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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: Carnaval zero e Brusque nota dez

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Editorial: Carnaval zero e Brusque nota dez

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Quem procurou alguma matéria sobre o carnaval de Brusque no Jornal O Município não encontrou nenhuma linha. Não que o jornal tenha se negado a falar do tema ou que foi relapso na cobertura do evento. Simplesmente na nossa cidade não há mais carnaval. Nem clubes, nem poder público, nem grupos de amigos, ninguém entrou no clima.

Muitos saudosistas vão trazer na lembrança, de décadas atrás, uma festa pulsante, quanto os clubes Paysandu e Carlos Renaux rivalizavam, além do futebol, o carnaval.

A cidade se agitava com os carros alegóricos e os blocos que desfilavam pelo centro de Brusque levando junto os foliões. Os bailes eram disputadíssimos e tinha até eleição de rainha.

Também foi sucesso o carnaval nas cidades vizinhas, como o caso de Nova Trento, que também tinha nas sociedades o ponto forte desta data, com a disputa da melhor festa entre a Sociedade Recreativa Humaitá e a Sociedade Primavera.

Mas tudo isso virou história. O carnaval para o brusquense tornou-se um feriado, em vez de uma festa, e como tal é aproveitado para descanso, para ir à praia e para viajar. Vale tudo, menos a folia e a agitação que vimos em outras cidades e que fazem o estereótipo do brasileiro.

Torcemos o nariz para tanta “alegria” despropositada e tanto tempo de ócio. Há uma preferência ao descanso contrapondo a folia

Podemos até imaginar que seria possível reviver aqueles tempos, mas tal ideia não encontra amparo nos novos hábitos da cidade.

Não podemos saber ao certo em que momento se perdeu o interesse por este tipo de festa, mas sabemos que novas opções de diversão e a facilidade de locomoção para outras cidades dividem o tempo e atenção do público de hoje.

Até se tentou ações para reviver os tempos áureos tanto por iniciativas privadas como públicas. A última foi em 2015 quando a prefeitura promoveu uma noite de carnaval no pavilhão Maria Celina Vidotto Imhof. Mesmo com direito à bateria de escola de Samba e entrada gratuita, a festa não empolgou.

Parece que a cultura de pular o carnaval por aqui não decola mesmo. Talvez porque a nossa região entenda melhor o que está acontecendo no Brasil e não vê nenhum motivo para uma alegria fugaz num momento tão difícil.

A impressão que dá é que as pessoas até torcem para que o carnaval acabe mais cedo. Neste sentido, a mudança do feriado parece estar em sintonia com a vontade de emendar a segunda e começar a semana na terça enquanto o Brasil inteiro vai dar aquela emendada até quarta-feira de cinzas ou o resto da semana, como fazem muitas cidades.

O símbolo do Brasil como o país do samba definitivamente não se encaixa com o brusquense. Torcemos o nariz para tanta “alegria” despropositada e tanto tempo de ócio. Há uma preferência ao descanso contrapondo a folia, para uma volta ao trabalho mais motivada e determinada.

Este contraponto vem de uma cultura forte, que tem valores e atitudes diferentes.

Aqui estamos mais dispostos a ir à rua fazer uma manifestação contra a corrupção e privilégios do setor público, como aconteceu em 2016, do que ir à rua para brincar o carnaval.

Diante deste quadro, se tivéssemos uma comissão julgadora que fosse nos analisar, certamente teríamos nota zero em evolução, em animação, ou em qualquer outro critério carnavalesco. Não que o povo daqui não goste de festa, na verdade ele adora, e tem um calendário repleto delas.

Mas são festas ao seu jeito, envolvendo a comunidade, a gastronomia, os costumes, estas são nota dez. Para estas o povo abre alas, para as demais nem com mamãe eu quero a coisa vai.

 

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