza (PSB).

Professor, ele conta que havia grande influência para indicação de nomes políticos pela Secretaria de Educação, mas resistiu a isso, nomeando para a pasta o padre Nestor Eckert, o qual ele considera ter feito o melhor trabalho na secretaria de todos os tempos.

Sua melhor decisão, avalia, foi ter escolhido “não fazer política-partidária, mas política educacional”.

No seu governo foram realizadas obras como a avenida Arno Carlos Gracher, a avenida das Comunidades e a ponte do Jardim Maluche. Questionado se haveria algo que não tenha feito e gostaria de ter executado, respondeu o seguinte.

“O sonho era ter feito muito mais, mas dentro das possibilidades, aquilo que estava no plano de governo foi cumprido 100%”, diz o ex-prefeito.

No início do mandato, Moritz tinha a maioria dos vereadores ao seu lado.

Porém, quando Ciro Roza deixou o PDT e foi para o extinto PFL, as coisas se complicaram. Vereadores que eram da base também mudaram de partido e, pouco tempo depois, houve um rompimento entre as siglas.

Com isso, o governo passou a ter minoria no Legislativo, e a amargar suas previsíveis consequências. “A Câmara começou a bater, querer fazer CPI”, relembra.

Logo, porém, ele capitaneou o apoio do PMDB, que lhe deu força para aprovar projetos. Destaca, no partido, especialmente o advogado Marcus Antônio Luiz da Silva, o Marcão.

“Devo muito ao Marcão do PMDB, que foi um dos grandes defensores depois que tivemos a minoria e que o grupo do Ciro ficou contra nós na Câmara”, explica.

Dois livros saindo do forno

Quando Moritz saiu da prefeitura, seu objetivo era buscar a resposta a uma pergunta que o encucava. O que leva uma gestão ao sucesso administrativo e político?

Realizou uma pesquisa em mais de 50 prefeituras, que foi base para seu trabalho de conclusão de curso em um MBA em gestão pública.

Esse tema será aprofundado para virar livro. Segundo o ex-prefeito, a publicação está praticamente concluída, e deve ser lançada no próximo ano.

Outro livro que ele planeja, porém, ainda não tem data para ser divulgado. Trata-se de relatos sobre o tempo em que atuou na ADRVale, uma ONG criada pela Fiesc e pelo Sebrae no início dos anos 2000.

Moritz atuou nesta ONG durante alguns anos após sair da prefeitura. A ADRVale foi alvo de inúmeras denúncias relativas aos convênios por ela firmados, e seus dirigentes foram incluídos.

A investigação sobre o caso envolvendo o ex-prefeito foi arquivada, mas não se trata de um assunto por ele esquecido.

“As denúncias prejudicaram muito a imagem de algumas pessoas de Brusque que são éticas, extremamente sérias, comprometidas com a sociedade, e tiveram o nome prejudicado e manchado”, afirma.

“Me sinto na obrigação de deixar isso escrito, esse testemunho para que a verdade possa prevalecer. Não tenho medo da verdade, pelo contrário, mas como está havendo todos esses escândalos, não sei se é o momento de fazer”, diz.

Moritz afirma já ter conversado com autoridades da área jurídica sobre o livro, e afirma que ele certamente será lançado. Só não se sabe, ainda, quando isso acontecerá.

Prognósticos para a eleição

Para Moritz, não são bons os prognósticos para as eleições gerais do próximo ano. Isso porque, segundo ele, os partidos políticos estão conseguindo enganar o eleitor mais uma vez.

“O eleitor está sendo tratado como boiada pela classe política. Estão simplesmente trocando o nome dos partidos para enganar o povo. A maioria vai se eleger novamente, vai continuar tudo na mesma”, opina.

Ele diz que está perplexo com a falta de reação do povo brasileiro aos casos de corrupção noticiados no governo Michel Temer. Indignação, ele avalia, que não faltava quando o governo era de Dilma Rousseff.

“Quando povo saiu a rua, imaginava-se que a população tinha vestido a camisa do país. Derrubaram o governo do PT, e agora o país está sendo governado pelo grupo mais corrupto da história. Onde é que estão as panelas?”, questiona.

“Ninguém diz nada, os escândalos foram comprovados. Imagina se tivessem, três anos atrás, achado R$ 50 milhões na casa de algum ministro. A omissão do povo é a grande questão”.

Moritz acredita que essa falta de credibilidade e confiança na classe política é que está levando à viabilização de candidaturas antes dadas como utópicas.

“É por isso que um louco é capaz de ir para o segundo turno, o Bolsonaro. Deus me livre, mas é isso aí, ninguém acredita mais em nada, tem que acreditar no Bolsonaro”, opina.

Sobre a política no âmbito local, Moritz avalia que não deve haver grandes mudanças em relação à última. Para ele, Serafim Venzon (PSDB) deve concorrer e ser reeleito, e o governo também deve lançar um candidato. Na opinião do ex-prefeito, será o vice-prefeito Ari Vequi, do PMDB.

Ele também acredita na candidatura de Jean Pirola pelo PP, e outra do PPS, o qual, na avaliação do ex-prefeito, deve ter mais filiados novos.

“Dizem que o próprio Danilo Rezini deve voltar ao PPS, que é o ninho dele, e sair do PMDB, que ali acho que o espaço dele ficou um pouco limitado”.

Para ele, o PPS, assim como outros partidos, já trabalha de olho nas eleições municipais, e o nome de Michel Belli, presidente da CDL, é um dos mais comentados.

“O grupo que está na prefeitura certamente não ficará sem candidato. O prefeito Jonas, se estiver bem no Ibope, poderá ir à reeleição, ou seu vice Ari Vequi, que também sonha com a cadeira. O deputado Venzon já está dizendo que será candidato. Mas, isto ele tem dito em todas as eleições”, opina.

“E a agora, com sua absolvição no STF, o ex-prefeito Paulo Eccel certamente será candidato. Resta saber se ele irá conseguir se desvencilhar da sigla e do ex-presidente Lula”, conclui.

 

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