Fechamento da Casa de Passagem é discutido em audiência

Prós e contras do serviço foram elencados, mas não houve consenso sobre seu fechamento ou permanência

Fechamento da Casa de Passagem é discutido em audiência

Prós e contras do serviço foram elencados, mas não houve consenso sobre seu fechamento ou permanência

A situação do Abrigo Institucional de Brusque, conhecido como Casa de Passagem, foi debatida novamente na noite de ontem, quando foi realizada audiência pública sobre o tema, na Câmara de Vereadores. Com representantes do Executivo, Legislativo, Polícia Militar, Unifebe e membros da sociedade civil, mais uma vez, não houve consenso sobre o tema.

Rodrigo Voltolini, secretário de Assistência Social e Habitação, detalhou o trabalho da pasta junto aos moradores de rua, o qual ele estima serem em torno de 100 pessoas, atualmente. “É um grupo que possui em comum a pobreza extrema e os vínculos familiares interrompidos”, disse.

Ele comentou a atual situação da Casa de Passagem, e disse que em maio ela custou pouco menos de R$ 50 mil ao município. Voltolini disse que há baixa adesão ao abrigo. “De 100 moradores cadastrados na abordagem social, só nove foram acolhidos no abrigo. Alguma coisa de errado está acontecendo”.

O secretário classifica como “alto” o custo de manutenção do serviço, cujo objetivo é a reintegração social, o que, para ele, não está acontecendo. “O morador de rua vai lá, come, dorme e volta para a situação de rua, porque não adere ao plano de reestruturação”.

A proposta do atual governo, segundo ele, é fornecer outros meios de reintegrar o morador de rua à sociedade. Ele citou como exemplos facilitar o acesso ao programa Bolsa Família, e a programas como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o aluguel social e acompanhamento do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

Voltolini também manifestou a intenção de firmar convênios com comunidades terapêuticas, para tratamento dos moradores de rua que são usuários de álcool e drogas. Segundo o secretário, essas entidades viabilizariam o acolhimento ao custo mensal de R$ 1 mil por pessoa.
“Quantas poderíamos atender dessa maneira com o dinheiro que é gasto no abrigo”, ponderou.

O vereador Moacir Giraldi (PTdoB) disse que é a favor do fechamento da Casa de Passagem e utilização do recurso nas comunidades terapêuticas. Segundo Giraldi, é esse também o entendimento do prefeito interino, Roberto Prudêncio Neto. O secretário, porém, diz que ainda não há como confirmar se a casa irá fechar ou não. Ele garante que, por ora, permanece aberta, e que o governo vai debater ainda mais essa questão.
Abrigo fora da área urbana

Uma dessas comunidades terapêuticas é comandada por Ademir Luiz Fischer, responsável pela fazenda Canaã, no bairro Limeira, de recuperação de moradores de rua que são usuários de drogas. Ele critica o modelo de abrigo utilizado em Brusque, apesar de defender que não seja fechado. “Uma coisa fundamental é que a casa deveria ser numa área rural, não urbana. O maior erro é deixar o residente sair na parte da manhã, ele sai e vai usar droga, vai incomodar a população. Sou a favor que a casa fique aberta, mas algumas coisas tem que mudar”.

Audinei Eugênio de Souza, o Nei, membro da fazenda Canaã e que já trabalhou na Casa de Passagem de Brusque, cobrou maior empenho do poder público. “Temos que nos unir e dar um rumo para essas pessoas. Estou lutando por essa causa porque eu tive jeito. As pessoas que estão em situação de rua têm uma história por trás disso, ninguém entra no fundo do poço de graça”, afirmou.
Rodrigo Ramos de Oliveira, falando pela Associação de Moradores da rua Hercílio Luz, onde fica o abrigo, lembrou que os moradores de lá sempre foram contra a sua implantação naquele local, e que eles não foram ouvidos pela prefeitura. Guilherme Madeira, um dos funcionários do local, também tem dúvidas sobre sua efetividade.

“Construímos um trabalho com as pessoas, as pessoas usufruem do trabalho que possibilitamos a ela e depois fica muito mais fácil voltar para o Centro, para beber”, disse, “já testemunhei casos em que os moradores da Hercílio Luz se incomodaram com isso”.

Por outro lado, diversos ex-moradores de rua foram à tribuna pedir aos vereadores que atuem para que a casa permaneça aberta, citando que não teriam se recuperado sem a ajuda de instituições como essa. O vereador Felipe Belotto (PT), líder da oposição, também defendeu a permanência do espaço, reiterando que isso deve ser feito “com constante análise”.

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