Brusque chega ao ponto mais baixo do ano e ainda não oferece razões para acreditar em retomada
Quadricolor sai do G-8; se não tiver uma grande recuperação, pode começar a se preocupar com a parte de baixo da tabela
A boa arrancada do Brusque na Série C não aguentou a terrível fase pela qual o time passa. São muitos erros, pouca inspiração, pouca criação e poucos gols marcados. A sólida defesa de antes já não existe, com oito gols sofridos nos últimos quatro jogos. O futebol apresentado é muito frágil, e o resultado é o 11º lugar, com uma torcida cada vez mais desconfiada e desiludida.
Por enquanto, não há perspectivas de melhora. Mantidos os desempenhos e as condições vistos há mais de um mês, a tendência é de que o time passe a ocupar um meio de tabela, olhando sempre no retrovisor para se certificar que o Z-4 não se aproxima. Mas por enquanto, é apenas isto, uma tendência.
Matematicamente, neste momento, dá para sonhar com uma recuperação, claro. Mais uma vez 2023 é referência, quando o time comandado por Luizinho Lopes, após amargar o 14º lugar, se encaixou com ajustes pontuais e emendou cinco vitórias seguidas, da 10ª à 14ª rodada.
Em 2025, contudo, passaram-se 11 jogos, e ainda faltam evidências para acreditar em uma retomada. Antes pelo contrário, os indícios são de estagnação e retrocesso, lamentavelmente.
Próximos alvos
Devem ser necessários de 13 a 16 pontos para a classificação à segunda fase. Faltam oito rodadas para o fim da fase inicial, com quatro jogos em casa: Retrô, Itabaiana, Londrina e CSA serão os adversários.
Aliás, há a incômoda impressão de que os adversários têm se dado melhor do que o Brusque no surrado gramado do Augusto Bauer. E isto ocorre mesmo que o quadricolor possa realizar treinos semanais lá e mesmo que muitos dos oponentes estejam conhecendo o gramado apenas no momento do jogo.
Reforços
Para além disso, a necessidade de reforços é óbvia na janela de julho. Mas o clube precisará mudar sua abordagem, afrouxar a política de austeridade. Tem que tirar o escorpião do bolso não só para contratar o tão esperado camisa 9, mas para trazer outras novidades que acrescentem em qualidade de forma decisiva.
Focar só no perfil que tem sido focado, de jovens baratos com algum potencial de revenda, pode não ter o efeito necessário. É difícil que um jogador se valorize muito ou desperte grande interesse em um time que joga o que o Brusque tem jogado e que tem os resultados que o Brusque tem recentemente.
Crítica respondida
Sem ironias, é muito legal saber que o técnico Filipe Gouveia acompanha, em maior ou menor medida, a cobertura do Brusque em O Município. Ou, se nem acompanha, ao menos alguém próximo lhe mostra uma coisa ou outra que é publicada. E fico satisfeito já por isto.
O treinador respondeu, de forma muito tranquila e respeitosa, a crítica que lhe fiz após Floresta 2×1 Brusque, por ter colocado em campo o atacante Luizinho. Para mim, parecia um sinal de desistência do jogo, para dar ritmo a um jogador que, por melhor que seja, não entrava em campo há dois anos. O atleta entrou num jogo difícil, em situação desfavorável, atrása no placar. E a minha opinião era de que sua reestreia deveria ter sido promovida em um contexto mais "tranquilo".
Filipe Gouveia justificou o retorno de Luizinho no jogo contra o Floresta pelo desempenho do atacante nos treinos. E muito bem, são as razões do treinador, que fazem todo o sentido, são corretas. O jogador estava apto fisicamente, treinou bem o bastante e era a opção para tentar mexer com o jogo.
Mas os treinos são fechados
Como ele bem disse, eu teria notado se estivesse nos treinos. Mas a imprensa, além de não poder ir nos treinos, não havia nem sido informada da recuperação total de Luizinho, que deveria ser uma notícia por si só após tudo pelo que o jogador passou nestes dois anos sem entrar em campo.
O Brusque, por padrão, proíbe a presença da imprensa nos treinos há alguns meses. Não é nada inédito, quase todos os clubes adotam essa política de treinos fechados, infelizmente. O quadricolor era um dos últimos que permitiam a presença da imprensa. Estive em treinos do Brusque uma ou duas vezes por semana, ao longo dos últimos seis anos, com exceções raríssimas, inclusive neste início da nova gestão do clube. E isto enriquecia muito a cobertura e as noções sobre o que o time vive.
No fundo, colocar treinos fechados como regra geral não serve de grande ajuda quando se olha a prática. Olhando para a história, não é possível fazer qualquer correlação entre bons ou maus momentos do Brusque e a abertura ou o fechamento de treinos para a imprensa. Mas é uma opção que o clube faz.
Copa Santa Catarina
O Brusque volta à Copa Santa Catarina seis anos após sua última participação, em 2019, que terminou com o título. E pela primeira vez desde 2004, teremos o quadricolor e o Carlos Renaux em uma mesma competição. Contudo, o confronto entre os dois times brusquenses será improvável, já que caíram em grupos diferentes.
É a maior Copa SC de todos os tempos, com 17 clubes. A impressão é de que a FCF regionalizou os grupos e sorteou as sobras para caírem no Oeste. O azar foi do Brusque, que caiu num difícil grupo com Chapecoense, Concórdia e Santa Catarina.
Se o quadricolor conseguir se classificar à segunda fase da Série C, terá que conciliar a luta pelo acesso com toda a primeira fase da Copa SC. Neste caso, claro, deverá priorizar a competição nacional.
No caso do Renaux, a Série B estadual já terá terminado quando a copa começar. Blumenau, Joinville, Juventus e Nação são os adversários no interessante Grupo C.
Outra hipótese
Os grupos da Copa SC ficaram praticamente regionalizados, muito provavelmente na tentativa de diminuir custos.
Mas teria sido interessante ver os clubes divididos em potes, conforme suas divisões nacionais, estaduais e/ou desempenhos recentes. Por exemplo:
Pote 1: Avaí, Brusque, Chapecoense e Criciúma (os últimos campeões catarinenses)
Pote 2: Barra, Figueirense, Joinville e Marcílio Dias (estão em divisões do Brasileiro)
Pote 3: Concórdia, Santa Catarina, Nação e Caravaggio
Pote 4: Blumenau, Camboriú, Carlos Renaux, Juventus e Tubarão
Assista agora mesmo!
Lendas cercam antigo cemitério polonês de Botuverá, marca da imigração ao município:
Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias