Em busca de passageiros, consórcio Nosso Brusque tenta manter investimentos

Para Hermes Klann, diretor do consórcio, o setor passa por uma crise causada em parte pelo aumento do preço dos combustíveis

Em busca de passageiros, consórcio Nosso Brusque tenta manter investimentos

Para Hermes Klann, diretor do consórcio, o setor passa por uma crise causada em parte pelo aumento do preço dos combustíveis

Em todo o país, cidades têm enfrentado problemas no transporte coletivo urbano. O caso mais recente envolve Blumenau, no qual, após anos de enfrentamento entre a prefeitura e o consórcio Siga, culminou da quebra de contrato e suspensão dos serviços por alguns dias.

Para Hermes Klann, diretor do consórcio Nosso Brusque, formado pelas empresas Santa Terezinha e Santa Luzia, que administra o transporte urbano de passageiros em Brusque, o setor passa por uma crise. “Está num contexto de crise, e o motivo disso é uma série de fatores, mas passa pela política de tarifa”, afirma. “A gente não ouve falar bem do transporte coletivo do país, como um todo”.

O aumento do preço dos combustíveis, que hoje corresponde a 30% dos cursos da prestação do serviço, também afeta o setor. Atualmente, segundo Klann, a demanda de passageiros está estabilizada, com leve queda.

Uma grande dificuldade para o setor é a entrada desenfreada de carros nas ruas, devido às facilidades de financiamento. “É muito fácil a aquisição de automóvel, de uma moto, tanto é que hoje é um problema o trânsito, o atraso nas viagens, mais consumo de óleo diesel, porque fica parado, isso traz prejuízo automaticamente para o transporte de passageiros”.

O empresário falou ao Município Dia a Dia sobre os planos da empresa para o transporte coletivo de passageiros em Brusque, além das dificuldades de manutenção da qualidade do serviço, por causa da política tarifária e da falta de incentivos fiscais por parte do governo federal.

Ele relata ainda o custo da meia entrada e da gratuidade, que é pago pelos passageiros que não usufruem do benefício. Atualmente, por exemplo, em torno de 13% dos passageiros são estudantes, que pagam a metade do preço da tarifa.


O transporte coletivo em Brusque
“Aqui em Brusque temos focado no bom atendimento, para tentar trazer o passageiro, temos 20% da frota do sistema urbano com ar-condicionado, temos wi-fi em quase toda a frota, e a gente tem buscado, dentro da condições, melhorar. Não temos parado de fazer investimento para trazer esse passageiro para o sistema, para viabilizar o negócio”.

Planos e investimentos
“Para esse ano a gente vai colocar em circulação mais veículos novos, mais horários. Os veículos que serão colocados em operação serão todos com ar condicionado e wi-fi, é um trabalho para tentar buscar o passageiro”.

A política de tarifa
“É complicado a gente emitir uma ideia sobre a política de tarifa. Tu tens um preço pelo serviço e precisa receber, quem vai pagar é o passageiro. Acho que mais na frente o poder público vai ter que buscar subsídios para ajudar a pagar esse serviço. O caminho é esse, porque o passageiro não consegue pagar o valor que tem que ser pago pelo serviço prestado, é sempre muita reclamação”.

Gratuidade e meia entrada
“Não tem almoço grátis, o 50% do estudante alguém tem que pagar. Quem vai pagar? O pessoal que paga a tarifa cheia. Essas outras gratuidades também, isso faz parte da planilha e vai repercutir no valor da tarifa”.

A manutenção do serviço
“A gente se vira nos 30. Temos o serviço urbano, intermunicipal urbano, intermunicipal, fretamento e turismo. A junção de tudo é que da uma sobrevida. A gente vai tentando melhorar sempre, mas a coisa não tá muito boa”.

O papel do governo na crise
“Quem tem culpa, né? O governo, não sei. O que precisaria do governo é um incentivo fiscal para compra de combustível, para compra de veículos, isso o setor já vem reivindicando, mas isso é uma coisa muito difícil, a gente está brigando a nível de sindicato para que busquem esse incentivo, para compra de óleo diesel e chassi, que hoje não tem nada disso”.

Prognósticos para a próxima década
“Não sei dizer nem no próximo ano. A gente não vislumbra um crescimento. Estamos fazendo de tudo para tentar buscar passageiro, mas é difícil, não dá para vislumbrar ou dar uma opinião de como vai ser. Não sei como vai ser ano que vem, se a política de incentivo para compra de veículos vai ser implementada. Tem que haver um agente facilitador para que a gente possa comprar. Se não houver, não sei, tem que fazer um dia de cada vez”.

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