Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

A evolução territorial de Brusque e os desmembramentos – Parte II

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

A evolução territorial de Brusque e os desmembramentos – Parte II

Rosemari Glatz

Do território que originalmente formava Brusque, tiveram origem aos municípios de Vidal Ramos, Presidente Nereu, Botuverá, Guabiruba e Nova Trento. Apenas uma pequena parte do território continuou pertencendo a Brusque. Após o fim do período colonial, Nova Trento passou a fazer parte do município de Tijucas e a comunidade neotrentina foi emancipada política e administrativamente em 08/08/1892.

As primeiras ocupações do território de Nova Trento
Conforme informações do site da Prefeitura de Nova Trento (2018), a história do município inicia muito tempo antes da chegada dos primeiros imigrantes trentino-italianos, provenientes da região norte da Itália, a partir de 1875.

No período de 1834 e 1838, esta região do Vale do Rio Tijucas havia sido ocupada por norte-americanos, com a intenção de explorar a madeira abundante do local. Uma serraria foi montada próximo ao atual centro da cidade, aproveitando-se a correnteza do Ribeirão Alferes, Braço do Rio Tijucas-Grande. Christóvão Bonsfield, negociante estabelecido em Nossa Senhora do Desterro, foi o grande propulsor do negócio. Porém, anos depois, devido às dificuldades encontradas, o território foi abandonado e suas propriedades passaram a Pedro Kohn. Anos depois, na formação da colônia Nova Trento, as propriedades de Pedro Kohn foram vendidas ao Governo Provincial.

A colonização definitiva de Nova Trento
Anos mais tarde, a partir de 1875, começam a chegar os primeiros grupos de imigrantes trentino-italianos. Eles deixaram para trás um período de crise, fome, miséria e desesperança, na qual a Europa passava. O momento coincidiu com a vontade governamental brasileira de povoar as terras localizadas ao sul. Aliciados pelas companhias de imigração, os imigrantes aportaram no Brasil com a promessa de encontrar uma terra “onde se plantando tudo dá”, rios e riachos em abundância, moradia e trabalho remunerado.

Do porto de Itajaí, os imigrantes foram deslocados para regiões de mata virgem, sem boas condições de comunicação. O grupo dos primeiros imigrantes, cerca de 20 famílias originárias da Valsugana, no Alto Vale do Brenta, no Trentino e de Monza, se estabeleceram a 16 quilômetros da atual Nova Trento. Abriu-se uma picada na linha Pomerânia (por Brusque), até a linha Tirol, e nos lotes marginais as famílias foram se estabelecendo. Ao invés de terrenos limpos, encontraram mata fechada, insetos, animais que desconheciam e os índios (os bugres), os primeiros habitantes desta localidade.

Em 1876, famílias inteiras estavam estabelecidas nas colônias Itajaí-Brusque e Príncipe Dom Pedro. A imigração intensificou-se nos anos seguintes, inclusive com a vinda de alemães, poloneses e outros povos europeus.

A emancipação da Colônia e a Criação do Distrito Policial
Em 18/11/1881, o Decreto nº 8.455 emancipou as colônias da região, inclusive aquela a que Nova Trento pertencia.

Em 02/01/1884 foi criado o Distrito Policial de Nova Trento, tendo como primeiro subdelegado de polícia, Hipólito Boiteux.

Em 04/04/1884, o Dr. Francisco Luiz da Gama Rosa, presidente da Província de Santa Catarina, sancionou a Lei nº 1.074, criando a freguesia e o Distrito de Paz de Nova Trento.

A criação do município e o primeiro prefeito de Nova Trento
Em 08/08/1892, através da Lei Provincial promulgada pelo presidente da província, tenente Joaquim Machado, Nova Trento tornou-se município.

Em 21 de dezembro de 1892, foi criado o Conselho Municipal para dirigir o município até as suas primeiras eleições, que ocorreram somente em 1894 com o voto indireto, elegendo Henrique Boiteux, primeiro prefeito.

Continua na próxima semana.